domingo, 30 de junho de 2019

A História da Tora



Introdução

A Tora são as instruções do Eterno para uma vida de santidade, com recomendações para nossa saúde física e espiritual. Até hoje, é escrita em rolos que contém o chamado Pentateuco (os 5 livros de Moshe Rabeinu / Moisés, nosso professor). Mas, como surgiu a Tora? Os Rolos de Moshe A própria Tora nos fala que o Eterno entregou a Tora a Moshe palavra por palavra. Moshe, como servo fiel do Eterno, escreveu-as fielmente conforme determinação do Eterno. Moshe escreveu 13 rolos da Tora, doze dos quais foram dados às 12 tribos de Israel. O décimo terceiro foi posto dentro da Arca da Aliança, a qual foi posteriormente guardada no Kadosh Kadoshim (Santo dos Santos) dentro do Beit HaMikdash (Templo). Este último rolo de Tora era o padrão pelo qual todos os outros rolos eram julgados. Ocasionalmente, era retirado da Arca justamente para a conferência dos outros rolos da Tora, para não admitir modificações (conforme instrução em D'varim (Deuteronômio. 12:32). As Tentativas de Destruir a Palavra de HaShem Houve momentos em que esta décima-terceira Tora quase foi perdida. Alguns reis de Israel que se desviaram do Eterno tentaram anular ou modificar os ensinamentos da Tora. Por isto, durante o reinado de Achaz (Acaz), entre os anos 3183 e 3199 (isto é
578-562 AC), muitos rolos da Tora foram destruídos. Por causa disto, os sacerdotes Cohen (descendentes de Aaron) escondiam a Tora escrita por Moshe para protegê-la. Durante o reinado de M'nasheh (Manasses), entre 3228 e 3283 (isto é 533-478 AC), os esforços para destruição da Tora foram tão intensos e parcialmente bem-sucedidos que a existência da Tora escrita por Moshe teve que ser escondida da maioria do povo, com exceção de um grupo de pessoas tementes à Elohim e dedicadas a preservar a Sua Palavra. Foi apenas durante o reinado de Yoshia (Josías), no ano de 3303 (isto é 458 AC) que esta Tora foi novamente revelada, escondida dentro do Beit HaMikdash (Templo), conforme escrito no Tanach (Primeiro Testamento) em 2 Crônicas 34:14: "Chilkiah, o sacerdote, achou o livro da Tora de YHWH escrita pela mão de Moshe" As Tábuas das 10 mitzvot (mandamentos) estavam escondidas em uma catacumba preparada pelo rei Shlomo (Salomão) para esta finalidade, dentro do Beit HaMikdash (Templo). Quando Yerushalayim (Jerusalém) corria risco de invasão, o rei Yoshia escondeu a Arca contendo a Tora original e as Tábuas das 10 mitzvot. Acredita-se que o local onde era escondida a Arca (a catacumba de Shlomo) seja o local onde hoje ela se encontre, tal era o zelo dos cohanim (sacerdotes) para com a preservação destes artigos santos. O Exílio da Babilônia Durante o exílio da Babilônia, em 3338 a 3408 (isto é 423 a 353 AC), houve um declínio no conhecimento da Tora. Haviam muitos casamentos entre o povo de HaShem e os povos pagãos, e as pessoas se esqueciam da Tora e das suas mitzvot (mandamentos). Quando Ezra (Esdras) e Nehemiah (Neemias) retornaram à terra santa, restauraram a Tora ao seu local original. Ezra também fez uma cópia fiel, letra por letra, do rolo da Tora para ser usado como padrão para os outros. Como São Copiados os Rolos da Tora Ao longo das gerações, têm se tomado grande cuidado para se preservar a Tora exatamente da forma que foi dada a Moshe. Tanto que no Talmude, é dado aos escribas da Tora a seguinte recomendação: "Seja cuidadoso em sua tarefa, pois é um trabalho sagrado – se você adicionar ou subtrair uma letra sequer, você terá que destruir tudo”. Uma vez que cada Tora deve ser uma cópia perfeita da original, deve ser cuidadosamente copiada de outro rolo da Tora. Entre cópia, conferência e correção, o processo leva muitos anos. É proibido escrever no rolo da Tora uma só letra sequer que não tenha sido copiada de outra Tora". Além disto, o escriba deve repetir cada palavra em voz alta antes de escrevê-la, para garantir a precisão na cópia. Este era o costume entre os profetas, conforme vemos em Yrmeyahu 36:18: "Sim, da sua boca ele me ditava todas estas palavras, e eu com tinta as escrevia no livro". Se a Tora ou outra Escritura sagrada contiver algum erro de escrita, é proibido pela tradição judaica mantê-la por mais de 30, e mesmo neste período é proibida de ser usada. Uma vez passado este período, o rolo já deve estar completamente corrigido, ou deverá ser destruído, com base nas escrituras de Yov (Jó) 11:14: "Não permita que o erro permaneça em suas tendas" Além disto, desde os primórdios do povo, para garantir a preservação da Tora, cada frase, palavra e letra são contados! Por ser Palavra do Eterno, a Tora foi dada a Moshe letra por letra, e assim é preservada para evitar qualquer erro de interpretação. Portanto, até mesmo as passagens mais triviais da Tora podem conter lições para a pessoa que desejar se aprofundar nela. "Guardo a Tua palavra no meu coração, para não pecar contra Ti."(Tehilim / Salmos 119:11).

Shalom!

quinta-feira, 18 de abril de 2019

Porque Yeshua perguntou ao cego, “o que queres que eu te faça?


Durante muitos anos tenho ouvido de diversos pregadores que ao fazer o referido questionamento Yeshua poderia estar sendo irônico, brincando. Creio que a ironia não é uma das características do Mashiach, principalmente no que se refere ao sofrimento de um mendigo cego. Portanto resolvi refletir sobre o assunto e buscar uma explicação mais coerente e plausível para essa pergunta. Para compreendermos o motivo pelo qual Yeshua fez tal questionamento é preciso que entendamos o propósito do Mashiach na Terra. Yeshua não veio à Terra para curar pessoas. Yeshua veio à Terra para salvar pessoas Obviamente, era necessário, por pelo menos 3 motivos, que Yeshua curasse pessoas:

1) Yeshua precisava cumprir as profecias de que o Mashiach realizaria milagres e traria cura.
2) Yeshua precisava curar para que as pessoas cressem que ele era o Mashiach (ver Marcos 2. 3-12).
3) Yeshua precisava curar porque Ele é misericordioso e não resiste à oportunidade de aliviar o sofrimento dos outros.

Dessa forma podemos resumir as bênçãos de Yawhe a 2 tipos:

1) Bênçãos terrenas, que aliviam nosso sofrimento aqui na Terra, mas não interferem na eternidade.
2) Bênçãos eternas, dentre as quais se encontra o perdão dos pecados que nos conduz à vida eterna. Yeshua não veio para nos conceder bênçãos terrenas (apesar de estar claro que isso era necessário), Yeshua veio para nos dar bênçãos eternas que não se corrompem, nem se perdem! Assim é fácil entender porque após curar as pessoas o Mashiach ordenava que não contassem aos outros, Ele não era um curandeiro e não queria ser tratado como tal. Vir a Yeshua apenas para receber cura física é o mesmo que ir ao médico que pode operar sua catarata e pedir para que ele apenas pingue um colírio nos seus olhos! Ao perguntar “O que queres que eu te faça?”, Yeshua queria saber daquele cego: você sabe quem Eu sou? Você sabe o que sou capaz de fazer na sua vida? Você quer apenas uma benção terrena ou você quer uma benção eterna? Você sabe que apenas Eu tenho palavras de vida eterna? A passagem da cura do paralítico de Cafarnaum (Mt 9, Mc 2, Lc 5) ilustra bem esse ponto de vista. Ao se achegar ao Mashiach para ser curado, Yeshua declara: “estão perdoados os seus pecados!”. Olha que lindo! Aquele homem veio trazido por seus amigos para receber uma bênção terrena e Yeshua lhe concede uma benção eterna! Yeshua não olhou para a ignorância daqueles homens que não haviam percebido ainda que o melhor que Ele podia lhes dar não era uma cura física, mas a vida eterna, a salvação da alma, o perdão dos pecados!! Isso não impediu que Yeshua curasse seu corpo, em seguida Ele ordena ao paralítico que ande!

quarta-feira, 5 de dezembro de 2018

Disse Yeshua: “Não vim abolir a Lei e os Profetas”. Como entender Romano...

HOMICIDAS NA CASA DE YAWHE



“Qualquer que aborrece a seu irmão é homicida. E vós sabeis que nenhum homicida tem permanente nele a vida eterna”. (RC)
“Todo aquele que odeia a seu irmão é assassino; ora, vós sabeis que todo assassino não tem a vida eterna permanente em si”. (ARA)

Yochanan Alef 3: 15


Adjetivo terrível este: HOMICIDA! Autor de um homicídio, aquele que pratica a morte de outra pessoa.
É sempre bom buscar equilíbrio e direção espiritual quando fazemos este tipo de abordagem. É claro que de acordo com o texto sagrado, irmãos podem matar irmãos. Não só cremos nisto por ser uma verdade bíblica eterna, mas pelas experiências vividas ao longo de nossa carreira espiritual. A imprudência, a falta de espiritualidade e falta de discernimento de muitos cristãos professos, tem levado muitos outros crentes verdadeiros à morte. Sei que a pergunta lógica é: “mas isto é possível?”. Então adianto à resposta: CLARO QUE SIM! O apóstolo Yochanan não teria feito tais afirmações caso isto não ocorresse. Estamos falando de um homem com uma profunda comunhão com Yawhe, ao ponto de receber a maravilhosa revelação apocalíptica na Ilha de Patmos.
Com base nas duas traduções bíblicas acima, podemos afirmar que há homicidas, há assassinos na Casa de Yawhe! E a razão primária para isto seria o ódio, o aborrecimento ao próximo, a falta de amor. As conseqüências da falta de amor são ações nocivas aos que chamamos de irmãos, e a Palavra de Yawhe especifica várias dessas ações que levam estes irmãos a morte. Parecem pesadas as palavras do apóstolo Yochanan! A edição Almeida Revista e Atualizada da Bíblia Sagrada usa um termo ainda mais chocante: ASSASSINO! Esta é a palavra que designa aquele que odeia a seu irmão. Com base em nossa língua e definição jurídica, homicida soa ainda mais suave que assassino, já que um homicídio pode ser culposo, ou seja, sem intenção de matar (embora também possa ser doloso, onde há intenção de matar), enquanto o assassinato é definido como morte provocada traiçoeiramente, ou seja, de forma premeditada, fria e calculista.

Podemos matar nossos irmãos com palavras agressivas, com atos impensados ou pensados, com a calúnia, com a incompreensão,com o desprezo, com a falta de gentileza resultante no tratamento antipático, com a fofoca, o mexerico, a publicação de fraquezas particulares que se referem a eles e coisas do tipo. Há uma lista de atitudes antibíblicas que podemos tomar em detrimento dos filhos de Yawhe. Penso que seria o caso de atentarmos um pouco mais para estas coisas e adotarmos uma postura mais vigilante, cuidadosa e amorosa na convivência com aqueles que estão próximos a nós, e com os que estão mais distantes. A sentença resultante de tais práticas pecaminosas, pode levar-nos a conclusões assustadoras. Veja o que o apóstolo escreveu: “E vós sabeis que nenhum homicida tem permanente nele a vida eterna”. Além de matar nossos semelhantes podemos descobrir a desolação da ausência da vida eterna em nós. Que Yawhe nos guarde deste pecado horrendo... Que jamais matemos nossos irmãos que foi gerado no sangue de Yeshua por nós e que lutemos sempre para que eles sejam cada vez mais vivos e motivados espiritualmente! Você pode analisar mais cuidadosamente, os seguintes textos bíblicos:

Nós sabemos que já passamos da morte para a vida, porque amamos os irmãos; aquele que não ama permanece na morte. (Yochanan Alef 3: 14)
Nisto são manifestos os filhos de Elohim e os filhos do diabo; todo aquele que não pratica justiça não procede de Elohim, nem aquele que não ama a seu irmão. (Yochanan Alef 3:10)
Aquele que não ama não conhece a Elohim, pois Elohim é amor. (Yochanan Alef 4: 8)
Se alguém disser: Amo a Elohim, e odiar a seu irmão, é mentiroso; pois aquele que não ama a seu irmão, a quem vê, não pode amar a Elohim, a quem não vê. (Yochanan Alef 4: 20)
... mas nenhum homem pode domar a língua. É um mal que não se pode refrear; está cheia de peçonha MORTAL. Com ela bendizemos a Elohim e ABBA, e com ela amaldiçoamos os homens, feitos à semelhança de Elohim. (grifo meu) (Yaakov 3: 8)
Não saia da vossa boca nenhuma palavra torpe, mas só a que for boa para promover a edificação, para que dê graça aos que a ouvem. (Efésios 4: 29)
E sobre tudo isto, revesti-vos de caridade, que é o vínculo da perfeição. (Colossenses 3: 14)



Yawhe nos livre de sermos HOMICIDAS EM SUA CASA!

sábado, 17 de novembro de 2018

UM DOS VERSÍCULOS MAIS MAL TRADUZIDOS PELO CRISTIANISMO. ROMANOS 10:4


Em Romanos 10:4 encontramos escrito na maioria das versões bíblicas que “o fim da lei é Cristo para justiça de todo aquele que crê.” (Romanos 10:4, Almeida Corrigida e Revisada Fiel) O vocábulo “fim” não tem o sentido de “término, extinção”, mas sim de “finalidade, objetivo”. E esta conclusão se extrai ao se analisar os textos em grego e em aramaico de Rm 10:4, respectivamente: τελος γαρ νομου χριστος εις δικαιοσυνην παντι τω πιστευοντι סָכֵה גֵּיר דּנָמוּסָא משִׁיחָא הוּ לכאִנוּתָא לכֻל דַּמהַימֵן Em grego foi usada a palavra telos (τελος) e em aramaico sake (סָכֵה), sendo que ambas denotam finalidade, objetivo. Então, em Romanos 10: 4, Sha’ul [Paulo] quer dizer que o objetivo da Torá (Instrução Divina/Lei) é nos levar ao Mashiach, e não que a Torá foi abolida por Yeshua. A palavra FIM vem do grego TELOS, que significa OBJETIVO, finalidade. Não significa término ou extinção, como a bíblia em português traduz. O vocábulo grego "telos", em português, significa "objetivo, propósito, meta", e não "término ou extinção". O Messias não trouxe o fim da Torá (Instrução Divina), muito pelo contrário, pois o objetivo da Torá é nos levar ao Mashiach. A tradução Romana distorceu este versículo para dizer que não existe mais Lei e as pessoas não precisam obedecer Mandamentos. A melhor maneira de não estar sujeito à Lei é dizer que a Lei acabou. Este versículo foi traduzido errado para basear a doutrina falsa de que a graça anulou a Lei. A tradução correta desmascara a teologia errada. No versículo traduzido correto Yeshua está dizendo para as pessoas salvas que elas precisam observar os Mandamentos. Afinal nós fomos salvos não para viver numa anarquia, mas para viver uma vida de acordo com a vontade do ETERNO, que está na TORÁ (Instrução Divina/Mandamentos). Essa distorção acontece para manter a falsa teologia da anulação da Lei. Tradução correta: “Porque a finalidade (alvo ou propósito) da Torá (Instrução Divina) é o Messias, que oferece justiça a todo que deposita sua confiança (dá crédito as suas palavras e ao seu testemunho)”. Assim jamais o Messias acabou com a Torá, pois estaria em contradição com o texto de Mateus 5:17 que diz que Yeshua não veio anular a Torá. Leia o texto original de Mattyahu/Mateus 5:16-17: “Não penseis que vim destruir a Lei ou os Profetas; não vim destruir, mas tornar pleno (cumprir, plenificar, completar). Porque em verdade vos digo que, até que os céus e a terra passem, nenhum jota (yod – menor letra hebraica semelhante a um apóstrofo) ou um til (pequenos traços dos quais constituem as letras hebraicas), se omitirá da Lei sem que tudo venha a existência (seja cumprido). Qualquer, pois, que violar (tornar nulo, declarar ilegal) um destes menores Mandamentos e assim ensinar aos homens será chamado o menor no reino dos céus. Aquele, porém, que os observar (fazer, obedecer) e ensinar, será chamado grande no reino dos céus.” Leia o texto original de Mattyahu/Mateus 7:21-23: “Nem todo o que me diz: Adon, Adon (Senhor, Senhor) entrará no Reino dos Céus, mas o que faz a vontade (observa os Mandamentos), do meu Pai nos céus. Naquele dia muitos (numerosos) dirão a mim: Adon, Adon (Senhor, Senhor), não profetizamos em teu nome? E também em teu nome expulsamos os demônios. E em teu nome fizemos numerosas demonstrações de poder (milagres). Então eu [Yeshua] lhes direi abertamente na cara: Nunca conheci vocês! Apartai-vos de mim, vós que praticais ANOMOS [obras contrárias à Torá].” Mattyahu/Mateus 7:21-23. Leia o texto original de Mattyahu/Mateus 7:24-27: “Todo aquele que escuta meus ensinamentos e os pratica (fazer a vontade do Pai e observar e cumprir os Mandamentos segundo a exortação do versículo anterior) se assemelha a um sábio que construiu sua casa sobre um penhasco. Caiu à chuva, veio inundações, sopraram ventos tempestuosos e atingiram aquela casa, mas ela não caiu, pois os seus fundamentos foram implantados no penhasco. Mas, todo aquele que ouve meus ensinamentos e não coloca em prática se assemelha a um homem tolo, que construiu sua casa sobre a areia. Caiu à chuva, veio inundações, sopraram ventos tempestuosos e bateram contra aquela casa e ela desabou. Grande foi a sua queda! (esta expressão pode ser aplicada individualmente, mas também faz referência da queda da babilônia, do sistema religioso romano que desprezou a Torá e considerou nulos muitos dos seus preceitos). Leia o texto original de Mattyahu/Mateus 7:13-14 “Entrem através do portão estreito, porque amplo é o portão e espaçoso o caminho que leva em direção a destruição e muitos (numerosos) são os que entram através dele. Porque estreito é o portão e apertado o caminho (espremido, contém aflições e pressões) que conduz a vida e poucos são os que o encontram.” O caminho para a maldição é aparentemente fácil e muito atrativo, mas o seu fim é a dor e o sofrimento. Yeshua ensinou isto, e disse que são poucos os que acertam o caminho que leva ao Reino dos Céus, mas numerosos os que optam pelo caminho largo, o caminho da destruição. Em outras palavras, ele ensinou que em todas as gerações a maioria sempre está errada, e apenas uma porção, um remanescente, uma minoria estará determinada a trilhar o caminho verdadeiro, o caminho que leva ao Reino Vindouro, ao Reino dos Céus. Afirmou Yeshua: “Respondeu e disse-lhes: A DOUTRINA QUE OUVISTES NÃO É MINHA, MAS DO PAI QUE ME ENVIOU...” (Yochanam/João 7:16) Bem, se a doutrina que Yeshua ensinou é do Pai, o Eterno, qual seria a doutrina do Eterno? A Torá!!! “Aquele que tem os meus mandamentos e os guarda esse é o que me ama; e aquele que me ama será amado de meu Pai, e eu o amarei, e me manifestarei a ele. Quem não me ama não guarda as minhas palavras; ora, A PALAVRA QUE OUVISTES NÃO É MINHA, MAS DO PAI QUE ME ENVIOU. Santifica-os na tua verdade; A TUA PALAVRA É A VERDADE. E ele disse-lhe: Por que me chamas bom? Não há bom senão um só, que é D'us. Se queres, porém, entrar na vida, GUARDA OS MANDAMENTOS.” (Yochanam/João 14:21,25 - 17:17 - Mattyahu/Mateus 19:17) “Irmãos, não vos escrevo mandamento novo, mas O MANDAMENTO ANTIGO, que desde o princípio tivestes. ESTE MANDAMENTO ANTIGO É A PALAVRA QUE DESDE O PRINCÍPIO OUVISTES.” (Yochanan Álef/1 João 2:7) Qual é a mensagem antiga que os israelitas já tinham ouvido desde o princípio? A Torá. Yochanan (João) pregou a obediência aos Mandamentos da Torá. “Bem-aventurados aqueles que GUARDAM OS SEUS MANDAMENTOS, para que tenham direito à árvore da vida, e possam entrar na cidade pelas portas.” (Guilyana/Apocalipse 22:14) “A maneira de certificarmo-nos de que o conhecemos é a obediência a seus mandamentos. Qualquer um que diga: ‘Eu o conheço’, mas não obedece a seus mandamentos, é mentiroso, e a verdade não está nele. (Yochanan Álef/1ª João 2:3-7) Se alguém diz que conhece o Eterno, mas transgride seus preceitos, é reputado mentiroso. Em contrapartida, os verdadeiros discípulos de Yeshua guardam a Torá. “Aqui está a perseverança dos santos, daqueles que guardam os Mandamentos do Eterno e a fé em Yeshua.” (Guilyana/Apocalipse 14:12) Os santos de YHWH, no Apocalipse, são retratados como sendo aqueles que obedecem aos Mandamentos do Eterno [a Torá] e dão o testemunho de Yeshua. A VERDADEIRA mensagem das Boas Novas mostra que uma vida de amor ao Eterno é uma vida de OBEDIÊNCIA aos seus MANDAMENTOS. O testemunho em Yeshua nada tem a ver com uma vida de desobediência e rebeldia aos Mandamentos do Eterno. Tudo o que Yeshua ensinou é a Torá devidamente plena e interpretada pelo Mashiach, aperfeiçoada para o estabelecimento Brit Hadashah com Israel. Yeshua nunca praticou e ensinou nada fora da Torá, Ele nunca ensinou ou viveu segundo a interpretação dos fariseus hipócritas e legalistas. A Torá, a Lei do Mashiach é a Lei de YHWH, a Torá dada a Israel. O que aconteceu no Ministério de Yeshua confirmava o estabelecimento da Brit Hadashah = escrever a Torá nos corações, interiorizar a Lei de YHWH através da Fé no Mashiach. E para que isso fosse possível, a Torá, em muitos aspectos, deveria ser plenificada = "plenificar" significa "completar, tornar pleno, completo", e só o Mashiach fez isto durante o Seu Ministério. Todos sabemos da superioridade da Aliança Renovada sobre a Antiga, porém, a Nova nunca substituiu a Antiga, nem a invalidou. A Antiga Aliança permanece de forma plena e aperfeiçoada na Nova Aliança, por causa do Mashiach. O Mashiach é o Mediador, O Sumo Sacerdote, O Cordeiro Sacrificial, Aquele que trouxe a Torá de uma forma que ninguém jamais ouviu, Aquele que obedeceu a YHWH através da Torá de maneira que ninguém jamais obedeceu. Yeshua é o nosso maior exemplo, devemos crer e seguir Seus ensinamentos em seu contexto original, de acordo com o idioma original que Yeshua falava. O Messias nem os seus discípulos jamais vieram para acabar com a Lei. A função do Messias é resgatar as almas perdidas da Casa de Israel que se misturaram com as nações, devolvendo a elas a alma judia e também pessoas das nações que se convertem ao Eterno de forma sincera. Yeshua é para nós que estávamos atolados no pecado e comendo com os porcos, mas voltamos para casa. Que éramos idólatras, mas fomos libertos. Yeshua disse que não veio para os justos, mas para os que estavam presos no pecado (em transgressão da Torá). Quem se converte ao Eterno pela mediação de Yeshua é alguém que vivia em transgressão a Torá e se arrependeu de forma sincera, aceitando a Torá como referencial sobre sua vida. Se converter ao Eterno pela mediação de Yeshua é muito significativo e de grande responsabilidade, porque a Torá representa Yeshua, Ele é a Palavra de YHWH, o verbo que se fez carne. O objetivo da Torá é o Mashiach, está escrito em Rm 10:4. Logo, seguir a Yeshua significa também tornar-se um estudioso da Torá (Talmud Torá). “Portanto ide, fazei TALMIDIM (DISCÍPULOS, SEGUIDORES) de todas as nações (goyim, gentios, não judeus)... ENSINANDO-AS a GUARDAR (obedecer, praticar) TUDO que eu vos tenho MANDADO; e eis que EU estou convosco TODOS os DIAS, até a CONSUMAÇÃO dos SÉCULOS. Amen.” (Matityahu/Mateus 28:19-20) Saia da babilônia, rompendo com o domingo, com o espírito de anomia (desprezo dos Mandamentos do Eterno) e volte-se para o Shabat, para a fé em YHWH, para a aceitação de Yeshua como Messias, estude a Torá diligentemente e coloque em prática através da obediência as Mitzvot (Mandamentos). Ore o Shemá toda a manhã e a noite, bendiga o Eterno durante o dia, agradeça antes e após as refeições, faça tzedaká (atos de bondade, ajude os outros), evite transgredir os preceitos proibitivos, estude a Torá e/ou outros escritos relacionados todos os dias, guarde o Shabat e as Festas Bíblicas estabelecidas pelo Eterno e faça sempre teshuvá (arrependimento sincero e retorno a YHWH) quando errar. Além disto, existem todos os outros Mandamentos, que pouco a pouco você pode colocar em prática.

terça-feira, 13 de novembro de 2018

O Apocalipse de Pedro


O Apocalipse de Pedro é também um dos apócrifos encontrados em Nag Hammadi. Existe um outro livro com o mesmo nome, conservado em etíope. O primeiro está em grego. Apocalipse de Pedro conta três visões que Pedro teve sobre a crucifixão e ressurreição de Yeshua. Além de travar uma polêmica com os opositores do pensamento gnóstico, Apocalipse de Pedro tem a intenção de oferecer uma reta interpretação da paixão de Jesus, bem como a de animar o seleto grupo de cristãos gnósticos, que tinha Pedro como o fundamento de fé. Pedro no Apocalipse Pedro é o verdadeiro gnóstico, que sabe distinguir entre o falso e o verdadeiro. Ele é diferente do Pedro dos “eclesiásticos”, os quais recebem duras críticas dos gnósticos. O texto que segue é a tradução do Apocalipse de Pedro encontrado em Nag Hammadi, publicado em: PIÑERO, Antonio; TORRENTES, José Montserrat; BAZÁN, Francisco Garcia. Textos gnósticos: Apocalipsis y otros escritos. Biblioteca de Nag Hammadi, III. Madrid: Trotta, 2000, p. 59-69. O que está entre parêntesis não faz parte do original. São interpretações que ajudam compreensão, às vezes, confusa do texto. Este texto está também publicado e comentado em parte no nosso livro: O outro Pedro e a outra Madalena segundo os apócrifos. Petrópolis: Vozes, 2004. Introdução Quando o Salvador estava sentado no Templo, no tricentésimo ano da edificação e no mês construção da décima coluna, satisfeito com a grandeza da Majestade vivente e incorruptível, ele me disse: PRIMEIRA VISÃO - Pedro, bem-aventurados os de cima que pertencem ao Pai, que através de mim há revelado a vida para aqueles que são da vida, pois eu os recordei, aqueles que estão edificados sobre a sólida base, que ouçam minhas palavras e que distingam as palavras da injustiça e a transgressão da Torá das palavras da justiça. Com efeito, eles procedem do alto, de cada palavra da Plenitude da verdade e tem sido iluminados com benevolência por Aquele, a quem as potestades buscaram, mas não encontraram. Aquele que nem foi mencionado pelas em nenhuma geração dos profetas. Este apareceu agora entre aqueles, naquele no qual se é aparecido, no Filho do Homem, exaltado no alto dos céus, revelado com temor dos homens de essência semelhante. Mas tu, Pedro, sê perfeito segundo o nome que eu te coloquei (Pedra), pois eu ti escolhi, e fiz de ti um princípio para o resto, a quem eu chamei para o conhecimento. Sê forte até que venha o imitador da justiça, o imitador daquele que foi o primeiro a chamar-te. De fato, ele te chamou para que o conheça de um modo digno, por causa da rejeição de que foi alvo. Você pode reconhecê-lo nos tendões de suas mãos e de seus pés, no coroamento realizado por aqueles que vivem na região do meio, no corpo luminoso que eles (os Arcontes, aqueles que pregam os falsos ensinamentos sobre Yeshua) apresentaram na esperança de estarem cumprindo um serviço de honrosa recompensa, quando ele ia recriminar-te três vezes naquela noite”. O Salvador disse estas coisas, enquanto eu estava vendo um dos sacerdotes e o povo que corriam até nós com pedras para nos matar. Apavorei-me, pensando que íamos morrer. E Ele me disse: – Pedro, eu te disse diversas vezes que estes são cegos sem guias. Se queres conhecer sua cegueira, coloca as tuas mãos sobre os olhos de seu corpo, e diga o que vês. Quando eu lhe disse que não via nada, Ele me disse: - Não és possível que não veja nada! Ele me disse novamente: - Faça o mesmo outra vez. E em mim se produziu medo e alegria ao mesmo tempo, pois vi uma luz nova, maior que a luz do dia. Logo, a luz desceu sobre o Salvador, e eu lhe contei o que havia visto. E ele me disse de novo: - Levanta tuas mãos e escuta o que dizem os sacerdotes e o povo. Eu ouvi os sacerdotes, enquanto estavam sentados com os escribas. As multidões gritavam aos brados. Quando o Salvador escutou essas coisas de mim, ele me disse: - Apura os teus ouvido e ouça o que estão dizendo. E escutei de novo. Enquanto estava sentado, te louvam. Quando eu disse estas coisas, o Salvador disse: - “Te disse que estes são cegos e surdos. Escuta, pois, agora as que estão dizendo de forma misteriosa e conservá-as. Não as diga aos filhos deste mundo, pois eles blasfemariam contra ti neste mundo, já que eles não te conhecem, mas louvar-te-ão assim que te conhecerem”. Heresias em torno ao grupo. Primeiro conjunto de adversários: gnósticos desviados da verdade originária Na verdade, muitos, no início, acolherão as nossas palavras, mas logo se distanciarão delas, por vontade do pai de seu erro, porque terão feito o que ele quis. Mas Deus lhes revelará em juízo, quer dizer, aos servidores da Palavra. No entanto, os que se ajuntarem a eles serão seus prisioneiros, porque estão privados de conhecimento. Aquele que é inocente, bom e puro, é por eles entregue ao carrasco e ao reino daqueles que louvam o Messias restaurado. Eles louvam os homens que propagam a mentira, aqueles que virão depois de ti. Eles se aderirão ao nome de um morto, pensando que serão purificados por esse nome. Ao contrário, ficarão impuros e cairão em nome do erro em mãos de um homem malvado e astuto, em dogmas multiformes, e serão governados na heresia. Outro grupo gnóstico Acontecerá que alguns deles blasfemarão da verdade e proclamarão uma doutrina falsa. E dirão coisas más uns contra os outros. Alguns desses serão chamados de “aqueles que estão sob o poder dos arcontes”, os que procedem de um homem e uma mulher nua, de uma multidão de formas e grande variedade de sofrimento. E acontecerá que os que dizem estas coisas explorarão os sonhos. E se afirmam que um sonho tem sua procedência de um demônio, digno de seu erro, então receberão a perdição em vez da incorrupção.Com efeito, o mal não pode produzir um fruto bom. Uma vez que do lugar de onde vem, cada um atrai o que a si se assemelha, pois nem toda alma é da verdade ou da imortalidade. Cada alma deste mundo tem como destino a morte, segundo a nossa opinião, porque é sempre uma escrava, visto que foi criada para servir a seus desejos, e o seu papel é a destruição eterna: nela se encontra e dela deriva. As almas amam as criaturas da matéria, vindas à existência com elas. Mas as almas imortais não se assemelham a estas, ó Pedro. E quando ainda não é chegada a hora da morte, acontecerá que a alma imortal se parecerá com uma mortal. Mas ela não revelará a sua natureza, que é somente imortal, mas pensa na imortalidade. Tenha fé e deseja abandonara estas coisas. Em verdade, quem é inteligente não colhe figos de cardos ou espinhos, nem uvas de plantas espinhosas. Certamente, o que se produz sempre está dentro daquilo que produz. O que procede do que não é bom, resulta ser para a alma destruição e morte. Mas esta, a alma que chega a ser no Eterno, se encontra na Vida, e na imortalidade da vida, a qual se assemelha. Portanto, tudo o que existe não se dissolverá no que não existe. A surdez e cegueira se unem somente com os seus semelhantes. Também outro grupo gnóstico Outros, no entanto, converter-se-ão das palavras más e dos mistérios que extraviam. Alguns que não entendem os mistérios, falam de coisas que não entendem. Gabam-se de ser os únicos que conhecem o mistério da Verdade, e, cheios de orgulhos, agarram-se à insolência, invejando a alma imortal, que se tornou entretanto uma garantia. Já que toda potestade, dominação e poder dos eons desejam estar eles (as almas imortais dos gnósticos) na criação do mundo, de modo que aqueles (as potestades/forças) que não são, esquecidas pelas que são (as almas imortais), os louvem, embora não tenham sido salvas pelas potestades, nem levadas ao caminho (saída do mundo), desejando sempre chegar a ser imortais. Porque quando a alma imortal se fortalece com o poder de um espírito intelectual (um gnóstico), eles (as potestades/forças), imediatamente, fazem com que a alma imortal torne-se semelhante a um dos extraviados (da doutrina gnóstica). Outro grupo gnóstico Pois muitos, que se opõem à verdade e são os mensageiros do erro, conspiram com seu erro e sua lei contra estes pensamentos puros que provêm de mim, partindo do ponto de vista, a saber, que o bem e o mal procedem da mesma raiz. Eles fazem negócio com a minha palavra, e anunciam um duro Destino: a raça das almas imortais caminhão em vão, até a minha parusia. Por conseguinte, do meio deles sairão (pessoas que não seguem a minha palavra). E o perdão de seus pecados, nos quais caíram por culpa de seus adversários, os quais eu resgatei da escravidão a que se encontravam, dando-lhes a liberdade. E eles agem de modo a criar uma imitação do verdadeiro perdão, em nome de um defunto, Hermas1, dos primogênitos injustiça (Satanás), para que a luz existente não seja vista pelos pequenos (os verdadeiros). No entanto, os que pertencem a esse gênero de pessoas serão lançados nas trevas exteriores, longe dos filhos da luz. Por conseguinte, nem eles entrarão, nem tampouco permitem aos que querem receber a sua libertação. Outro grupo. Também gnósticos, também errados E ainda outros deles, que sofrem, pensam que conseguirão a perfeição da vivência comunitária (ser Igreja) que realmente existe, a saber, a união espiritual com os que estão em comunhão, através da qual se revelará o matrimônio da imortalidade (igualdade da essência com o Salvador). Mas, em vez disso, se manifestará uma fraternidade feminina (falsa e imperfeita) como imitação. Estes são os que oprimem os seus irmãos, dizendo-lhes: “Por meio disso (sua doutrina), nosso Deus tenha piedade, pois a salvação chega a nós somente por isso”. E eles não conhecem o castigo daqueles que se alegram por aqueles que fizeram isto aos pequenos (os verdadeiros), que vieram (outros que também agem em nome de Yeshua) e fizeram prisioneiros (os gnósticos). Outro grupo de adversários: os eclesiásticos E existem também outros, que não dos nossos, que se chamam a si mesmos de bispos e também diáconos, como se tivessem recebido essa autoridade de Deus. Eles são julgados por ocuparem os primeiros lugares na assembléia. Essa gente, eles são canais vazios. Mas eu disse: - “Diante do que me disseste, eu tenho medo, a saber, que são poucos, como veremos, os que estão fora do erro, enquanto muitos viventes serão induzidos ao erro e ficarão divididos. E quando pronunciarem o seu nome, serão considerados dignos de fé”. E o Salvador disse: - “Governarão sobre os (gnósticos) por um tempo para eles determinado, em proporção ao erro deles. E depois que se complete o tempo de seu erro, o tempo que nunca envelhece renovará o pensamento imortal; E os pequenos governarão sobre os que agora governam sobre eles. E o tempo que não envelhece extirpará o erro deles pela raiz e expô-loá à vergonha. E se revelará a desvergonha que ela (a classe dos eclesiásticos) teve sobre si. E acontecerá que os pequenos serão imutáveis, ò Pedro. Eia, vamos! Cumpramos a vontade do Pai incorruptível. Com efeito, eles verão a sentença contra eles (os eclesiásticos), os quais ficaram cairão em desgraça. Mas, quanto a mim, eles não poderão tocar-me. Mas tu, ò Pedro, estarás no meio deles. Não temas por causa da covardia deles. A inteligência deles será limitada, pois o Invisível lhes fará oposição.”