quinta-feira, 4 de dezembro de 2014

A TORÁ DE YHWH ACABOU OU É ETERNA?

A palavra “TORÁ” é comumente traduzida em nossas Bíblias por “Lei”. Porém, qual é o real significado do vocábulo “Lei”? A palavra hebraica TORÁ (תורה) significa orientação, instrução (STRONG 8451). TORÁ vem da raiz hebraica do verbo YARAH, que significa instruir. YARAH foi um termo antigo que se referia a acertar um alvo, e dá o sentido de “estabelecer os fundamentos, a base”. A Torá é a orientação, tal como o caminho em linha reta de uma flecha para atingir o alvo. A Torá é nossa fundação e isto é importante para se entender o real significado da palavra hebraica “TORÁ”. Atualmente, muitas pessoas dizem que “a Lei (Torá) do ETERNO não é para hoje”, porém, ninguém ousaria dizer que “a orientação e a instrução do ETERNO estão desatualizadas”. A presente lição é sobre a Torá, ou seja, sobre como Elohim deseja nos instruir, orientar. Versa sobre os fundamentos (a base) e sobre a definição de nós mesmos como flechas que devem acertar o alvo. Esta lição dará objetivo, direção, fundamentos e o alvo. Comumente, usa-se também a palavra “Torá” para designar os cinco livros escritos por Moshé (Moisés), ou seja, os 5 (cinco) primeiros livros da Bíblia: 1) Bereshit (Gênesis), 2) Shemot (Êxodo); 3) Vayikrá (Levítico); 4) Bemidbar (Números) e 5) Devarim (Deuteronômio). A palavra grega usada no lugar de TORÁ pela Septuaginta (antiga tradução grega do Tanach/“Antigo Testamento”) e no “Novo Testamento” grego foi “NOMOS”. Esta possui um paralelo com a Bíblia em Aramaico (a Peshitta) que usou o vocábulo “NAMOSA”, que vem da raiz semita “NIMMES”, que significa “civilizar”, bem como um paralelo com a moderna palavra hebraica “NIMOS” (ou “NIMUS”), que significa “ser polido” (educado, gentil). Assim, no núcleo da Torá estão os preceitos fundamentais da civilização. Do ponto de vista do ETERNO, sem a Torá nós somos incivilizados. Então, enquanto a palavra “Torá” significa “instrução”, referindo-se a tudo aquilo que o ETERNO ensinou nos 5 (cinco) primeiros livros da Bíblia, todos escritos por Moshé (Moisés), as versões em Língua Portuguesa terminam traduzindo “Torá” por “Lei”. Em verdade, a Torá é muito mais do que Lei de YHWH, pois se relaciona com sua eterna instrução, sabedoria e ensino, ou seja, com sua própria Palavra. Nos cinco livros escritos por Moshé (Moisés), existem vários mandamentos prescritos pelo ETERNO e que, de acordo com o Judaísmo, perfazem o total de 613 [2]. Atribui-se a Moshé Ben Maimon[3] (Maimônides) a obra de sistematizar o catálogo de 613 mandamentos, dividindo-os em positivos (quando o ETERNO exige uma ação do homem) e negativos (quando se exige uma abstenção de algo). Dos 613, há 248 mandamentos positivos (“faça”/“obrigações”) e 365 negativos (“não faça”/“proibições”). Explicam os rabinos que os 248 mandamentos positivos se referem ao número de ossos ou órgãos importantes do corpo humano, como se cada osso ou membro dissesse ao homem: “cumpra um preceito comigo”; já os 365 mandamentos negativos dizem respeito ao número de dias do ano, como se cada dia falasse ao ser humano: “Não cometa uma transgressão hoje”. Exemplificam-se alguns dos mandamentos positivos (obrigações) que se extraem da Torá: crer na existência de Elohim; temer a Elohim; saber que Ele é um; amar YHWH; santificar Seu nome; reprovar um pecador; estudar a Torá; descansar no shabat (sábado); deve o ladrão restituir o que roubou; tratar os litigantes igualmente diante da lei; fazer tsedaká (“caridade”); salvar a vida dos perseguidos; honrar os pais; amar ao próximo; amar o estrangeiro; etc. Eis exemplos de mandamentos negativos (proibições): não crer em falsos deuses; não fazer imagens de ídolos para adoração; não curvar-se diante de um ídolo; não adorar a ídolos; não praticar feitiçaria; não estudar práticas idólatras; não beneficiar-se de ornamentos que ornaram um ídolo; não praticar adivinhação; não praticar bruxaria; não consultar os astros; não profetizar falsamente; não consultar os mortos; não casar-se com heréticos; não blasfemar contra o nome de YHWH; não comer um animal impuro; não comer sangue; não praticar o homossexualismo; não oprimir um empregado atrasando o pagamento de seu salário; etc. Os 613 mandamentos (mitsvot) da Torá são classificados em três categorias: 1) MISHPATIM (juízos, julgamentos, acórdãos) – Strong 4941. Os MISHPATIM são os mandamentos éticos e morais e apontam fundamentalmente para o que está certo e o que está errado. 2) EDYOT (testemunhos) – Strong 5715. EDYOT são mandamentos que dão testemunho de YHWH. Ex: shabat, as festas do ETERNO, a mezuzah, a tsitsit etc. 3) CHOKIM (estatutos, decretos) – Strong 2706. Os CHOKIM são mandamentos que aparentemente não possuem razão de existir. Ex: o mandamento de não misturar lã com linho, não acender fogo no shabat etc. Já vimos que, quando estudarmos a B’rit Chadashá (Aliança Renovada/“Novo Testamento”), deveremos nos perguntar se seus ensinos possuem por base o Tanach (Primeiras Escrituras). Se houver alguma contradição entre ambos, então, existirá algum erro de interpretação. Muitas pessoas não entendem as lições da B’rit Chadashá porque acreditam erroneamente que a Torá foi abolida. Vamos ser como os bereanos e olhar para o Tanach a fim de verificar se isto é realmente verdade (Atos 17: 11). Sha’ul (Paulo) afirmou que a Escritura é “valiosa para ensinar a verdade, convencer do pecado, corrigir erros e treinar no viver correto” (2 Tm 3:16). Esta Escritura mencionada por Sha’ul é o Tanach, tendo em vista que, quando escreveu a Timóteo, ainda não existia o conjunto de livros hoje conhecidos como “Novo Testamento”. Assim, se seguirmos o conselho de Sha’ul (Paulo), deveremos estudar o Tanach, pois é Escritura “valiosa para ensinar a verdade” (2 Tm 3:16). O que o Tanach prescreve? Diz o Tanach que a Torá é para todas as gerações e para sempre? Ou será que diz que um dia a Torá seria abolida? Se está correto o ensino cristão de que a Torá foi extinta, então, devemos procurar onde este ensino está escrito no Tanach (Primeiras Escrituras/“Antigo Testamento”). Tal como os nobres bereanos, devemos investigar para sabermos se estas coisas que foram ensinadas possuem respaldo no Tanach. Em contrapartida, se a Torá não foi abolida, ou seja, se existe por todas as gerações e para sempre, então, devemos ser capazes de encontrar tal informação no Tanach. Se “a Escritura (Tanach) é valiosa para ensinar a verdade” (2 Tm 3:16), vamos buscar a verdade a partir do próprio Tanach, aqui e agora. Após entregar a Torá a Moshé (Moisés) no Monte Sinai, o ETERNO ordenou que seu povo deveria guardar a Torá para sempre: “YHWH ordenou que guardássemos todas essas leis, o temor a YHWH, nosso Elohim, sempre para o nosso bem, para que ele nos guardasse com vida, como nos encontramos hoje. A obediência cuidadosa de todas essas mitsvot [mandamentos] diante de YHWH, nosso Elohim, como ele nos ordenou a fazer, será a nossa justiça.” (Devarim/Deuteronômio 6:24-25). Foi desejo do ETERNO que seu povo obedecesse à Torá para sempre: “Oh, como eu queria que o coração deles permanecesse desse jeito para sempre, que eles me temessem e obedecessem a todas as minhas mitsvot [mandamentos], para que tudo corresse bem para eles, bem como para os seus filhos, para sempre” (Devarim/Deuteronômio 5:26, ou verso 29 nas traduções cristãs). Enquanto o ser humano viver, deve obedecer à Torá, como afirmou o ETERNO: “Estes, pois, são os mandamentos, os estatutos e juízos que mandou YHWH teu Elohim se te ensinassem, para que os cumprisses na terra a que passas a possuir; para que temas a YHWH teu Elohim, e guardes todos os seus estatutos e mandamentos que eu te ordeno, tu, e teu filho, e o filho de teu filho, todos os dias da tua vida; e que teus dias sejam prolongados.” (Devarim/Deuteronômio 6:1-2). Da mesma maneira, escreveu o Salmista que a Palavra do ETERNO duraria para sempre (Sl 119: 160). Ora, quando foi escrito o referido Salmo, não havia “Novo Testamento”, então, deduz-se facilmente que a Palavra do ETERNO se refere às Escrituras do Tanach (“Antigo Testamento”). Eis o Salmo 119: 160: “A principal coisa sobre tua palavra é que ela é a verdade; e todos os seus justos mandamentos duram para sempre”. No mesmo Salmo, consta dos versos 97 e 98: “Como amo tua Torá! Medito nela todo o dia. Sou mais sábio que meus inimigos, Porque tuas mitsvot [mandamentos] são minhas para sempre”. Ainda no Salmo 119, confira-se o verso 44: “Guardarei tua Torá para sempre, para todo o sempre”. Além disso, o Tanach afirma que nada da Torá poderia ser mudado ou retirado: “A fim de obedecer às mitsvot [mandamentos] de YHWH, o seu Elohim, que estou dando a vocês, não acrescentem nada ao que digo, e nada subtraiam delas.” (Devarim/Deuteronômio: 4: 2). “Cuidem de fazer tudo que ordeno a vocês. Não acrescentem nada nem retirem nada.” (Devarim/Deuteronômio 13:1, sendo que nas traduções cristãs o capítulo é o 12:32). Existem muitas passagens em que o ETERNO estabelece estatutos para todas as gerações e para todo o sempre (Ex: 27:21; Ex: 28:43; Ex: 29:28; Ex: 30:21; Ex: 31:17; Lv: 6:18, 22; 7:34, 36; 10:9, 15; 17:7; 23:14, 21, 41; 24:3; Nm: 10:8; 15:15; 18:8, 11, 19, 23; 19:10 e Dt: 5:29)[4]. Se somos “nobres bereanos”, encontraremos passagens do Tanach afirmando que a Torá não seria abolida, mas duraria por todas as gerações e para sempre. Este ensinamento foi repetido pelo Mashiach (Messias): “Não pensem que vim abolir a Torá ou os Profetas. Não vim para abolir, mas para cumprir. Sim, é verdade! Digo a vocês: até que os céus e a terra passem, nem mesmo um yud ou um traço da Torá passará – não até que todas as coisas que precisam acontecer tenham ocorrido. Portanto, quem desobedecer à ‘menor’ dessas mitsvot [mandamentos] e ensinar outras pessoas a agirem da mesma forma será chamado menor no Reino dos Céus.” (Mt 5:17-19, vide também Lc 16:17). Esclareceu Sha’ul (Paulo): “Segue-se então que abolimos a Torá por meio dessa fé? De maneira nenhuma! Ao contrário, confirmamos a Torá” (Rm 3:31). Apesar de David ter sido salvo pela fé (Rm 4:5-8), ele amou a Torá e tinha prazer em cumpri-la (Sl 119: 97, 113 e 163): “Oh! quanto amo a tua Torá! É a minha meditação em todo o dia”. “Odeio os pensamentos vãos, mas amo a tua Torá”. “Abomino e odeio a mentira; mas amo a tua Torá”. Sha’ul (Paulo) também tinha prazer na Torá e a chama de “santa, justa e boa”: “Porque, segundo o homem interior, tenho prazer na Torá de Elohim.” (Rm 7:22). “E assim a Torá é santa, e o mandamento santo, justo e bom.” (Rm 7:12). Não existe nada de errado com a Torá que faça com que o ETERNO queira aboli-la ou destruí-la, pois tanto o Tanach (“AT”) quanto a B’rit Chadashá (“NT”) afirmam expressamente que a Torá é perfeita: “A Torá de YHWH é perfeita, e refrigera a alma...” (Tehilim/Salmos 19:8; versões cristãs: Sl 19:7). “Aquele, porém, que atenta bem para a Torá perfeita da liberdade, e nisso persevera, não sendo ouvinte esquecidiço, mas fazedor da obra, este tal será bem-aventurado no seu feito.” (Ya’akov/Tiago 1:25). Ora, algo que é perfeito nunca se tornará melhor do que já é. Logo, se a Torá é perfeita, conclui-se facilmente que seus mandamentos (mitsvot) são eternos e duram para sempre! Yeshua HaMashiach não trouxe uma “Nova Torá” (Mt 5:17), mas ensinou como o homem realmente deveria interpretar e guardar a Torá dada pelo ETERNO, excluindo todos os mandamentos criados por homens legalistas e não por ELOHIM. Por tal razão, a B’rit Chadashá (“NT”) chama a Torá de “Torá do Messias” (Gl 6:2), ou seja, a Torá verdadeira, que nada tem a ver com a Torá ensinada por falsos mestres -estes existem até hoje, e são especialistas em distorcer a Palavra do ETERNO, apesar de nunca admitirem que isto fazem. Outro ensinamento popular na igreja cristã afirma que o ETERNO só deu a Torá a Israel para provar que eles não conseguiriam cumpri-la. Por exemplo, um livro cristão leciona: “... Israel, na cegueira, orgulho e autojustiça, pediu a lei. E Deus lhe concedeu o seu pedido, para mostrar-lhes que eles não podiam guardar a sua lei ...” (God’s Plan of the Ages; Louis T. Tallbot; 1970; página 66). Agora, vamos pensar no texto acima por um momento. Elohim deu a Torá para Yisra’el (Israel). O ETERNO disse que colocaria maldições sobre Yisra’el caso o povo falhasse em cumprir a Torá (Lv 26 e Dt 28 e 29). Elohim mandou profetas para advertir Yisra’el da destruição pendente em razão da contínua incapacidade de guardar a Torá. Finalmente, permite o ETERNO que os babilônios invadam Jerusalém e os judeus sejam levados ao cativeiro, porque eles falharam no cumprimento da Torá. Então, Ele diz: “Ah, eu estava brincando. Eu dei a Torá e mandei que vocês a cumprissem para provar que vocês não iriam conseguir. Agora estou castigando vocês”. Que tipo de ELOHIM faria isso? É óbvio que o ETERNO não daria mandamentos com o intuito de castigar o homem pela desobediência. Não! O ETERNO é bom e estabeleceu mandamentos com o desiderato de que o homem os obedecesse. Como nobres bereanos, nós podemos simplesmente olhar para o Tanach para verificar se o popular ensino cristão é verdadeiro. Vejamos o que o Tanach diz sobre este assunto: “Pois esta mitsvá [mandamento] que hoje entrego a vocês não é muito difícil, não está fora do seu alcance. Ela não está no céu, para que vocês precisem perguntar: ‘Quem subirá ao céu por nós, a trará até nós e nos fará ouvi-la, para que lhe possamos obedecer?’. Da mesma forma, ela não está no além-mar, para que vocês precisem perguntar: ‘Quem atravessará o mar por nós, a trará até nós e nos fará ouvi-la, para que lhe possamos obedecer? ’. Ao contrário, a palavra está bem perto de vocês – em sua boca e em seu coração; portanto, vocês podem praticá-la!’” (Devarim/Deuteronômio 30:11-14). Como se observa facilmente no texto acima, o próprio ETERNO afirma que a Torá pode e deve ser cumprida, o que não é considerado muito difícil e nem está fora do alcance do ser humano. O fato de que a Torá possa ser cumprida e praticada está confirmado também na B’rit Chadashá (“Novo Testamento”), pois esta afiança que Yeshua “foi tentado em todas as áreas, como nós, com a diferença de que nunca pecou” (Hb 4:15), ou seja, Yeshua conseguiu observar a Torá, mesmo sendo tentado. Apesar de sermos imperfeitos, nós devemos nos esforçar para guardar o máximo possível da Torá, lembrando-se que podemos derrotar a tentação, pois “Elohim não permitirá que vocês sejam tentados além do que podem suportar” (1 Co 10:13). Em outras palavras, ainda que pequemos, já que somos falíveis, isto não nos impede de tentar viver em obediência aos mandamentos do ETERNO. Destarte, conclui-se que a Torá de YHWH permanece válida, e seus mandamentos devem ser obedecidos. Aliás, ensinou Yeshua que aqueles que o amam iriam guardar os mandamentos (Yochanan/João 14:15). [1] Na tradução para o português feita pelo Padre João Ferreira de Almeida, este omitiu a palavra “sinagoga” em Tg 2:2. Creio que o objetivo desta omissão se deve ao fato de que a Igreja Cristã deseja ocultar a verdade: os primeiros discípulos de Yeshua se reuniam em sinagogas e não em Igrejas. [2] Alguns estudiosos perceberam que existem mais do que 613 mandamentos na Torá. Logo, pode-se dizer que os 613 mandamentos reconhecidos pelo Judaísmo consistem em um rol exemplificativo, e não taxativo. [3] Viveu aproximadamente entre os anos 1135 a 1204 d.C. [4] O que muitas pessoas confundem é que existem certas regras na Torá que são verdadeiras “leis temporárias e circunstanciais”, ou seja, foram estabelecidas para vigorarem durante certo período de tempo e em determinadas circunstâncias. Exemplos de regras temporárias: 1) Quando a mulher estava em período menstrual, ninguém poderia tocar nela ou em sua cama (Lv 15:23). Esta norma foi estabelecida para fins higiênicos, evitando-se a contaminação por doenças transmissíveis pelo sangue, já que não havia absorvente íntimo e água em abundância. 2) As regras sobre compra de escravos não se aplicam mais (Lv 25:44), uma vez que hoje não existe escravidão, fruto da maldade humana. Esta nunca foi a vontade do ETERNO, que chegou a criar normas para benefício dos escravos estrangeiros, dizendo que os senhores deveriam amá-los como a si próprios (Lv 19:34). Não obstante a existência de algumas leis temporárias, os mandamentos éticos e morais da Torá são eternos. Leia mais: http://www.judaismonazareno.org/news/a-tora-de-yhwh-acabou-ou-e-eterna-/

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