"A tarde morreu a minha mulher, na manhã seguinte, fiz segundo me havia sido mandado." (Ez 24: 18)
Á tarde, morreu minha mulher. A luz do lar se apagou. Todos os objetos familiares ficarão envolvidos em escuridão. Foi-se minha fiel companheira que partilhara de todas as mudanças de minha vida tão cheia de variações. De repente, apagou-se o lume de nossa convivência, como se uma mão invisível houvesse surgido do nada. Perdi aquela que era "a delicia dos meus olhos". Fiquei só. "Á tarde, morreu minha mulher; na manhã seguinte..." Sim, o que houve na manhã seguinte, quando o dia raiou num mundo que agora se resumia em um túmulo num cemitério? Na manhã seguinte, fiz me havia sido mandado. Ele recebera esse mandamento alguns dias antes de sofrer aquela perda. Sua vida familiar se tornara uma fonte de inspiração e comunhão. Á tardinha, após cumprir as pesadas tarefas do dia, ele se dirigia para casa, assim como um viajante cansado e empoeirado procura um banho. E em meio ás sagradas atividades da vida de casado, renovava as forças da alma e se sentia fortalecido para as tarefas do dia seguinte. Então, "á tarde morreu minha mulher". Nessa condição, chegar em casa não era mais como tomar um banho revigorante, mas permanecer na estrada poeirenta. Não era mais um oásis, mas a continuação do deserto. Agora, como sera que o profeta vai reagir mediante á ordem recebida? "Á tarde morreu minha mulher, na manha seguinte" o mandado? Como ele ver suas tarefas habituais em meio ao sombrio contexto daquela perda? O dever era o mesmo, ainda chamando e gritando em meio as sombras, assim como o fizera antes, quando havia luz, de maneira forte e insistente. O que o profeta vai fazer? Pegar o velho fardo e seguir fielmente pela mesma estrada. Sair, com toda a sua solidão, e desempenhar as velhas tarefas. E por que? Temos a resposta dessa pergunta na última frase deste capítulo. Diz: ali: "Assim, lhes servirás de sinal, e saberão que EU SEREI YAWHEH."
Aqui temos um profeta alquebrado, paciente e persistentemente, realizando o seu dever. E pela maneira como age, ele leva o povo a crer no ETERNO! Esse é o segredo da motivação que o animava a ter toda essa firme disciplina. O grande ELOHIM quer que nossos problemas que são de domínio público se tornem oportunidades para darmos testemunho público do seu poder. Nossos momentos de trevas devem ser oportunidades para ELOHIM se revelar a outros. Ele quer que nosso dever fique mais realçado por causa das sombras que o cercam. Deseja que nossas tribulações sirvam para der brilho e polimento aos nossos sinais. Quer que manifestemos a graça de continuar fiel a Ele mesmo em meio ás súbitas e trágicas convulsões de nossa vida agitada. Isso foi a grande vitória do profeta. Ele transformou a calamidade que o abateu num testemunho acerca das realidades espirituais. Sua própria solidão foi um tributo a ELOHIM. Aquela perda veio intensificar o seu chamado para servir o Altíssimo. Ele voltou as velhas tarefas e, com isso, glorificou-as. "A tarde morreu minha mulher; na manhã seguinte, fiz segundo me havia sido mandado." Esse sofrimento da tarde ocorre a todos nós. O que iremos fazer na manhã seguinte? Todos teremos de sepultar algo ou alguém; todos perdemos algo precioso. Como iremos agir depois de encerrado o velório? - J.H.
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