quarta-feira, 7 de novembro de 2018

Yeshua teria nascido mesmo de uma virgem?



Um comentário divulgado na internet de que a questão relativa ao problema do nascimento virginal se centraliza na ideia do texto de Mattiyahu 1:23 (a virgem) ser uma má tradução do texto original de Yeshayahu 7:14 (a jovem). Desde os primórdios do cristianismo, os judeus têm batalhado contra a doutrina do nascimento messiânico virginal, pois, segundo os judeus, não existe no Antigo Testamento nenhuma profecia com essa ideia da mãe de Jesus ser uma virgem, dando a possibilidade de um nascimento virginal milagroso. E soma-se a isso que os tradutores da Septuaginta grega teriam vertido errado a palavra hebraica “almáh” (a jovem) por “parthénos” (a virgem). De acordo com a corrente ortodoxa judaica, Yeshayahu 7:14 diz que “a donzela” dará luz à um filho e que essa profecia teve um cumprimento histórico em Yisra’el e não em Yeshua Hamashiach (falso messias). E muitos comentaristas judaicos terminam dizendo que a pessoa do Salvador seria uma invenção romana para tentar suprimir de vez o que tinha restado da religião judaica após a destruição do templo em 70 EC. Mas o que há de verdade e de mito nessa declaração acima? A preocupação sobre a aceitação de Yeshua pela comunidade judaica no geral, vai muito além dos questionamentos citados acima. Desconfianças com relação a interpretações de textos é apenas uma ponta desses “problemas”. Segundo os escritos judaico, o Messias deve ser descendente do lado do pai do rei David. Yeshayahu 11:1 diz: “Porque brotará um rebento do tronco de Yshai, e das suas raízes um renovo frutificará.” No pensamento judaico, de acordo com a reivindicação dos netzarim (primeiros crentes, que acreditavam em Yeshua), de que Yeshua era o produto de um nascimento virginal, ele não tinha pai e, portanto, não poderia ter cumprido a exigência messiânica de ser descendente do lado do pai do rei David. E que os “missionários cristãos” buscam desesperadamente uma solução para as genealogias de Jesus, contraditoriamente conflitantes. Sem dizer os “malabarismos” que os cristãos fazem constantemente para trazer uma explicação lógica onde na verdade não existe lógica! Mas existe explicação para a genealogia “conflitante” de Jesus? Em Mattiyahu, observamos a genealogia de Yeshua (da parte de Yosef) que lhe deu direito ao trono de David. Em Lucas, observamos a genealogia de Miriam, que leva a descendência genética de Yeshua ao trono de David. Lembrando que Yeshua não era filho natural de Yosef, e sim adotivo. Ele não era um “filho carnal” de Yosef e Miriam. Mas sim o “Filho de Elohim”, por meio de Miriam – argumento também rejeitado pelo judaísmo. A genealogia de Yeshua, por Lucas, demonstra que ele era, por nascimento humano, filho de David, por meio da sua mãe, Miriam. Mattiyahu, escrito primordialmente para os judeus, traça a descendência da realeza LEGAL do MASHIACH – através de YOSEF seu pai legal (embora não pai no sentido biológico). Lucas, escrito primordialmente para os gregos, traça a descendência NATURAL do Mashiach a partir do pai de MIRIAM. Yosef foi o pai adotivo de Yeshua, porque Yawheh Elohim fecundou um óvulo de Miriam sem a presença de um esperma humano. Isso se deu através do Seu poder, quando a vida do “Filho” foi TRANSFERIDA para o útero da judia Miriam: “. . . e o poder do Altíssimo a cobrirá.” – Lucas 1:35, NVI. Então quem era Yosef? Como já foi explicado, Yosef, o carpinteiro de Nazaré, era o pai adotivo de Yeshua. Mas quem era o pai de Yosef? O Evangelho de Mattiyahu fala de um homem chamado Yaakov, mas o Evangelho de Lucas diz que Yosef era “filho de Eli”. Porque essa aparente “contradição” na genealogia? (Lucas 3:23; Mattiyahu 1:16) O relato de Mattiyahu diz: “Yaakov tornou-se pai de Yosef.” O termo grego usado indica que Yaakov era o pai biológico de Yosef. Assim, Mattiyahu descreveu a genealogia natural de Yosef, a linhagem real de David. Foi por meio dessa genealogia que o DIREITO LEGAL ao trono passou para Yeshua, filho adotivo de Yosef. Por outro lado, o relato de Lucas diz: “Yosef, filho de Eli.” A expressão “filho de” pode ser entendida como “genro de”. Em Lucas 3:27, encontramos um caso parecido: Sealtiel, que era filho de Jeconias, é alistado como “filho de Neri”. (1 Crônicas 3:17; Mattiyahu 1:12) Pelo visto, Sealtiel se casou com uma filha de Neri – cujo nome não é mencionado –, e se tornou genro de Neri. Da mesma forma, Yosef era “filho” de Eli, visto que era casado com Miriam, filha de Eli. Assim, Lucas descreve a linhagem natural de Yeshua “segundo a carne”, por meio de Miriam, sua mãe biológica. (Romanos 1:3) Desse modo, a Bíblia apresenta duas genealogias de Yeshua que são úteis para os pesquisadores. Sobre a genealogia de Yeshua, o erudito Frederic Louis Godet escreveu: “Este estudo detalhado do texto nos leva assim a admitir: 1) Que o registro genealógico de Lucas é o de Eli, avô de Yeshua; 2) Que, visto está filiação de Yeshua com Eli ser expressamente oposta à Sua filiação com Yosef, o documento que ele preservou para nós, no conceito dele, não pode ser nada mais do que a genealogia de Yeshua através de Miriam. Mas, por que não menciona Lucas a Miriam, e por que passa logo de Yeshua para o Seu avô? Sentimentos antigos não condiziam com a menção da mãe como elo genealógico. Entre os gregos, o homem era filho do seu pai, não da sua mãe; e entre os judeus, o adágio era: ‘Genus matris non vocatur genus [“O descendente da mãe não é chamado descendente (dela)”]’ (‘Baba bathra’, 110, a).”— Commentary on Luke (Comentário Sobre Lucas), 1981, p. 129. Destacando mais sobre a genealogia de Jesus, podemos ver: “As listas tanto de Mattiyahu como de Lucas eram de nomes publicamente reconhecidos como autênticos pelos judeus daqueles tempos. Os escribas e os fariseus, bem como os saduceus, eram ferrenhos inimigos dos nazarenos, e eles se valeriam de qualquer argumento possível para desacreditar Yeshua, mas é digno de nota que nunca questionaram estas genealogias. Se a genealogia de Yeshua, apresentada quer por Mattiyahu, quer por Lucas, estivesse errada, que oportunidade isso teria sido para estes oponentes provarem isto na ocasião! Pois, até 70 EC, eles evidentemente tinham livre acesso aos registros genealógicos públicos e às Escrituras.” – BIBLIOTECA ON-LINE da Torre de Vigia – Genealogia de Jesus Cristo. Existe evidência da virgindade de Miriam na Brit Hadasha? A acusação de que os eruditos da Septuaginta erraram na tradução da expressão há almáh (a jovem mulher) em hebraico, para “a virgem” em grego, assim dando origem à uma suposta falsa profecia que diz que “uma virgem conceberá e dará à luz um filho”, citado em Yeshayahu 7:14, é puramente fantasiosa. Surgiu como um protecionismo da parte de alguns religiosos que querem fazer frente aos Nazarenos, numa tentativa de desmoralizá-lo como religião. Yeshayahu 7:14 diz: “Portanto, o próprio Yawheh lhes dará um sinal: Vejam! A jovem ficará grávida e dará à luz um filho. . .” (Novo Mundo, nota: ou donzela) Os que querem causar uma disputa entre o hebraico e o grego aqui podem ver outro exemplo no livro Raciocínios à base das Escrituras*: “O idioma grego não possui ‘plural majestático ou de excelência’. Portanto, em B’reshit 1:1, os tradutores da LXX [Septuaginta] empregaram ho The-ós (Deus, no singular) como equivalente a ‘Elo-hím.” Existi outra passagem bíblica provando que Miriam era virgem? Sim, existe! Miriam estava prometida a Yosef seu noivo. É curioso que a Bíblia Ecumênica (TEB) mostra que Yosef “não a conheceu até quando ela deu à Luz” a Yeshua. (Mat 1:25) Este, não a conheceu “até” (grego: heos hou), não seria uma aproximação de Yosef para desfrutar da companhia de Miriam? Sim, mas somente depois de Yeshua nascer. Este outro relato bíblico PROVA que Miriam era virgem – alguns vão querer abrir aqui uma disputa sobre se existe ou não uma “virgindade pósparto”. Outros são radicais ao acusar a escolhida de Yawheh de ser uma mulher promíscua. Alegam que o relato bíblico não assegura 100% a sua virgindade, e tentam com isso causar debates infindáveis sobre um propósito dos seguidores do Mashiach que estaria fracassado por uma possível ausência de “virgindade”. Porém, o contexto das Escrituras Gregas Cristãs mostra justamente o contrário. Enquanto muitos ainda persistem em fazer uma “guerra” de Hebraico versus Grego. Uma tradução ou falsificação? A palavra hebraica bethuláh refere-se a uma mulher que nunca se uniu a um homem em casamento e que nunca teve relações sexuais. (Gên 24:16; De 32:25; Jz 21:12; 1Rs 1:2; Est 2:2, 3, 17; La 1:18; 2:21) No entanto, o termo grego par-thé-nos pode aplicarse tanto a solteiros como a solteiras. (Mt 25:1-12; Lu 1:27; At 21:9; 1Co 7:25, 36-38) Visto que a palavra grega parthénos pode incluir homens solteiros, a tradução “virgindade”, segundo encontrada nas versões feitas por J. B. Rotherham e J. N. Darby (ambas em inglês), bem como na Tradução do Novo Mundo, é apropriada e parece ajustar-se melhor ao contexto. Yawheh não colocaria sua Santidade em julgamento escolhendo uma jovem que não fosse virgem, ou tivesse uma vida promiscua, para ser a mãe de Seu Filho! Acusar Yeshua de ser um filho de uma mulher de vida dupla (vergonhosa) é ir contra os propósitos santos de Yawheh. Alguém pode achar estranho esse tipo de comentário, mas ele é muito comum em blogs e sites da internet que fazem ataques diretos a pessoa de Yeshua Hamashiach e sua mãe. E isto inclui acusar os tradutores da Septuaginta de terem feito uma falsificação. Os tradutores judeus da Septuaginta verteram a palavra hebraica almáh por parthénos, ao traduzirem Yeshayahu 7:14. “Eis que a virgem [par-thé-nos] ficará grávida e dará à luz um filho, e darlhe- ão o nome de Emanuel.” (Mat 1:22, 23) Será que isso era uma tentativa de forjar uma profecia a cerca de um falso messias? Na verdade, não pode ser. A plena e completa identificação de Emanuel, naturalmente, se encontra no cargo e na personagem do Mestre Yeshua Hamashiach. Por conseguinte, o emprego da palavra hebraica almáh na profecia se enquadrava perfeitamente na vinda de um verdadeiro messias. No caso de Miriam, não havia dúvida quanto a ela ser virgem quando ficou “grávida pelo Ruach Hakodesh” (pelo poder do Altíssimo), sendo que tanto Mattiyahu como Lucas registram este fato histórico. (Mat 1:18- 25; Lu 1:30-35) A descrença de um grupo ou etnia não invalida a profecia a cerca do surgimento do Filho de Yawheh na Terra. A Septuaginta não é uma FALSIFICAÇÃO, ela é uma TRADUÇÃO! Veja estes dois comentários: 1- “Isto, de forma alguma, significava tomar liberdades com o texto, ou torcê-lo. Mais de um século antes, os tradutores judeus da Septuaginta grega também usaram par-thé-nos, ao traduzirem Yeshayahu 7:14.” – Estudo Perspicaz das Escrituras, Vol. 1, pp. 802, 803. 2- “Parthénos, costumeiramente traduzido por virgem, tem sido vertido como significando também o estado de virgindade ou celibato.” – The Emphatic Diaglott. Podemos comparar nossa pesquisa com outro texto que fala sobre “virgindade”: “Se alguém pensa que se está comportando de modo impróprio para com a sua virgindade, se está estiver além da flor da juventude, e este é o modo em que deve ocorrer, faça ele o que quiser; ele não peca. Casem-se.” (1Co 7:36) Como vimos, a palavra grega “parthénos” pode incluir homens solteiros, a tradução “virgindade” é apropriada e parece ajustarse melhor ao contexto. É verdade que a palavra almáh significa “donzela” e pode aplicar-se tanto a uma não-virgem como a uma virgem. Mas também é aplicada à “donzela” Rebeca antes do casamento, quando ela também foi chamada de “virgem” (bethuláh). (Gên 24:16, 43) Mattiyahu, sob inspiração divina, empregou a palavra grega parthénos (virgem) quando mostrou que Yeshayahu 7:14 teve cumprimento final em relação com o nascimento virginal de Yeshua, o Messias. A palavra almáh vem de ‘elem que significa “esconder”, “ocultar”. Nos tempos bíblicos as moças eram mantidas cobertas, escondidas aos olhos dos homens. Algumas ficavam até mesmo enclausuradas. No Total, essa palavra hebraica ocorre apenas 7 vezes; no entanto, ela aparece apenas uma vez no livro de Yeshayahu. (Gên 24:43; Exô 2:8; Sal 68:25; Pro 30:19; Cân 1:3; 6:8; Is 7:14) Temos boas razões para concluir que a palavra hebraica usada por Yeshayahu não significava “virgem” por definição, mas sim por implicação, ou seja, a palavra significa “moça”, “jovem”, mas como normalmente uma jovem, ou moça, é virgem, se atribui esse sentido à palavra. Gerard Van Groningen cita cinco autoridades no assunto sobre a palavra ugarítica galmatu encontrada nos documentos de Ras Shamra. Uma dessas autoridades, H. Wolf, em sua obra Interpreting and Glory of the Messiah, diz: “Nos três lugares onde glmt, o equivalente exato de almáh, é usado, ele refere-se a uma jovem procurada para casamento”. – Página 450. Gerard Van Groningen apresenta a seguinte conclusão: “Um exame dos materiais disponíveis a estudiosos e peritos, como indicado acima, leva-nos à segura conclusão de que, com base no uso do termo tanto em hebraico quanto em ugarítico o termo almáh deve ser traduzido por `virgem’. A Septuaginta dá pleno apoio a isto e o testemunho da Brit Hadasha (Mat 1.23) dá a palavra final. Yeshayahu disse e pretendeu dizer virgem”. Alguns têm sugerido que, no tipo, lá naquele tempo, “Emanuel” era o terceiro filho de Yeshayahu, talvez com uma donzela judia que possivelmente se tornara a segunda esposa do profeta. Certos comentadores judeus empenharam-se em aplicar a profecia ao nascimento do filho de Acaz, Ezequias. Isto, porém, NÃO É POSSÍVEL. Visto que a profecia foi proferida durante o reinado de Acaz (Is 7:1), época em que Ezequias tinha pelo menos 9 (nove) anos de idade, torna a ideia de que foi Ezequias uma verdadeira impossibilidade. (2Rs 16:2; 18:1, 2) Vemos aqui um argumento judaico contra o cristianismo vindo por terra e totalmente refutado. Em Mattiyahu 1:23, a única outra ocorrência dele, Emanuel é um nome-título aplicado ao Mashiach, o Messias. O nome-título, Emanuel, portanto, era especialmente apropriado para o Mashiach, pois a sua presença era deveras um sinal do céu. E, com este mais destacado representante de Yawheh entre a humanidade, Mattiyahu, sob inspiração, podia verdadeiramente dizer: “Conosco Está Elohim.” A Septuaginta foi usada para promover um falso entendimento? Os críticos religiosos judeus desconsideram que a Septuaginta foi uma tradução feita séculos antes de Miriam e de Yeshua virem a surgir no mundo. Segundo a tradição, a tradução da LXX (a tradução dos 70) começou em cerca de 280 AEC. Esta tradução teria criado uma lenda de que uma falsa virgem conceberia um falso messias? Esses mesmos religiosos não podem provar isso, e o que fazem é tentar desacreditar de todas as maneiras a história do nascimento virginal. Então Miriam estaria mentindo quando respondeu ao anjo sobre a gravidez pelo poder de Elohim da parte de Yawheh? Quando ela disse ao anjo: “Como isso vai acontecer, visto que não tenho relações com nenhum homem?”. (Lucas 1:31-34) E teria sido os 70 judeus que traduziram a Septuaginta direto do hebraico que intencionadamente inventaram um falso messias? E quais motivos teriam para isso? Teriam tentado destruir a sua própria nação inventando uma farsa como essa? Os líderes religiosos judaicos de hoje devem refletir sobre isso. Assim entenderam os tradutores da Septuaginta, que a jovem era casta e dentro dos padrões divinos para cumprir uma profecia que mais tarde, revelou-se cumprir no Mestre Yeshua. Quando os Evangelhos citam a palavra “virgem”, apenas fazem uma citação direta da Septuaginta e não do hebraico. O argumento antagônico só poderia se sustentar se não houvesse a mínima possibilidade de a palavra hebraica almáh [ עלמה ] englobar igualmente a ideia de uma virgem, o que sabemos não ser o caso. Assim, por meio desta profecia maravilhosa, Elohim evitou que as mulheres judias – virgens solteiras – deixassem de se casar e de gerar filhos com seus maridos dentro de uma união familiar (o que ocorreria se a palavra ali fosse especificamente nãovirgem já que toda mulher desejaria ser mãe do Messias) e ainda assim garantiu que seu filho pudesse vir de uma almáh [ עלמה ] que se mostrou então também parthénos [παρθενος] ou Bethuláh בתולה] ], “virgem”. Quanto a Miriam não ter sido virgem antes de conceber Yeshua, o ônus da prova está sobre os que mantêm esta alegação. É clara e objetiva a atitude desonesta desses religiosos ao dizer que os Netzarim abordam uma tradição falsa que mantêm uma farsa – supostamente de origem romana – sobre o Messias Salvador. Ademais, qualquer mulher judia se fosse reconhecida como adúltera, teria de ser apedrejada – o que não aconteceu. Não temos motivos para crer que Yosef, um homem judeu e de respeito, teria motivos para omitir a verdade com relação a isso. Já que esta seria contra seus próprios interesses tanto espirituais como legais, além da má fama! Para os sinceros está explicação bastará, se você, caro leitor, a expor adequadamente e a pessoa ainda assim simplesmente desconsiderar sem uma base real, então deixe ela mesma seguir os seus próprios interesses. Infelizmente, para os apaixonados pela estória do “falso messias romano”, está implicação deve continuar na tentativa de denegrir a verdade fundamental dos crentes no Mashiach Yeshua. Perguntas feitas em um site que faz questionamentos sobre Yeshua Hamashiach 1 – A contradição entre o relato e seu objetivo é evidente: por um lado, o filho concebido milagrosamente por obra divina de uma mãe virgem; por outro, o desejo de demonstrar a estirpe davídica legítima de Yeshua de acordo com a árvore genealógica. É evidente que, se Yosef não teve nada a ver com a gravidez de Miriam, a reprodução de sua árvore genealógica não tem sentido, pois o sangue real de Yosef não teria passado a Yeshua. Para aumentar o problema, a genealogia contida em Mattiyahu difere da contida em Lucas, e de modo essencial, até o ponto de que ambas as listas de ascendentes são mutuamente irreconciliáveis. Resposta: Ser Yosef pai adotivo de Yeshua não implica em um fracasso dos propósitos de Deus. Muito pelo contrário, foi uma provisão amorosa do seu Pai Celestial escolher uma família justa na terra para fazer companhia a Seu Filho estimado. Se Adam era filho de Elohim, não pode Yeshua ser também filho de Elohim? Porém, agora nascido através do ventre de Miriam pelo poder de Elohim? Adam foi criado do nada para a vida, e isto pode ser considerado um milagre. Yeshua nascendo de uma virgem, também não pode ser? A genealogia contida em Mattiyahu e Lucas podem ser entendidas prestando-se muita atenção. 2 – No entanto, o copista trai a si mesmo aplicando a mãe de Yeshua o verbo ativo “gerar” contrariando a tradicional terminologia genealógica, que se aplica somente aos homens. Mattiyahu 1:16 diz: “Yaakov tornou-se pai de Yosef, marido de Miriam, da qual nasceu Yeshua, que é chamado o Mashiach.” Resposta: Na verdade Elohim é Pai de Yeshua! Yawheh não desrespeitou uma lei por transferir a vida do Seu amado Filho para o ventre da virgem. Ele fez isso consciente e nenhum humano pode culpá-lo por ter feito isso. Se Ele fez isso, fez o que decidiu fazer de maneira sábia. A genealogia não se aplica “somente aos homens”, Elohim fez do Seu filho espiritual um “homem” e “messias”. Apesar de Yosef ser somente o pai adotivo de Yeshua, Yawheh qualificou Yosef para cumprir esta função. 3 – As mulheres dos patriarcas (Sara, Rebeca, Lea, Raquel, assim como Ana, a mãe de Samuel) eram mulheres estéreis cujos ventres “fechados” foram, mais tarde, abertos. Mas tal intervenção divina jamais se interpretou como fecundação divina. Resposta: Não podemos comparar o caso de Miriam com o de Sara, Rebeca, Lea, Raquel e Ana. A vida do Filho de Yawheh foi transferida do céu para o ventre da virgem. Mas no caso de Ana, por exemplo, o filho dela Samuel nasceu da fecundação de um óvulo através de um espermatozoide humano. Aqueles que fazem este tipo comparação rejeitam a possibilidade do Ruach poderoso de Elohim ter interferido no nascimento do Messias, de modo supra especial. Elohim pode sempre operar milagres através da Sua força ativa. Por que ele não poderia transferir a vida do Seu Filho do céu para o ventre da virgem usando o Seu Ruach Hakodesh? Não foi este mesmo Elohim que fez o homem do pó da terra e Soprou nas suas narinas o seu espírito como energia vital? 4 – Quando o cristianismo primitivo passou esta alternativa de fé na mediação divina para uma crença totalmente nova de um ato de fecundação divina, com a consequência do nascimento de um “Deus-Homem”, pertence com certeza à psicologia da religião mais do que a sua história. Resposta: Acreditar que Elohim tem poder e usou esta força divina transferindo a vida do Seu Filho do céu para o ventre de uma jovem mulher, não é um desvio ‘psicológico’. Muito longe disso! E “Deus-Homem” não é a palavra apropriada para descrever o enviado Messias. Essa ideia vem de costumes adotados pelo cristianismo apóstata – nada tem a ver com o pensamento bíblico –, de um ser divino constituído de 3 (três) pessoas, sendo que uma delas – a segunda pessoa – desceu a terra se tornando homem e viveu como um representante de um deus-trino. Essa ideia é de origem pagã e não tem tratos com o verdadeiro pensamento Yauista. 5 – Nascimento virginal não é profético. Tentaram usar o texto de Yeshayahu 7:14, mas se equivocaram. Porque no Hebraico original, Yeshayahu 7:14 não fala de virgem, e sim de uma jovem. O texto se refere a “almáh”, uma jovem; e não “betulah”, virgem. Resposta: Aqueles que querem colocar em dúvida o nascimento virginal sempre vão insistir que a jovem ‘poderia não ser virgem’, mas eles não podem provar que ela de fato não era virgem. Alguns arriscam em dizer que existe 60% de chance de Miriam não ter sido ‘virgem’ na ocasião em que ficou grávida de Yeshua. O que tornaria Jesus – segundo estes comentadores – o filho de uma possível mulher imoral. Mas o ônus da prova recai sobre eles. Eles têm que provar que isso é 100% real. 6 – A descendência da dinastia, só é passada de pai para filho. Mas como o messias seria filho de Yosef se Yosef não é pai biológico de Yeshua? Sendo assim, Yeshua não se caracterizava, como sendo o Messias prometido a Yisra’el. (2Sm 7:16). Resposta: Não podemos deixar que tradições arraigadas, isto é, tradições de homens, impeçam-nos de aceitar o nascimento virginal do Messias. Isso aconteceu na medida exata que o espírito ou poder de Elohim intercedeu neste acontecimento sobrenatural. A desculpa que Yeshua era filho adotivo e por isso invalida a sua unção como o enviado de Elohim, não pode ser mais sustentada. Pois foi prudente da parte de Elohim arrumar um pai adotivo para o Seu Filho, para ser cuidado e crescer entre os homens na terra na companhia de uma família humana. Fora disso, toda a desconfiança recai sobre a Pessoa de Yawheh Elohim, como se Ele tivesse cometido um grave erro! 7 – Miriam era prima de Isabel, que era da tribo de Levi (Lucas 1:5). Miriam pra ser prima de Isabel, tinha que ter pai da Tribo de Levi. Ou seja; que fosse irmão do pai de Isabel. Sendo assim; Miriam é da tribo de Levi, e não de Yehuda. Por este motivo, Miriam não pôde garantir o direito legal de Yeshua ser o prometido Messias. Resposta: Se a tradição estiver correta, a esposa de Eli, mãe de Miriam, era Ana, cuja irmã tinha uma filha chamada Isabel, mãe de Yochanan, o Batizador. Esta tradição tornaria Isabel a prima de Miriam. Que Miriam era parente de Isabel, que era “das filhas de Aharom”, da tribo de Levi, é declarado pelas próprias Escrituras. “Nos dias de Herodes, rei da Judéia, havia um sacerdote chamado Zacarias, da turma de Abias. Sua esposa era uma das filhas de Aharom, e o nome dela era Elisabete.” (Lucas 1:5, Novo Mundo, nota: Isabel) Miriam era de fato da tribo de Yehuda e descendente de David. Por isso, podia-se dizer que o filho dela, Yeshua, “procedeu do descendente [literalmente: semente] de David segundo a carne”. – Romanos 1:3. 8 – Segundo as profecias do Tanak, o Messias sairia dos lombos de Avraham (órgão reprodutor). Seria descendente físico de David. (2Sm 7:12-13. Sl 132:11. Hb 12:14-18. Gn 17:01-07 Gl 3:16). Fruto do próprio corpo, de um descendente de David (esperma). (At 2:30. Rom 1:3). DESCENDENTE = que descende de outro homem. Resposta: O Messias prometido não é um semi-deus, mas um homem em igualdade com Adam, portanto, sem pecado. “O primeiro homem, Adam, tornou-se um ser vivente”; o último Adam, espírito vivificante.” (1 Coríntios 15:45) O resgate teria que ser uma alma perfeita por outra igualmente perfeita – por isso Yeshua se tornou a oferta perfeita pelo sangue. Observe está ilustração: Um homem rico (Adam) apostou todos os seus bens e perdeu tudo. Acabou trazendo miséria e sofrimento a todos os seus filhos dentro da sua casa. Em toda a terra não havia outro homem que fosse tão rico que pudesse pagar a dívida. Com o passar do tempo, veio outro homem rico (Yeshua) e pagou a dívida do outro homem dono da casa (morte no madeiro), e abriu-se a porta da casa para receber os que estavam sofrendo abandono e fome. Moral da história: Um descendente humano (pobre e pecador) de Yisra’el nunca poderia pagar esta imensa dívida que figura o pecado herdado de Adam – e isto inclui a oportunidade de viver para sempre no Paraíso na terra. – 1 Timóteo 2:6. 9 – Yeshua por adoção foi filho de David? Impossível! Por exemplo: eu adoto um filho, e ele é meu único filho. Ele não pode ser um Cohen, um sacerdote. A Tora diz que um filho adotivo não é como o seu filho biológico. A Tora diz que o messias tem que surgir da semente (sêmen), e não de um nascimento milagroso. existem dúvidas com relação a tradução usada por cristãos se Miriam era ou não uma jovem virgem. Resposta: É preciso aceitar que Yeshua é o Filho de Elohim. Foge aos pensamentos desses críticos que existe uma diferença entre nascer na terra e ser criado na terra. Yeshua não foi criado na terra, ele nasceu de uma virgem. Yeshua como ser espiritual já existia antes de Avraham. Portanto, quando os lideres judeus perguntaram a ele, que ele nem tinha 50 anos, e se ele tinha visto Avraham, ele respondeu que antes de Avraham vir à existência, “eu já existia.” (Yochanan 8:58, Novo Mundo de 2015, A Bíblia Viva de 1972) Yeshua veio do céu nascendo de uma jovem virgem judia, e depois para lá voltou. (Atos 1:11) Porém, é óbvio que o termo “almáh”, que apesar de significar “moça” ou “menina jovem”, não descarta a hipótese de virgindade. Provando assim, que os judeus responsáveis por traduzirem as Escrituras do hebraico para o grego viam claramente o vínculo natural entre almáh e “virgindade”, apesar de haver uma palavra hebraica específica para “virgem”. Obviamente porque não havia dissociação entre “moça” e “virgem”. Reflexões sobre o Messias e Judaísmo “Messias” significa “ungido”. Entre os judeus, o termo veio a representar um descendente do Rei David que iniciaria uma gloriosa regência. (2 Samuel 7:12, 13) Nos dias de Yeshua, os judeus já tinham sofrido, durante séculos, sob uma série de duros governantes gentios. Eles ansiavam um libertador político. Assim, quando Yeshua de Nazaré apresentou-se como o Messias há muito aguardado, houve, naturalmente, uma grande excitação inicial. (Lucas 4:16-22) Mas, para grande desapontamento dos judeus, Yeshua não era um herói político. Pelo contrário, ele afirmava que seu Reino ‘não fazia parte do mundo’. (Yochanan 18:36) Ademais, Yeshua não iniciou então a gloriosa era messiânica prevista pelo profeta Yeshayahu. (Yeshayahu 11:4-9) E, quando Yeshua foi morto como criminoso, a nação como um todo perdeu o interesse nele. Um Messias Sofredor Profetizava Yeshayahu um Messias sofredor e que tinha de morrer? A maioria dos comentaristas judaicos afirmam que não. Alguns afirmam que o Servo Sofredor era a própria nação de Yisra’el durante seu exílio babilônico. Outros relacionam o sofrimento a períodos tais como as Cruzadas ou o Holocausto Nazista. Mas será que esta explicação resiste a um exame mais detido? É verdade que, em alguns contextos, Yeshayahu deveras fala de Yisra’el como “servo” de Elohim. Mas, ele menciona Yisra’el como um servo obstinado e pecaminoso! (Yeshayahu 42:19; 44:21, 22) A Encyclopaedia Judaica (Enciclopédia Judaica) faz assim o seguinte contraste: “O verdadeiro Yisra’el é pecaminoso e o Servo [de Yeshayahu 53], isento de pecado.” Alguns, por conseguinte, argumentam que o Servo representa uma ‘elite justa’ em Yisra’el, que sofreu a favor dos judeus pecaminosos. Mas Yeshayahu nunca mencionou tal elite. Pelo contrário, ele profetizou que a NAÇÃO INTEIRA seria pecaminosa! (Yeshayahu 1:5, 6; 59:1-4; compare com Daniel 9:11, 18, 19.) Ademais, em períodos de aflição, os judeus sofriam, quer fossem justos, quer não. Um Messias Que Precisava Morrer Por que o Messias precisava morrer? Explica Yeshayahu 53:10: “Todavia, ao Eterno agradou moê-lo, fazendo-o enfermar; quando a sua alma se puser por expiação do pecado, verá a sua posteridade, prolongará os seus dias; e o bom prazer do Eterno prosperará na sua mão.” (Yeshayahu 53:10, ACF) Isto fazia alusão ao costume levítico de oferecer vítimas animais para expiar pecados ou alguma culpa. O Messias sofreria uma morte ignominiosa, mas, como uma vítima sacrificial, a morte dele teria mérito expiatório. Se morresse, porém, como poderia o Messias cumprir as profecias sobre sua regência gloriosa, e também “ver a descendência e ter longa vida”? Logicamente, por uma ressurreição dentre os mortos. (Compare com 1 Reis 17:17-24.) A ressurreição do Messias resolveria também a aparente contradição entre Daniel 7:13, que predizia que o Messias retornaria triunfalmente sobre as nuvens do céu, e Zacarias 9:9, que dizia que ele humildemente chegaria montado num jumento. O Talmude tentou explicar este paradoxo por asseverar: “Se eles forem meritórios, ele virá com as nuvens dos céus; se não, humilde e montado num jumento.” (Sanhedrin [Sinédrio] 98a) Isto significaria que a profecia de Daniel 7:13 ou a de Zacarias 9:9 continuaria sem cumprimento. Todavia, a ressurreição do Messias lhe permitiria cumprir ambas as profecias. Inicialmente, ele viria de modo humilde para sofrer e morrer. Depois de sua ressurreição, ele retornaria em glória e iniciaria o governo messiânico celeste. O Judaísmo e Yeshua A maioria dos judeus do primeiro século rejeitou Yeshua como o Messias. Ainda assim, ele exerceu profundo impacto sobre o judaísmo. Embora Yeshua raramente seja mencionado no Talmude, o pouco que é dito tenta “menosprezar a pessoa de Yeshua, por atribuir ilegitimidade ao seu nascimento, poderes mágicos e uma morte vergonhosa”. (The Jewish Encyclopedia [A Enciclopédia Judaica]) O perito judeu Joseph Klausner admite que tais lendas “parecem ter visado deliberadamente contradizer os eventos registrados nos Evangelhos”. E havia bom motivo para isso! A Igreja Católica tinha exacerbado a aversão dos judeus por Jesus, mediante seu antissemitismo. Ela alienara ainda mais os cristãos por declarar que Jesus era um suposto “Deus-Filho” – uma parte encarnada da Santíssima Trindade –, um dogma incompreensível de um deus MISTÉRIO. Isso se deu, é claro, em direta contradição com os ensinos do próprio Yeshua Em Marcos 12:29, Yeshua citou a Torá, dizendo: “Ouve, Yisra’el, o Eterno nosso Elohim é o único Adonay.” – D’varim 6:4. Mas, sob a pressão dos esforços de conversão, por parte da cristandade, o judaísmo reavaliou seus conceitos. Muitos textos que há muito eram aplicados ao Messias foram reinterpretados. No alvorecer dos tempos modernos, alguns peritos judeus, sob a influência da alta crítica da Bíblia, concluíram que a esperança messiânica não ocorre em parte alguma da Bíblia! A esperança messiânica, porém, experimentou uma espécie de renascimento com a criação do Estado de Yisra’el, em 1948. Escreve Harold Ticktin: ‘A maioria das facções judaicas consideram o surgimento do Estado de Yisra’el como um grande evento profético.’ – os principais grupos evangélicos abraçaram cegamente essa ideia. Todavia, no modo de pensar judaico, continua não resolvida a questão de quando é que deve chegar o Messias há muito aguardado. Diz o Talmude: “Quando virdes uma geração sobrepujada por muitas dificuldades como se fosse por um rio, esperai [o Messias].” (Sanhedrin 98a) No entanto, o Messias judeu não veio durante a noite tenebrosa do Holocausto, nem veio durante o tumultuado nascimento do Estado de Yisra’el. As pessoas se admiram: ‘Que outras dificuldades têm o povo judeu ainda de enfrentar antes que o Messias venha?’ Em Busca do Messias Foi entre os judeus que nasceu e foi acalentada a esperança messiânica. Entre eles, tal esperança tornou-se tênue. Seu brilho quase que se extinguiu pelos séculos de sofrimento e desapontamento. Ironicamente, milhões entre as pessoas das nações, ou gentios, vieram a buscar e, por fim, a abraçar um Messias. Será por simples coincidência que Yeshayahu disse sobre o Messias: “A ele buscarão as nações [os gentios]”? (Yeshayahu 11:10) Não deveriam os judeus também buscar, eles mesmos, o Messias? Por que deveriam negar a si mesmos a sua esperança, há muito acalentada? É fútil, contudo, buscar um FUTURO Messias. Caso ele estivesse para chegar, como poderia firmar-se como um descendente legalmente comprovado do Rei David? Não foram os registros genealógicos destruídos junto com o segundo templo? Embora tais registros existissem nos dias de Yeshua, sua afirmação de ser um descendente legítimo de David nunca foi questionada com êxito. Poderia qualquer futuro pretendente a Messias apresentar, algum dia, tais credenciais? É preciso, portanto, buscar o Messias que já veio no PASSADO. Isto requer que se exerça novo enfoque sobre Yeshua, eliminando noções preconcebidas. Viverá nessa era messiânica? Maimônides aconselhou os judeus a simplesmente ‘esperarem a vinda do Messias’. Nossos tempos, contudo, são críticos demais para alguém correr o risco de ter perdido a volta dele. A inteira raça humana precisa desesperadamente dum Messias, de um libertador dos problemas que afligem este planeta. Por conseguinte, é tempo de buscá-lo – intensa e ativamente. Lembre-se de que buscar o Messias não é trair sua herança judaica, uma vez que a esperança messiânica é intrínseca ao judaísmo. E, por buscar o Messias, bem que poderá verificar que ele já veio. No entanto, os cristãos precisam cumprir o seu voto a Yawheh, e aplicar em suas vidas o conselho do Apóstolo Sha’ul, sem temer uma nova onda judaica de rejeição ao verdadeiro Messias! Em Atos 18:28 lemos: “Pois, em público e com grande determinação, ele provava plenamente que os judeus estavam errados, demonstrando-lhes pelas Escrituras que Yeshua é o Mashiach.” Esperamos com grande ansiedade que os Judeus se voltem a favor da verdadeira raiz da fé monoteísta.

terça-feira, 13 de junho de 2017

BRIT HADASHA E A TORÁ

A “Torá de YHWH”, dada por Ele na criação e mediada por anjos a todos os profetas, vem da palavra hebraica “Torá” que quer dizer “ensino ou instrução”. Veja a definição da Enciclopédia sobre isso: “Torá (do hebraico תּוֹרָה, significando instrução, apontamento, lei) é o nome dado aos cinco primeiros livros do Tanakh (também chamados de Hamisha Humshei Torá, חמשה חומשי תורה - as cinco partes da Torá) e que constituem o texto central do judaísmo. Contém os relatos sobre a criação do mundo, da origem da humanidade, do pacto de Avraham e seus filhos, e a libertação dos filhos de Yisra’el do Egito e sua peregrinação de quarenta anos até a terra prometida. Inclui também os mandamentos e leis que teriam sido dadas a Mosheh para que entregasse e ensinasse ao povo de Israel. Chamado também de Lei de Moisés (Tora Moshê, תּוֹרַת־מֹשֶׁה), hoje a maior parte dos estudiosos do Criticismo Superior são unânimes em concordar que Mosheh < não é o autor do texto que possuímos, mas sim que se trate de uma compilação posterior, enquanto os estudiosos do Criticismo Inferior acreditam que o texto foi escrito pelo próprio Moshê, incluindo as partes que falam sobre sua morte. Por vezes o termo "Torá" é usado dentro do judaísmo rabínico para designar todo o conjunto da tradição judaica, incluindo a Torá oral (ver Talmud) e os ensinamentos rabínicos. O cristianismo baseado na tradução grega Septuaginta também conhece a Torá como Pentateuco, que constitui os cinco primeiros livros da Bíblia judaica >”. A Brit Hadasha não nega a Torá. . .

1. A Torá é incrementada pelo âmago da Brit Hadashah no Messias. “Eis que dias vêm, diz o YHWH, em que farei a restauração da aliança com a casa de Yisra’el e com a casa de Yehuda. Não conforme a aliança que fiz com seus pais, no dia em que os tomei pela mão, para os tirar da terra do Egito; porque eles invalidaram a minha aliança apesar de eu os haver desposado, diz o YHVH. Mas esta é a aliança que farei com a casa de Israel depois daqueles dias, diz o Yawheh: Porei a minha Torá no seu interior, e a entalharei no seu coração; e Eu Serei o seu Elohim e eles serão o meu povo” (Jr 31:31-33). “E, ouvindo-o eles, engrandeceram ao YAHWH, e disseram-lhe: Bem vês, irmão, quantos milhares de judeus há que creem, e todos são zeladores da Torá” (At 21:20). 2. A Torá é perpétua ao longo da Brit Hadasha até o fim dos tempos. “Porque em verdade vos digo que, até que os céus e a terra passem, nem um jota ou um til se omitirá da Torá, sem que tudo seja cumprido” (Mt 5:18). 3. O Messias veio ensinar a Torá, não aboli-la. “Não cuideis que vim destruir a Torá ou os profetas: não vim ab-rogar, mas cumprir; qualquer, pois, que violar um destes mandamentos, por menor que seja, e assim ensinar aos homens, será chamado o menor no reino dos céus; aquele, porém, que os cumprir e ensinar será chamado grande no reino dos céus” (Mt 5:17, 19). 4. O enviado Sha´ul quis estabelecer a Torá, não aboli-la. “Anulamos, pois, a Torá pela confiança? De maneira nenhuma, antes estabelecemos a Torá” (Rm 3:31). 5. O Messias rejeitará qualquer um que trabalha contra a Torá. “Nem todo o que me diz: Senhor, Senhor! Entrará no reino dos céus, mas aquele que faz a vontade de meu Pai, que está nos céus. Muitos me dirão naquele dia: Senhor, Senhor, não profetizamos nós em teu nome? E em teu nome não expulsamos demônios? E em teu nome não fizemos muitas maravilhas? E então lhes direi abertamente: Nunca vos conheci; apartai-vos de mim, vós que praticais a iniquidade” (Mt 7:21-23). [Nota: A Versão King James (Inglês) diz "iniquity" [iniquidade em português] mas a palavra grega ali é anomia, significando “sem Torá”, “anti-Torá” ou "contra a Torá"]. 6. Sem o ensino da Torá nós não podemos saber o que IHVH considera ser pecado. “Qualquer que comete pecado, também comete iniquidade; porque o pecado é iniquidade” (I Jo 3:4). “Por isso nenhuma carne será justificada diante dele pelas obras da Torá, porque pela Torá vem o conhecimento do pecado” (Rm 3:20). “Que diremos pois? É a Torá pecado? De modo nenhum. Mas eu não conheci o pecado senão pela Torá; porque eu não conheceria a concupiscência, se a Torá não dissesse: Não cobiçarás” (Rm 7:7). 7. A Torá permanece santa, justa e boa. “E assim a Torá é santa, e o mandamento santo, justo e bom” (Rm 7:12). 8. A Torá é espiritual e só os espiritualmente perspicazes podem entender isto. “Porque bem sabemos que a Torá é espiritual; mas eu sou carnal, vendido sob o pecado” (Rm 7:14). “Ora, o homem natural não compreende as coisas do Ruach HaKodesh (Espirito Elohim), porque lhe parecem loucura; e não pode entendê-las, porque elas se discernem espiritualmente” (I Co 2:14). 9. A Torá é a instrução válida sob a Brit Hadasha. “Ele (o Messias), porém, respondendo, disse: Está escrito: Nem só de pão viverá o homem, mas de toda a palavra que sai da boca de Elohim ” (Mt 4:4). “Toda a Escritura é divinamente inspirada, e proveitosa para ensinar, para redarguir, para corrigir, para instruir em justiça” (II Tm 3:16). [Nota: Os crentes da Brit Hadasha tiveram só a Torá e os profetas como a sua “Escritura” ]. 10. Estar “debaixo do favor imerecido ” não significa que nós rejeitamos a Torá. “Pois que? Pecaremos porque não estamos debaixo da Torá, mas debaixo do favor imerecido? De modo nenhum” (Rm 6:15). [Nota: a declaração de Paulo (Shaul) “Porque o pecado não terá domínio sobre vós, pois não estais debaixo da Torá, mas debaixo do favor” (Rm 6:14), é um dos versículos que a maioria entendeu mal no Brit Hadasha. Não estando "debaixo da Torá" não significa nós podemos rejeitar ou podemos desobedecer a Torá. A ideia é de uma perspectiva. A Torá deve estar em nós em vez de sobre nós. Isso significa que a Torá é ensinada a nós pelo Espírito em vez de posta sobre nós. Nós estamos debaixo do favor imerecido que é o poder para não pecar ou "transgredir a Torá". Em vez da Torá nos levar para fora (e longe), ela opera em nós através Espírito desse favor. Por isto Paulo diz, “De modo nenhum. Nós, que estamos mortos para o pecado, como viveremos ainda nele?” (Rm 6:2). E João/ Yochanan diz, “Qualquer que é nascido de Elohim não comete pecado; porque a sua semente permanece nele; e não pode pecar, porque é nascido de Yahwh. Nisto são manifestos os filhos de Elohim, e os filhos do diabo/ Hasatan. Qualquer que não pratica a justiça, e não ama a seu irmão, não é de Yahwh” (I Jo 3:9-10). 11. A Torá não é suficiente justificar (salvar) uma pessoa. “E de tudo o que, pela Torá de Moisés, não pudestes ser justificados, por ele é justificado todo aquele que crê” (At 13:39). “Por isso nenhuma carne será justificada diante dele pelas obras da Torá, porque pela Torá vem o conhecimento do pecado” (Rm 3:20). “Pois, se nós, que procuramos ser justificados no Mashiach, nós mesmos também somos achados pecadores, é porventura HaMashiach ministro do pecado? De maneira nenhuma” (Gl 2:17). [Nota: A inabilidade da Torá para justificar (Salvar) uma pessoa não nega a verdade da Torá. É a Torá que exige que nós tenhamos um sacrifício pelo pecado. A fé/ Emunah na justificação que passa pelo sacrifício do Messias é uma obediência a Torá. "Você deve nascer de novo"; esta é em sua essência uma ordem. ] 12. O enviado Sha´ul viveu e ensinou a Torá. “E Paulo, ficando ainda ali muitos dias, despediu-se dos irmãos, e dali navegou para a Síria, e com ele Priscila e Áqüila, tendo rapado a cabeça em Cencréia, porque tinha voto” (At 18:18). Veja Números 6:5. “Honra a teu pai e a tua mãe, que é o primeiro mandamento com promessa” (Ef 6:2). “Porque na Torá de Moisés está escrito: Não atarás a boca ao boi que trilha o grão. Porventura tem Elohim cuidado dos bois? ” (I Co 9:9) “Mas confesso-te isto que, conforme aquele caminho que chamam seita, assim sirvo ao Elohim de nossos pais, crendo tudo quanto está escrito na Torá e nos profetas” (At 24:14). “Alimpai-vos, pois, do fermento velho, para que sejais uma nova massa, assim como estais sem fermento. Porque o Ungido/ Mashiach, nossa páscoa, foi sacrificado por nós. Por isso façamos a festa, não com o fermento velho, nem com o fermento da maldade e da malícia, mas com os ázimos da sinceridade e da verdade” (I Co 5:7-8). “Sabemos, porém, que a Torá é boa, se alguém dela usa legitimamente; sabendo isto, que a Torá não é feita para o justo, mas para os injustos e obstinados, para os ímpios e pecadores, para os profanos e irreligiosos, para os parricidas e matricidas, para os homicidas, para os devassos, para os sodomitas, para os roubadores de homens, para os mentirosos, para os perjuros, e para o que for contrário à sã doutrina” (I Tm 1:8-10). 13. O Crente deve Manter a Torá. “E ele é a propiciação pelos nossos pecados, e não somente pelos nossos, mas também pelos de todo o mundo. E nisto sabemos que o conhecemos: se guardarmos os seus mandamentos. Aquele que diz: Eu conheço-o, e não guarda os seus mandamentos, é mentiroso, e nele não está a verdade. Irmãos, não vos escrevo mandamento novo, mas o mandamento antigo, que desde o princípio tivestes. Este mandamento antigo é a palavra que desde o princípio ouvistes” (I Jo 2:2-5). Veja I Yochanan 5:2,3. “o dragão irou-se contra a mulher, e foi fazer guerra ao remanescente da sua semente, os que guardam os mandamentos de Elohim, e têm o testemunho de Yeshua o Ungido/ Mashiach ” (Ap 12:17). “Aqui está a paciência dos santos; aqui estão os que guardam os mandamentos de Yahwh e a fé/confiança em Yeshua” (Ap 14:12).

sexta-feira, 10 de fevereiro de 2017

As 10 Emanações do Eterno

AS DEZ EMANAÇÕES DE DEUS 01 = LUZ, OU ILUMINAÇÃO, COROA, CONHECIMENTO (Keter) ("Coroa" em hebreu:???) também conhecido como Kether, é o mais alto das Sephirot da Árvore de Vida em Kabbalah. Se o seus ignificado é "coroa", é interpretado como ambos o "o mais alto" do Sephirot e "coroa real" do Sephirot. Está entre Chokmah e Binah (com Chokmah à direita e Binah na esquerda) e senta sobre Tiphereth. É normalmente definido três caminhos, para Chokmah, Tiphereth, e Binah. 02 = SABEDORIA (Chokmah) Se não há no topo da coluna direita. É uma sabedoria é o salto quântico da intuição, que deriva como manifestações artísticas. Analogamente, é o lado direito do cérebro, flui a criatividade e o mundo das ideias. Possui energia do fogo, associada a masculinidade e também representar o passado. 03 = ENTENDIMENTO (BInah) Não se encontra na mesa da esquerda. ÉO entendimento. É uma lógica quedá definição à inspiração Energia ao movimento Analogamente, é o lado esquerdo cérebro, onde funciona uma razão, organizando o pensamento em algo concreto . Possui a energia da água Associada à feminilidade e também representar o futuro. 04 = COMPAIXÃO (Chesed) A palavra hebraica utilizada no Antigo Testamento é Hesed. Tem (principalmente) dois significados: um mais legalista no sentido de "cumprir aquilo que foi acordado" ou dar ao outro aquilo que é devido segundo o tratado acordado; Num segundo sentido, mais intuitivo, espiritual, assume o significado de ação grátis e espontâneo de bondade e amor. 05 = ATITUDE (Geburah) Geburah se situa abaixo de BInah. É julgamento. Representar o desejo de contenção e de questionador de impulsos. Canaliza sua energia por meio de objetivos, com o intuito de superar obstáculos e transformar a própria natureza. 06 = BELEZA (Tipareth) É o centro da árvore e se situa abaixo e entre Chesed e Geburah. É uma beleza Junto com Chesed e Gevurah forma uma tríade superior, criando harmonia. Transforma em beleza Chokmah, BInah e Kether. A sabedoria e o entendimento, com uma luz do conhecimento. 07 = FORÇA (Netzach) Se situa abaixo de Chesed. É uma vitória. Existe uma vontade de reciprocidade, uma busca pelo próximo e superação dos próprios rios limites, propagando o pensamento e terno. Funciona como o Princípio fertilizador do espermatozoide masculino. 08 = ESPLENDOR (Hod) Se situa abaixo de Geburah. É esplendor. Um canal de aprimoramento interno, de identificação com próximo, sendo uma forma de aceitação do pensamento, de reconhecimento. Funciona Como o princípio receptivo do óvulo feminino. 09 = RACIOCINIO (Yesod) Se situa abaixo e entre NetzaCh e Hod. É o fundamento. Funciona como Um reservatório onde todas as inteligências emanam seus atributos que são misturados, equilibrados e preparados para Uma revelação material. É compilação das oito emanações. 10 = PODER (Malcuth) Se situa na posição central inferior da árvore. É o reino Representa o mundo físico, onde é revelado o material compilado das oito Emanações. É o canal da manifestação, desejando uma recepção das sephiroth. É a distância de Kether que provoca esse desejo, criando uma sensação de falta.

quinta-feira, 11 de agosto de 2016

ERA O VERBO UM DEUS? – ANÁLISE DE JOÃO 1:1 A PARTIR DA TEORIA DA RELEVÂNCIA

Resumo:Uma das grandes questões na teoria da tradução diz respeito ao nível de interferência permissível ao tradutor na busca de melhor esclarecer ao leitor do texto traduzido as nuances, conflitos, perturbações e até ambiguidades possivelmente existentes no texto original. Já ao crítico da tradução cabe procurar identificar, ao confrontar texto original e texto traduzido, o quanto o primeiro foi alterado, suavizado, explicado, interpretado, etc. pelo tradutor e, se possível, os motivos que o levaram a isso. Este trabalho, a partir de uma das passagens mais polêmicas na tradução do Novo Testamento da Bíblia (o primeiro versículo do primeiro capítulo do Evangelho de João), procura identificar um campo de aplicação para a teoria da relevância de Sperber e Wilson, concebendo-a como uma ferramenta de auxílio tanto ao tradutor quanto ao crítico da tradução. Palavras-chave: pragmática; teoria da relevância; tradução; criticada tradução. ________________________________________________________________________________________________________________________________________________ 1 UMA QUERELA ANTIGA Era o Verbo um deus? Uma grande maioria prefere “o Verbo era Deus”, enquanto que outros sugerem “o Verbo era divino”. Esta é uma querela que já dura dois mil anos e originou-se com João, um dos doze apóstolos de Jesus de Nazaré. Esse fragmento original em grego compõe o primeiro versículo do primeiro capítulo de seu evangelho (João 1:1) e é um desses casos notáveis de problemas de compreensão que se reflete na tradução. Apesar de sua simplicidade literária e gramatical, deu origem a uma das primeiras dissensões no cristianismo, o arianismo, e foi responsável pelo Concílio de Nicéia em 325 d.C.. Neste trabalho, partindo do texto grego original, analisarei essa passagem bíblica à luz da teoria da relevância, com o propósito de avaliar as potencialidades dessa teoria na tradução e na crítica da tradução. Inicialmente, analisarei cada um dos elementos que compõem o processo cognitivo denominado de relevância para, em seguida, fazer a aplicação prática no texto de João. _______________________________________________________________________________________________________________________________________________ Era o verbo um Deus?... Linguagem em (Dis)curso - LemD, Tubarão, v. 5, n. esp., p. 83-111, 2005 2 RELEVÂNCIA Relevância é uma palavra usual nas línguas latinas,assim como no inglês: relevance, que a adotou do latim medieval. Seu significado está associado com o de realce, saliência, relevo, grau de valor ou de importância e tem como sinônimo a palavra pertinência. Sperber e Wilson, cientes dos significados já estabelecidos na língua inglesa para relevance, ao adotá-la, necessitaram estabelecer um significado técnico específico para ela. Antes de embarcarmos neste projeto, gostaríamos de tornar claro o que estamos tentando fazer e o que não estamos. Não estamos procurando definir a popular palavra inglesa ‘relevance’. ‘Relevance’ é um termo difuso, utilizado de maneiras diferentes por diferentes pessoas, ou pelas mesmas pessoas em diferentes momentos. Ela não tem um correspondente em algumas línguas. Não há motivos para acharmos que uma análise semântica apropriada da palavra inglesa ‘relevance’ também consiga caracterizar um conceito da psicologia científica. Cremos, no entanto, que a psicologia científica precisa de um conceito bastante próximo da noção de relevância na linguagem popular; em outras palavras, acreditamos que existe uma importante propriedade psicológica – uma propriedade dos processos mentais – que a noçãopopular de relevância se aproxima razoavelmente e que, portanto, torna-seapropriado denominála também de relevância, utilizando agora o termo num sentido técnico. O que estamos procurando fazer é descrever esta propriedade: isto é, definir relevância como um conceito teórico útil. Assumimos que as pessoas possuem intuições de relevância: que elas conseguem distinguir, de forma consistente, uma informação relevante de outra irrelevante ou, em alguns casos, uma informação mais relevante de outra menos relevante. O fato de existir, na linguagem popular, uma noção de relevância com um significado difuso e variável,resulta mais em um inconveniente do que em uma ajuda. (2003, p. 119 (190-191)) 1 __________________________________________________________________________________________________________________________________________ A citação, embora longa, ilustra bem o que vem acontecendo com freqüência na lingüística: a criação de novos conce itos teóricos e suas identificações mediante palavras já existentes, cuj o significado popular se aproxima imperfeitamente do novo conceito teórico. No caso particular da teoria da relevância, o problema de significado não se limita à palavra relevância. Ele se estende também para outras palavras utilizadas na própria conceituação técnica de relevância , como: estímulo ostensivo, ambiente cognitivo e efeito contextual (cognitivo). Embora, neste artigo, eu trabalhe com o conceito derelevância de acordo com os trabalhos de Sperber e Wilson e explore suas aplicações na crítica da tradução – translation criticism, o foco de minha análise se centrará no processo cognitivo inferencial explicado pela teoria. Para isso, faz-se necessário um entendimento dos conceitos atribuídos para as palavras-chave vistas acima, que descrevem este processo. A partir dos significados estabelecidos para cada uma delas, descreverei esse processo inferencial, visando a sua aplicação em análises textuais, tais como as que ocorrem nos processos de tradução e de crítica da tradução. 2.1 Estímulo ostensivo No livro Relevance: communication & cognition, Sperber e Wilson encerram o capítulo 1 com a definição de comunicação inferencial ostensiva: Comunicação inferencial ostensiva: o comunicador produz um estímulo que torna mutuamente manifesto para o comunicador ea audiência aquilo que o comunicador pretende, ou seja, tornar manifesto ou mais manifesto para a audiência, por meio deste estímulo, um conjunto de suposições I. (2003, p. 63 (112)) Essa definição é retomada no capítulo 3 para desenvolver o princípio da relevância e de presunção de relevância ótima: Presunção de relevância ótima: (a) O conjunto de intenções Ique o comunicador tenciona tornar manifesto ao destinatário é suficientemente relevante para fazer com o que o destinatário julgue valer a pena processar o estímulo ostensivo. _________________________________________________________________________________________________________________________________________ Era o verbo um Deus?... Linguagem em (Dis)curso - LemD, Tubarão, v. 5, n. esp., p. 83-111, 2005 (b) O estímulo ostensivo é o mais relevante que o comunicador podia utilizar para comunicar I. (2003, p.157 (242)) Como informação complementar, devo adicionar que essa definição de presunção de relevância ótima, apresentada por Sperber e Wilson na edição de 1986 e 1995, foi revisada no Postface publicado no final da edição de 1995 e que reproduzo a seguir: Presunção de relevância ótima(revisada) (a) O estímulo ostensivo é suficientemente relevante para justificar o esforço do destinatário para processá-lo. (b) O estímulo ostensivo é o mais relevante e compatível com as habilidades e preferências do comunicador. (2003, p. 270) 2 O termo estímulo, por sua vez, carrega um sentido técnico estabelecido derivado da psicologia comportamental. Sua utilização consagrada pelo behaviorismo pode, inclusive, causar estranheza ao se associar a uma teoria cognitivista. Segundo o Webster’s New World College Dictionary, a palavra estímulo significa “alguma coisa que desperta ou incita à ação ou a um aumento de ação”. O mesmo dicionário apresenta uma definição particularizada pela psicologia: “qualquer ação ou agente que cause ou mude uma atividade em um organismo, órgão, ou parte, como alguma coisa que excite um órgão final, inicie um impulso nervoso, ative um músculo, etc.”. A comparação entre as duas definições é fundamental para a compreensão correta da palavra estímulo. Na primeira, temos simplesmente um princípio universal que se aplica tanto ao comportamento humano como à física. Um estímulo produz uma resposta, assim como para toda ação existe uma reação. Porém, o que a psicologia behaviorista fez foi, a partir da Lei do Efeito , condicionar comportamentos a partir de estímulos repetitivos (GOULART, 1987, p. 48). Uma simples redução da realidade psicológica. Sem o reducionismo de condicionamento do comportamento, Sperber e Wilson utilizam estímulo no sentido psicológico. Isso fica bem claro na seguinte passagem. _______________________________________________________________________________________________________________________________________ Os psicólogos utilizam o termo ‘estímulo’ para qualquer modificação provocada no ambiente físico com a finalidade de ser percebida. Faremos o mesmo. Um enunciado no sentido usual é, naturalmente, um caso especial de estímulo. Diremos, então, que comunicação envolve a produção de um determinado estímulo com as seguintes intenções: Intenção informativa: informar ao destinatário a respeito de alguma coisa; Intenção comunicativa: informar ao destinatário de uma intenção informativa. (2003, p. 29 (65)) Vejamos agora o significado para ostensivo. De acordo com o Webster’s New World College Dictionary, a palavra inglesa ostensiveorigina-se do francês ostensif e significa “apontando diretamente para fora, clar amente demonstrativo”. Para Sperber e Wilson, no entanto, ostensivotem um significado um pouco mais elaborado. [...] Então o comportamento de Pedro tornou manifesto à Maria que ele tenciona tornar-lhe manifestas algumas suposições d eterminadas. Denominaremos este comportamento – um comportamento que torna manifesto uma intenção de tornar alguma coisa manifesta – comportamento ostensivo, ou simplesmente ostensão. Mostrar alguma coisa a alguém é um caso de ostensão. Da mesma forma, afirmamos, é uma comunicação intencional. (2003, p. 44 (93)) Do comentário acima, concluímos que ostensão, segundo a teoria da relevância, é um comportamento que tem por objetivo chamar a atenção de alguém para uma intenção que se deseja tornar manifesta. Mais adiante, Sperber e Wilson declaram: Um ato de comunicação para ser bem sucedido deve atrair a atenção da audiência. Neste sentido, um ato de ostensão é um pedido de atenção. (2003, p. 155 (239)) Compreendido o sentido dado para ostensivo na teoria da relevância, necessitamos associá-lo a estímulo para podermos ter a realização do ato ostensivo. Conseqüentemente, estímulo ostensivo é um ato (físico: gestual, oral ou escrito) com a intenção de provocar a atenção no destinatário para uma intenção comunicativa por parte da pessoa que oproduziu. Nesse sentido, 88 Era o verbo um Deus?... Linguagem em (Dis)curso - LemD, Tubarão, v. 5, n. esp., p. 83-111, 2005 podemos entender estímulo ostensivo como um fenômeno ou perturbação em um determinado ambiente, que produz uma reação de modo a satisfazer duas condições: (a) atrair a atenção e (b) focalizar a intenção contida no estímulo. Robyn Carston elaborou um pequeno glossário da teoria da relevância em seu livro Thoughts and utterances e define o verbete ostensive phenomenon da seguinte maneira: fenômeno ostensivo:um estímulo ou comportamento que torna manifesta uma intenção de tornar uma suposição, ou suposições, manifesta; isto é, um comportamento suportado por uma ‘intenção comunicativa’. (2002, p. 378) Em trabalho mais recente, Wilson e Sperber (2004, p. 607-632) 3 definem mais objetivamente estímulo ostensivo como um fenômeno (olhar, gesto, som, enunciado verbal ou escrito) realizado para atrair a atenção de uma audiência e focalizando-a no significado do comunicador. ______________________________________________________________________________________________________________________________________ Ambiente cognitivo Embora o conceito de ambiente cognitivo seja essenc ial para a compreensão da teoria da relevância, tem sido um conceito mais utilizado do que explicado. Sperber e Wilson, Carston e Blakemore são lacônicos quando se referem a ele. · “Um ambiente cognitivo de um indivíduo é um conjunto de fatos que lhe são manifestos”. (SPERBER e WILSON, 2003, p. 39 (80)) · “Ambiente cognitivo (de um indivíduo): o conjunto de suposições que são manifestas a um indivíduo em um determinado momento”. (CARSTON, 2003, p. 376) · “De acordo com Sperber e Wilson, denominamos de ambiente cognitivo o conjunto de suposições que você consegue formar” . (BLAKEMORE, 1992, p. 28) Ernst-August Gutt é quem torna as coisas um pouco mais claras quando, a partir do conceito de contexto de Sperber e Wilson, amplia a noção de ambiente cognitivo. ____________________________________________________________________________________________________________________________________ Antes de continuar a discussão sobre relevância e efeitos contextuais, necessitamos deixar claro o que entendemos por contexto, que é uma palavra utilizada com diferentes significados por diferentes pessoas. Na teoria da relevância, contexto é entendido como “o conjunto de premissas utilizadas na interpretação de um enunciado” (Sperber e Wilson1986a:15). Como tal, ele é, na teoria da relevância, uma noção psicológica: refere-se a um subconjunto das crenças do ouvinte a respeito de mu ndo – mais precisamente, refere-se a uma parte do ambiente cognitivo do ouvinte. O ambiente cognitivo é uma noção bastante compreensiva: o ambiente de um indivíduo consiste em todos os fatos que um indivíduo é capaz de representar em sua mente e de aceitá-las como verdade ou prováveis verdades. A fonte desta informação pode ser a percepção (visão, audição, etc.) memória, ou inferência, que pode fazer uso das informações das outras duas fontes. (1992, p. 22) Finalmente, para completar o quadro relativo ao ambiente cognitivo, necessito acrescentar a idéia, utilizada por Sperber e Wilson, de fato manifesto. Um fato é manifesto a um indivíduo em um determinado momento se e somente se ele for capaz, neste momento, de representá-lo mentalmente e aceitar esta representação como verdade ou provávelverdade. [...] Ser manifesto, então, é ser perceptível ou inferenciável. O ambiente cognitivo total é o conjunto de todos os fatos que um indivíduo pode perceber ou inferir: todos os fatos que lhe são manifestos. Um ambiente cognitivo total de um indivíduo é uma função de seu ambiente físico e suas capacidades cognitivas. Ele consiste não somente de todos os fatos de que ele tem consciência, mas também de todos os fatos de que poderá tomar consciência em seu ambiente físico. A consciência real dos fatos pelo indivíduo, isto é, o conhecimento que já está adquirido, naturalmente contribui para sua capacidade de tomar consciência de fatos adicionais. A informação memorizada, naturalmente, é um componente das capacidades cognitivas. (2003, p. 39 (79-80)) Podemos, agora, estabelecer nosso próprio quadro de ambiente cognitivo, destacando alguns de seus principais elementos constitutivos. Temos o contexto como uma de suas partes fundamentais, visto que dele se derivam as implicaturas. Por contexto, entendem-se todas as informações acessíveis a 90 Era o verbo um Deus?... Linguagem em (Dis)curso - LemD, Tubarão, v. 5, n. esp., p. 83-111, 2005 uma pessoa, incluindo informações sócio-culturais, históricas, situacionais, crenças, visões de mundo, etc. (ibidem , p. 15-16 (45-46)). Temos ainda, segundo Sperber e Wilson, a capacidade cognitiva de fazer inferências e deduções a partir do conhecimento. Podemos acrescentar, para completar o quadro, a capacidade de processar informações, a memória e os mecanismos cognitivos como os da teoria dos esquemas. __________________________________________________________________________________________________________________________________________ 2.3 Efeito contextual Iniciarei a análise de efeito contextual, partindo da definição dada por Carston em seu Glossário da teoria da relevância: Efeitos contextuais: o resultado de uma frutífera (isto é, relevante) interação entre um estímulo perturbador e um subconjunto de suposições já existentes no sistema cognitivo; existem três tipos principais de efeitos contextuais (cognitivos): suporte e fortalecimento de suposições existentes, contradição e eliminação de suposições, combinações inferenciais de forma a produzir novas conclusões. (2002, p. 377) O efeito contextual é, portanto, o resultado de uma operação cognitiva com base em uma interação ou perturbação ocorrida no ambiente cognitivo do receptor (destinatário, leitor, espectador). Essa perturbação nada mais é do que uma resposta a um enunciado atuando como estímulo. Esse mesmo enunciado pode perturbar o ambiente cognitivo anterior de três maneiras. Se houver uma combinação de informações novas com as existentes no ambiente cognitivo, mediante um processo inferencial, result ará em um novo conhecimento, levando o destinatário de um estado conhecido para um estado até então desconhecido. Se a informação proveniente do estímulo for conhecida, ela fortalecerá o conhecimento prévio do indivíduo. Por fim, se a informação proveniente do estímulo contradisser um conhecimento prévio poderá resultar em anulação ou apagamento de suposições. Esse é o entendimento expresso por Gutt: Tecnicamente, modificações no contexto são referidas como efeitos contextuais, e estes podem ser de três tipos: eles podem consistir na derivação de implicações contextuais, no fortalecimento, ou confirmação, Linguagem em (Dis)curso - LemD, Tubarão, v. 5, n. esp., p. 83-111, 2005 de suposições já existentes, ou na eliminação de suposições devido a uma contradição. (2000, p. 29) Ainda sobre efeitos contextuais, há um ponto fundamental para o qual Sperber e Wilson chamam a atenção: O tipo de efeito em que estamos interessados é o resultado da interação entre uma informação nova e outra antiga. Este tipo de efeito já foi discutido. Implicações contextuais são efeitos contextuais: eles resultam de uma interação crucial entre informações novas e antigas funcionando como premissas numa implicação sintética. (2003, p. 109 (175)) O que Sperber e Wilson estão procurando destacar nesse comentário é que um enunciado ou informação, para produzir efeitos contextuais em um ambiente cognitivo, tem de ter alguma relação com as informações nele existentes. Conforme mostrarei mais adiante, tem de ser relevante. Adicionalmente, uma informação nova que apenas duplica uma existente, ou não possui com essa informação existente qualquer relação, não produz efeitos contextuais. Ou seja, essa informação nova não tem efeito sobre o ambiente cognitivo; não o perturba, não o modifica, não o aperfeiçoa, simplesmente por não haver interação. _________________________________________________________________________________________________________________________________________ Juntando tudo I Após ter examinado, em separado, três elementos fundamentais para a teoria da relevância ( estímulo ostensivo, ambiente cognitivo e efeitos contextuais), chego ao momento de reuni-los para entendermos como se relacionam. Primeiramente, convém repetir, efeitos contextuais são resultados não somente do estímulo ostensivo, ou do ambiente cognitivo, mas da combinação de ambos, conforme indica Gutt: Um efeito contextual é uma modificação do ambiente cognitivo de alguém e que não teria sido conseguido apenas pelo estímulo, nem pelo contexto sozinho, mas somente pela combinação inferencial de ambos. (1992, p. 22) 92 Era o verbo um Deus?... Linguagem em (Dis)curso - LemD, Tubarão, v. 5, n. esp., p. 83-111, 2005 Temos, então, um enunciado que se manifesta como um estímulo ostensivo e atua sobre um ambiente cognitivo, produzindo efeitos contextuais mediante a interação entre ambos (estímulo e ambiente cognitivo). A compreensão dessa asserção deve estar clara, a esta altura, devido às explicações anteriores dos três elementos em que ela se fundamenta. Porém, a razão dessas explicações não foi apenas para tornar esta declaração inteligível, embora esta tenha sido uma delas, mas de fornecer um fundamento para o entendimento de como funciona a relevância, segundo a teoria de Sperber e Wilson. ______________________________________________________________________________________________________________________________________ Primeiramente, os dois autores partem do efeito contextual para caracterizar o conceito de relevância. Para eles, relevância é uma propriedade psicológica inata – uma propriedade dos processos mentais – e responsável pelos efeitos contextuais. As pessoas tendem a prestar atenção aos fenômenos que são relevantes (produzem efeitos contextuais) e os processam de forma a maximizar essa relevância. Em segundo lugar, o que não é relevante não produz efeitos contextuais por não interagir com o ambiente cognitivo. Dito de outra maneira, para se ter algum efeito contextual dentro de um contexto, necessitase que o estímulo esteja associado com algo relevante. Desse raciocínio, resulta o princípio embrionário de relevância: Uma suposição é relevante em um contexto se e somente se ela produz algum efeito contextual neste contexto. (2003, p. 122 (194)) Esta definição básica é desenvolvida e ampliada para relevância ótima em que todo estímulo ostensivo pressupõe uma relevância, resultando no princípio da relevância: Princípio da relevância Todo ato de comunicação ostensiva comunica a presunção de sua própria relevância ótima. (2003, p. 158 (242)) Porém, o que mais nos interessa neste trabalho é o aperfeiçoamento do princípio embrionário que relaciona relevância com contexto. Este aperfeiçoamento se dá pela associação com o conceito de produtividade. Este conceito, fundamental no mundo empresarial, inerente às nossas características biológicas e cognitivas, auxilia a entender relevância como algo relativo, pois conforme reconhecem Sperber e Wilson, “relevância é uma questão de grau” ______________________________________________________________________________________________________________________________________ O princípio de produtividade nos ensina que em qualquer processo, seja mental ou físico, sempre tendemos a obter o máximo de resultado com o mínimo de esforço. Da mesma forma, no processo mental de produzirem-se efeitos contextuais, devido à interação de um estímulo em um ambiente cognitivo, busca-se maximizar a relevância procurando-se obtero maior número de efeitos contextuais com o menor esforço possível. Chegamos, assim, acredito, a um ponto em que se torna fácil compreender o que Sperber e Wilson querem dizer com princípio da relevância conforme definido no Postface da segunda edição de livro Relevance e denominado de primeiro princípio de relevância (um princípio cognitivo). 4 Relevância para um indivíduo(comparativa) Condição de extensão 1: Uma suposição é relevante para um indivíduo na medida em que forem grandes os efeitos cognitivos positivos conseguidos quando é processada otimamente. Condição de extensão 2: Uma suposição é relevante para um indivíduo na medida em que os esforço para atingir esse efeito cognitivo seja pequeno. (2003, p. 265-266) 5 Resumindo, um estímulo ostensivo, pressupondo um conjunto de suposições I relevantes, interage com o ambiente cognitivo do destinatário e resulta em um número de efeitos contextuais tanto maior quanto maior for sua relevância. O processamento é maximizado quando produz o maior número possível de efeitos contextuais, com o menor esforço despendido. Na seqüência, procurarei ilustrar de forma prática os conceitos associados com a teoria da relevância. Para isso utilizarei, conforme estabelecido no início deste trabalho, o texto de João 1:1 do Novo Testamento, por tratar-se de um texto polêmico quanto a sua tradução. _____________________________________________________________________________________________________________________________________ (A alteração, em relação ao texto inicial é mais determinologia e não é substancial. Nota-se um cuidado em diferenciar-se princípio cognitivo de princípio comunicativo, dividindo-se o princípio da relevância em dois. O primeiro princípio é cognitivo, enquanto que o segundo é comunicativo. Na primeira edição não havia essa distinção. O que de fato ocorre no Postface é a renomeação de Relevância de um fenômeno (comparativa) para Primeiro Princípio da Relevância e denominado de Relevância para um indivíduo (comparativa). O que foi denominado de Princípio da Relevância na edição de 1986, passou a ser o Segundo Princípio da Relevânciano Postface de 1995 e renomeado para Presunção de relevância ótima (revisado). Trata-se, de um modo geral, de modificações ceteris paribus. O Postface não foi incluído na edição portuguesa. Sua traduçãocompõe este número especial de Linguagem em (Dis)curso.) __________________________________________________________________________________________________ Era o verbo um Deus?... Linguagem em (Dis)curso - LemD, Tubarão, v. 5, n. esp., p. 83-111, 2005 3 O TEXTO DE JOÃO 1:1 O texto que utilizarei para exemplificar os vários conceitos envolvidos na teoria da relevância é o início do Evangelho de João, parte do Novo Testamento da Bíblia, identificado como João 1:1. Os quatro Evangelhos do Novo Testamento (Mateus, Marcos, Lucas e João), escritos no primeiro século de nossa era, são descritos como um tipo de forma literária por Arthur G. Patzia. Muito poucos duvidam que os evangelistas foram influenciados pelas convenções literárias de seus dias ou que determinadas características da literatura antiga ajuda-nos a entender mais claramente a natureza dosEvangelhos. Porém as diferenças significativas têm levado muitos eruditos contemporâneos a caracterizar os Evangelhos como um “subgênero”, “subtipo” ou “subgrupo” das formas literárias antigas. Como tal, eles constituem um di stinto – mas não único – gênero entre os escritos antigos. Eles poderiam ser descritos como “manuais teológicos” ou “biografias teológicas”. (1995, p. 58) João, à maneira de Mateus, Marcos e Lucas, escreve sobre Jesus de Nazaré, relatando parte de sua vida na Judéia e seus ensinamentos. Porém, o propósito especial desses quatro relatos é o de fortalecer a imagem de Jesus como o Messias esperado pelos judeus, como filho de Deus e salvador da humanidade. Tal mensagem foi dirigida não somente aos judeus, mas também às demais nações. Para isso, todos os livros que compõem o Novo Testamento estão escritos em grego koine. Na época, o grego koine desempenhava um papel de língua franca, semelhante ao papel do inglês dos dias atuais. A seguir, apresento o primeiro versículo do Evangelho de João no original grego, A tradução interlinear é importante em um trabalho de crítica da tradução porque permite ao leitor enxergar a palavra original que está por trás da palavra inserida na tradução (BeDUHN, 2003, p. 12). Para o tradutor, o exegeta e o crítico de tradução, as traduções interlineares editadas têm sido uma excelente ferramenta de trabalho. Acompanhando cada palavra grega original, inseri a correspondente transliteração para caracteres latinos como auxílio para os leitores não familiarizados com o grego. ______________________________________________________________________________________________________________________________________ Uma palavra adicional. Na tradução interlinear do grego, costuma-se: traduzir todos os artigos definidos, mantendo-os na tradução (devido às particularidades da língua grega quanto a utilização do artigo definido); não adicionar artigos indefinidos, a não ser quando acompanhados de algum sinal indicativo de inserção como colchetes ou parênteses (não existe artigo indefinido no grego); e, ignorar determinadas partículas por não possuírem equivalentes em línguas como o inglês, português, francês, etc. (por exemplo, o par me... de). Já na tradução normal, exige-se uma habilidade lingüística e textual do tradutor para saber quando eliminar artigos definidos e quando inserir artigos indefinidos. É aqui que reside o perigo. ______________________________________________________________________________________________________________________________________ Era o verbo um Deus?... Linguagem em (Dis)curso - LemD, Tubarão, v. 5, n. esp., p. 83-111, 2005 Nas minhas duas traduções pessoais, para o português e latim, preferi manter todas as palavras em letras minúsculas, inclusive deus. Na época em que os originais foram escritos e conforme atestado pelos manuscritos existentes, não havia tal diferenciação na língua grega escrita. Os textos gregos eram escritos utilizando-se somente maiúsculas (chamada de escrita uncial) e sem separação entre as palavras. Somente alguns séculos mais tarde introduziram-se as minúsculas, 9 a separação entre palavras e a prática de iniciar algumas palavras por letra maiúscula. A rigor, a introdução de maiúsculas na tradução interlinear corresponde a uma determinação a priori de interpretação do tradutor, em detrimento da integridade do original que não apresenta tal diferenciação. Além do texto original em grego e de algumas traduções interlineares, incluo, a seguir, algumas de suas traduções publicadas em diferentes traduções da Bíblia, com indicação da fonte correspondente. Estas traduções apresentam as necessárias adequações sintáticas e de equivalência textual, além de, em alguns casos, a tendenciosidade do tradutor. 10 (1) In principio erat Verbum et Verbum erat apud Deum et Deus erat Verbum. (2) No princípio era o Verbo, e o Verbo estava com Deus, e o Verbo era Deus. (3) No princípio era a Palavra, e a Palavra estava com Deus, e a Palavra era Deus. (4) No princípio era a Palavra, e a Palavra estava com o Deus, e a Palavra era [um] deus. _________________________________________________________________________________________________________________________________________ O estímulo ostensivo em João 1:1 Enquanto que nos outros três evangelhos seus autores (Mateus, Marcos e Lucas) procuram apresentar evidências de que Jesus de Nazaré é o Messias, estabelecendo sua genealogia até Davi, João surpreende pela ausência dessa genealogia e pela forma com que inicia seu evangelho. Suas primeiras palavras não apresentam Jesus como Messias, nem como herdeiro do trono de Davi, ou cordeiro de Deus, todas elas expressões semíticas com que os judeus estavam familiarizados a partir da Torah e de todo o Velho Testamento. Jesus é apresentado como ho logos ( o| lo qeo>j h#n o| lo qeo>j h#n o| lo

quinta-feira, 4 de agosto de 2016

As armas de satanás para enganar o mundo nos últimos dias! (Projeto Blue beam).

Texto de referencia: Mattityahu (Mateus) 24: 27 – 44 Introdução: Existe um projeto da NASA que visa enganar toda humanidade e inclusive a igreja que deveria influenciar o mundo. O projeto Blue Beam, é um projeto diabólico que simulará a volta do Salvador com imagens holográficas transmitidas por Super projetos espaciais posicionados na orbita da terra. As imagens serão transmitidas simultaneamente por meio de satélites para o mundo inteiro, em um grande e assustador espetáculo aonde o céu será a tela. Essa aparição falsa do salvador deixará o mundo perplexo e consolidará a nova ordem mundial e o governo do anticristo enganando milhares de pessoas. Todo este show já esta sendo testado e sendo executado inclusive no Brasil que já foi cobaia em shows que se viu aparições como Renato Russo e Cazuza. Existem também falsas aparições no céu, assim como também sons que estão vindo do céu e despertado muita curiosidade na qual muitos acham ser sinais da volta do Messias Qual o propósito? Acabar com as religiões atuais, e unificar uma nova ordem mundial. E existe um poder por trás que não quer que isso venha a tona, e o projeto blue beam consolidar a nova ordem mundial, essa ordem visa criar uma única religião. O projeto blue beam é uma forma de força imposta pelo medo, que visam dominar as pessoas por meio da religião, o projeto tem conotação religiosa e negativa. O plano é afetar toda a humanidade. Os tipos de projeções que serão feita. holografias que são imagens que aparecerão no céu. Eles vão criar uma tela, e nessas telas aparecerá projeções de Jesus Cristo, Buda e Maomé para que haja unificação das religiões. Existem a imagem holográfica, que também está envolvendo som que é emitido nessas ultra baixa frequência e dá impressão que está falando dentro da sua cabeça, então você vai ver imagem e vai ouvir dentro da sua cabeça essas vozes falando na sua língua mostrando que o Messias voltou e coisas desse tipo. Conclusão. Você está preparado para enfrentar tudo isso e permanecer fiel sem negar a sua fé no Salvador?

Sete conceitos “bíblicos” que NÃO estão na Bíblia

Introdução é comum que diversos de nossos conceitos e visões de mundo se cristalizem, e se tornem para nós como verdades absolutas. Muitas vezes, podemos jurar que boa parte desses conceitos vêm da Bíblia. o passar do tempo, é comum que diversos de nossos conceitos e visões de mundo se cristalizem, e se tornem para nós como verdades absolutas. Muitas vezes, podemos jurar que boa parte desses conceitos vêm da Bíblia. Mas, nem sempre é o caso. Há inúmeros conceitos que, por mais que sejam populares, não vêm da Bíblia. Em vários casos, são conceitos que podem até mesmo ser heresia à luz do Texto Sagrado. Este artigo apresentará alguns dos mais comuns. Além de esclarecer o leitor, também objetiva abrir seus olhos, para que esteja disposto a sempre rever seus conceitos, buscando transformá-lo à luz do estudo das Escrituras. I – A Voz do Povo é a Voz de Deus Muita gente pensa que se a maioria entende algo de determinada maneira, isso significa que tal coisa é verdade. Daí o provérbio popular: “A voz do povo é a voz de Deus.” O provérbio pode ser popular, mas não é bíblico. Pelo contrário, a Torá diz: “Não seguirás a multidão para fazeres o mal; nem numa demanda falarás, tomando parte com a maioria para torcer o direito.” (Shemôt/Êxodo 23:2) Por diversas vezes, a voz da maioria na própria Bíblia foi negativa aos olhos do Eterno. Como, por exemplo, quando o povo de Israel queria matar Yehoshua` (Josué) e Kaleb (Calebe) por trazerem um relato de que a terra da promessa era boa (vide Nm. 14) II – Impureza/Imundícia Cerimonial é Pecado Na cultura politeísta, acreditava-se que os lugares altos e templos fossem literalmente casas onde os deuses repousassem. Da mesma forma que você sente repulsa de estar num lugar sujo, entendia-se que os deuses poderiam se afastar de tais lugares. Como isso era extremamente importante na cultura semita, era impossível que o culto ao Eterno não contemplasse isso. Estar imundo na presença do Eterno era considerado um desrespeito gravíssimo. Como a Casa do Eterno, ou o seu arraial, era um local no qual se entendia que Ele habitava, os filhos de Israel ficariam temerosos de que a impureza pudesse afastar a presença do Criador. No entanto, isso não tem a ver com pecado. Várias coisas corriqueiras poderiam causar impureza cerimonial, tais como a relação sexual de um casal (Lv. 11:32). Há casos em que a Torá até mesmo ordena que se alguém se torne impuro. Como, por exemplo, em caso de morte de familiar próximo a um sacerdote: “Depois disse ADONAY a Moshé: Fala aos sacerdotes, filhos de Aharon, e dize-lhes: O sacerdote não se contaminará por causa de um morto entre o seu povo, Salvo por seu parente mais chegado: por sua mãe, e por seu pai, e por seu filho, e por sua filha, e por seu irmão. E por sua irmã virgem, chegada a ele, que ainda não teve marido; por ela também se contaminará.” (Wayiqrá/Levítico 21:1-3) O contato com mortos traz impureza. Contudo, se impureza fosse pecado, a Torá não ordenaria que um sacerdote ficasse impuro. III – Salvação Espiritual Embora esse seja um conceito extremamente importante dentro do Cristianismo, o conceito de salvação espiritual não existe no Judaísmo. Até aí, tudo normal, afinal estamos falando de religiões diferentes. O problema é que, como o conceito cristão é culturalmente muito difundido, muitos passam a ler “salvação espiritual” todas as vezes em que a palavra “salvação” aparece no Tanakh (Bíblia Hebraica), que os cristãos chamam de “Velho Testamento”. No hebraico, o radical yashá` (יָשַׁע), que costuma indicar salvação ou livramento, aparece mais de 350 vezes. Mas sempre, invariavelmente, no contexto de livramento da mão de inimigos, de situações perigosas ou angustiantes. Por exemplo, o profeta diz: “Deveras em ADONAY nosso Elohim está a salvação de Israel.” (Yirmiyahu/Jeremias 3:23) Muitos tomam isso como uma promessa de salvação espiritual. Quando, todavia, buscamos o contexto dos profetas, encontramos: “Naqueles dias andará a casa de Yehudá com a casa de Israel; e virão juntas da terra do norte, para a terra que dei em herança a vossos pais.” (Yirmiyahu/Jeremias 3:18) Em outras palavras, o contexto é a volta do exílio, o fim da angústia da opressão de seus inimigos. No pensamento israelita, não existia a ideia de salvação espiritual, porque os israelitas sempre confiaram que o Eterno seria justo e misericordioso no seu julgamento. O objetivo deste artigo não é explorar as diferenças teológicas entre Judaísmo e Cristianismo, que são enormes. Até porque este é um site judaico, e não de debates interreligiosos. Mas até um exegeta cristão certamente concordaria que ler “salvação espiritual” quando aparece a palavra “salvação” nos salmos ou nos profetas é distorcer o contexto da mensagem. Afinal, como poderiam os autores falar de algo inexistente em sua própria cultura? IV – Dízimo é Mandamento Há, o tão polêmico mandamento do dízimo. Que, na realidade, não existe. Dízimo, no hebraico ma`assar ou ma`asser (מעשר), na realidade significa “um décimo”. Em outras palavras, dízimo é uma medida, e não um mandamento. Isso pode ser visto em passagens como, por exemplo: “Tereis balanças justas, efa justo e bato justo. O efa e o bato serão de uma mesma medida, de modo que o bato contenha a décima parte [ma`assar – מַעְשַׂר] do ômer, e o efa a décima parte do ômer; conforme o ômer será a sua medida.” (Ye’hezqel/Ezequiel 45:10-11) Observe que no contexto acima, a mensagem do profeta é sobre não se fazer alternação nas balanças, e nas medidas usadas para enganar o povo. Não há qualquer referência aos mandamentos que usam um décimo como medida. O que existem são mandamentos (no plural) que fazem uso da medida do dízimo. Por exemplo, o mandamento aos israelitas de darem a décima parte do que colherem e dos rebanhos (Lv. 27:30-32), o mandamento aos levitas de darem a décima parte do que receberam dos israelitas (Nm. 18:26). Ou ainda a décima-parte da colheita, a cada três anos, que deveria ser destinada a viúvas e pobres (Dt. 14:28-29) Por que isso importa? Porque muitos gananciosos tentam utilizar Gn. 14:20 para afirmar que, em suas palavras, “o mandamento do dízimo já existia antes do Sinai”. Ora, a única coisa que essa passagem diz é que a décima parte foi usada. Não há qualquer indicativo de um mandamento implícito à passagem, da mesma forma que o fato de Ye’hezqel (Ezequiel) fala da décima parte, sem qualquer referência a um mandamento. V – Dízimo de Dinheiro E por falar em dízimo, uma pergunta: O que cozinheiros, pedreiros, carpinteiros, pescadores, artesãos, ferreiros, escudeiros, oleiros, comerciantes e outros trabalhadores assalariados tinham em comum, nos tempos bíblicos? Nenhum deles dava dízimo de seus rendimentos! Os mandamentos dos dízimos (pois, como visto, são vários) não incidiam sobre pessoas, nem sobre dinheiro, e sim sobre a produção da terra (Lv. 27:30), e dos rebanhos (Lv. 27:32). Se tais pessoas mencionadas no primeiro parágrafo tivessem suas próprias plantações e rebanhos, seria delas que viriam os dízimos. Se não tivessem, nada estariam obrigadas a dar no tocante aos dízimos. A lógica era simples: A tribo de Levi não ganhou terras na partilha. Logo, não tinha condições de plantar e criar gato, para que pudessem se alimentar. Em troca, eles serviriam como juízes e mestres em Israel, além de trabalharem no Tabernáculo. O tempo que iriam gastar com plantio e com criação de gado poderia ser dedicado ao trabalho indicado. Tanto o dízimo nunca foi dado sobre dinheiro, que a Torá chega a dizer: “Certamente darás os dízimos de todo o fruto da tua semente, que cada ano se recolher do campo. E, perante ADONAY teu Elohim, no lugar que escolher para ali fazer habitar o seu nome, comerás os dízimos do teu grão, do teu mosto e do teu azeite, e os primogênitos das tuas vacas e das tuas ovelhas; para que aprendas a temer a ADONAY teu Elohim todos os dias. E quando o caminho te for tão comprido que os não possas levar, por estar longe de ti o lugar que escolher ADONAY teu Elohim para ali pôr o seu nome, quando teu Elohim te tiver abençoado; Então vende-os, e ata o dinheiro na tua mão, e vai ao lugar que escolher ADONAY teu Elohim; E aquele dinheiro darás por tudo o que deseja a tua alma, por vacas, e por ovelhas, e por vinho, e por bebida forte, e por tudo o que te pedir a tua alma; come-o ali perante ADONAY teu Elohim, e alegra-te, tu e a tua casa; Porém não desampararás o levita que está dentro das tuas portas; pois não tem parte nem herança contigo.” (Debarim/Deuteronômio 14:22-27) Observe: Se a pessoa não pudesse levar os alimentos ao Templo, deveria vendê-los, e trocar por alimentos, mas não daria dinheiro aos sacerdotes. Antes, deveria fazer um banquete na presença do Eterno. VI – O mundo está cada vez pior A impressão de que o mundo está cada vez pior vem de duas coisas. A primeira: a maioria das pessoas tem uma vida mais fácil na infância, e a vida vai se complicando a partir da idade adulta. Logo, a pessoa está condicionada a achar que tudo que tudo tende a piorar. A segunda: Vivemos em plena revolução das telecomunicações, e temos acesso a uma enormidade de informações das quais éramos poupados. Se uma pessoa não assistisse a um noticiário, ou lesse um jornal, poderia passar meses achando que tudo está perfeito. Mesmo se tivesse acesso aos noticiários, frequentemente eram apenas resumos simples, sem mostrar muitas imagens, e que se ocupavam apenas de coisas consideradas mais relevantes. Isso quando não era propositadamente censurado. Hoje, se uma pessoa joga um filhote de koala no rio lá na Austrália, ficamos sabendo em questões de minutos. Isso também gera uma sensação de que o mundo está pior. A história, porém, não confirma essa impressão. Lembre-se que não muito tempo atrás, nas guerras mundiais, governos cometeram genocídios em massa, dizimando boa parte da população, com requintes de crueldade. E o que dizer da Idade Média? Ou do próprio Império Romano? Fato é que, pasme o leitor, na realidade, o mundo está melhor, e não pior. Muito do que era feito outrora a céu aberto, hoje geraria indignação. Claro, você pode estar numa situação pior, ou um país pode ter uma fase pior (como a crise brasileira), mas quando se considera a humanidade como um todo, a coisa muda de figura. Como se não bastasse o fato de que as estatísticas não confirmam essa impressão, ainda a própria Bíblia Hebraica diz, de maneira explícita: “Nunca digas: Por que foram os dias passados melhores do que estes? Porque não provém da sabedoria esta pergunta.” (Qohelet/Eclesiastes 7:10) Para bom entendedor, meia palavra basta. VII – Deus não dá fardo maior do que podemos suportar A ideia é linda. Pode até, dentro de certo contexto, fazer sentido. Mas, não é bíblica. Não existe na Bíblia Hebraica nenhum tipo de afirmação dessa natureza. Imagine um pai, assistindo à morte de seus filhos num campo de concentração nazista. Acaso poderíamos dizer que “Deus não deu a ele fardo que não pudesse suportar?” Essa ideia, na realidade, é uma grande heresia, porque pode acabar gerando nas pessoas as seguintes sensações: 1) A ideia de que tudo o que nos sobrevém é do Eterno. Na realidade, muitas vezes, o que vem a nós é fruto das escolhas da humanidade. Seja de terceiros, seja de parentes, ou seja de nós mesmos. Por exemplo, a Torá diz que se o povo de Israel andasse em rebeldia, o Eterno não os protegeria contra exércitos inimigos. O que, então ocorreria? “Teus filhos e tuas filhas serão dados a outro povo, os teus olhos o verão, e por eles desfalecerão todo o dia; porém não haverá poder na tua mão.” (Debarim/Deuteronômio 28:32) Aqui observamos a consequência das ações dos pais sobre seus próprios filhos. Da mesma forma que, se um de seus pais escolheu se entregar à bebedeira, talvez você tenha tido uma infância dificílima. Acaso ser agredido por um pai embriagado não é fardo pesado demais para ser suportado? 2) A falsa ideia de que tudo seja questão de perseverança. Muitas vezes, quando as coisas dão errado, é sinal de que o caminho está errado, e não de que você precise ter mais fé. Por exemplo, vemos a história de Moshé (Moisés): “E aconteceu que, no outro dia, Moshé assentou-se para julgar o povo; e o povo estava em pé diante de Moisés desde a manhã até à tarde.” (Shemôt/Êxodo 18:13) Sabemos pelo restante da narrativa que Moshé (Moisés) percebeu, através do sábio conselho de seu sogro, que estava fazendo errado de conversar com o povo um por um. Imagine se Moshé, ao invés de acatar o seu sogro, invocasse o chavão de que o Eterno não daria a ele fardo maior do que podia suportar? Moshé teria “perseverado” num caminho ruim, não por fé, mas por pura teimosia. Além disso, existem dezenas de passagens nas quais as pessoas na Bíblia passam por fardos muito maiores do que poderiam suportar. Por exemplo, Dawid (Davi) chega a dizer, quando foi traído por uma pessoa próxima: “Pois não era um inimigo que me afrontava; então eu o teria suportado; nem era o que me odiava que se engrandecia contra mim, porque dele me teria escondido.” (Tehilim/Salmos 55:13) (55:12* em algumas versões). Na verdade, quando entendemos que há fardos demasiadamente pesados para suportar, é nessas horas que entendemos que precisamos ainda mais do Eterno, ou mesmo do apoio de pessoas próximas, que nos ajudem a carregar tais coisas! Conclusão Como se pode ver, existem diversas ideias que, por mais que sejam populares, não necessariamente se fundamentam no Tanakh (Bíblia Hebraica). É importante deixar que as Escrituras falem por si, ao invés de tentarmos encaixar nossas próprias percepções no texto bíblico.