"Pelo lado interno e pelo lado externo cobrirão [a
Arca]" (Sh'mot 25:11). A respeito deste versículo, o Talmud comenta:
"Qualquer erudito de Torá cujo interior não seja semelhante ao seu
exterior não é realmente um erudito de Torá" (Tratado de Talmud Yomá 72b). Nossos
rabinos nos ensinam que para ser considerado um verdadeiro talmid chacham, um
erudito e estudante da sagrada Torá de Hashem, seu ser por inteiro deve ser uma
representação consistente da Torá que ele estuda. Se ele se apresenta ao mundo
como uma pessoa honesta, dedicada e sincera, isso não deveria ser uma fachada
que ele construiu habilmente para ocultar seus traços de caráter indesejáveis,
mas sim um retrato preciso de seu verdadeiro eu, temente a D-us. Assim como a
Arca sagrada, símbolo da Torá nela contida, era revestida de ouro tanto por
dentro como por fora, assim também o caráter interior do talmid chacham deve
igualar sua disposição aparente e suas crenças professas.
O Talmud (Tratado Berachot 28a) relata que quando o grande Raban
Gamaliel era o príncipe e líder do povo judeu, emitiu uma proclamação dizendo
que qualquer estudante cujo íntimo não se assemelhasse com o seu exterior não
teria permissão de entrar no Beit Midrash. Ele sentia que os outros estudantes
que eram verdadeiramente sinceros não deveriam ser expostos à influência
negativa daqueles que estiveram estudando Torá por algum motivo dissimulado, ou
cujos traços de caráter não estivessem perfeitamente sintonizados com sua
erudição. Somente após a liderança ter passado para outra pessoa que o guarda à
entrada do beit midrash era removido e todos que desejavam estudar tinham
permissão de entrar. Pergunta-se então quem seria tão qualificado a ponto de preencher
a exigente incumbência de ser este guarda durante os dias de Raban Gamaliel.
Como poderia alguém ser capaz de discernir com precisão quais os estudantes que
eram completamente sinceros e aqueles que não o eram? Foi sugerido que o "guarda" a que a Torá se refere não
era de forma alguma uma pessoa. Ao contrário, a porta do próprio beit midrash
servia de guarda, foi era mantida fechada e trancada, impedindo a entrada de
qualquer pessoa – a menos que fosse merecedora. Um aluno que fosse sincero e
desejasse verdadeiramente estudar Torá, acharia alguma forma – qualquer forma –
de passar pela entrada trancada. Qualquer outra pessoa que pudesse não estar
sinceramente motivada, seria intimidada pelo "guarda" ostensivo – a
porta que era mantida trancada. Estudar Torá em um ambiente de sala de aula é elogiável, mas
devemos transferir os ensinamentos que aprendemos, da sala de estudos ao mundo
real. Nossa meta deveria ser não somente a de ampliar nossos horizontes e
expandir nosso conhecimento; ao contrário, devemos aplicar as lições da Torá em
nossa vida diária, trasnsformando-nos em um verdadeiro mentsch. Se desejarmos
sinceramente melhorar, nada – nem mesmo a tranca em uma porta – poderá obstruir
nosso caminho.
By Michel
Alterman

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