quinta-feira, 11 de agosto de 2016

ERA O VERBO UM DEUS? – ANÁLISE DE JOÃO 1:1 A PARTIR DA TEORIA DA RELEVÂNCIA

Resumo:Uma das grandes questões na teoria da tradução diz respeito ao nível de interferência permissível ao tradutor na busca de melhor esclarecer ao leitor do texto traduzido as nuances, conflitos, perturbações e até ambiguidades possivelmente existentes no texto original. Já ao crítico da tradução cabe procurar identificar, ao confrontar texto original e texto traduzido, o quanto o primeiro foi alterado, suavizado, explicado, interpretado, etc. pelo tradutor e, se possível, os motivos que o levaram a isso. Este trabalho, a partir de uma das passagens mais polêmicas na tradução do Novo Testamento da Bíblia (o primeiro versículo do primeiro capítulo do Evangelho de João), procura identificar um campo de aplicação para a teoria da relevância de Sperber e Wilson, concebendo-a como uma ferramenta de auxílio tanto ao tradutor quanto ao crítico da tradução. Palavras-chave: pragmática; teoria da relevância; tradução; criticada tradução. ________________________________________________________________________________________________________________________________________________ 1 UMA QUERELA ANTIGA Era o Verbo um deus? Uma grande maioria prefere “o Verbo era Deus”, enquanto que outros sugerem “o Verbo era divino”. Esta é uma querela que já dura dois mil anos e originou-se com João, um dos doze apóstolos de Jesus de Nazaré. Esse fragmento original em grego compõe o primeiro versículo do primeiro capítulo de seu evangelho (João 1:1) e é um desses casos notáveis de problemas de compreensão que se reflete na tradução. Apesar de sua simplicidade literária e gramatical, deu origem a uma das primeiras dissensões no cristianismo, o arianismo, e foi responsável pelo Concílio de Nicéia em 325 d.C.. Neste trabalho, partindo do texto grego original, analisarei essa passagem bíblica à luz da teoria da relevância, com o propósito de avaliar as potencialidades dessa teoria na tradução e na crítica da tradução. Inicialmente, analisarei cada um dos elementos que compõem o processo cognitivo denominado de relevância para, em seguida, fazer a aplicação prática no texto de João. _______________________________________________________________________________________________________________________________________________ Era o verbo um Deus?... Linguagem em (Dis)curso - LemD, Tubarão, v. 5, n. esp., p. 83-111, 2005 2 RELEVÂNCIA Relevância é uma palavra usual nas línguas latinas,assim como no inglês: relevance, que a adotou do latim medieval. Seu significado está associado com o de realce, saliência, relevo, grau de valor ou de importância e tem como sinônimo a palavra pertinência. Sperber e Wilson, cientes dos significados já estabelecidos na língua inglesa para relevance, ao adotá-la, necessitaram estabelecer um significado técnico específico para ela. Antes de embarcarmos neste projeto, gostaríamos de tornar claro o que estamos tentando fazer e o que não estamos. Não estamos procurando definir a popular palavra inglesa ‘relevance’. ‘Relevance’ é um termo difuso, utilizado de maneiras diferentes por diferentes pessoas, ou pelas mesmas pessoas em diferentes momentos. Ela não tem um correspondente em algumas línguas. Não há motivos para acharmos que uma análise semântica apropriada da palavra inglesa ‘relevance’ também consiga caracterizar um conceito da psicologia científica. Cremos, no entanto, que a psicologia científica precisa de um conceito bastante próximo da noção de relevância na linguagem popular; em outras palavras, acreditamos que existe uma importante propriedade psicológica – uma propriedade dos processos mentais – que a noçãopopular de relevância se aproxima razoavelmente e que, portanto, torna-seapropriado denominála também de relevância, utilizando agora o termo num sentido técnico. O que estamos procurando fazer é descrever esta propriedade: isto é, definir relevância como um conceito teórico útil. Assumimos que as pessoas possuem intuições de relevância: que elas conseguem distinguir, de forma consistente, uma informação relevante de outra irrelevante ou, em alguns casos, uma informação mais relevante de outra menos relevante. O fato de existir, na linguagem popular, uma noção de relevância com um significado difuso e variável,resulta mais em um inconveniente do que em uma ajuda. (2003, p. 119 (190-191)) 1 __________________________________________________________________________________________________________________________________________ A citação, embora longa, ilustra bem o que vem acontecendo com freqüência na lingüística: a criação de novos conce itos teóricos e suas identificações mediante palavras já existentes, cuj o significado popular se aproxima imperfeitamente do novo conceito teórico. No caso particular da teoria da relevância, o problema de significado não se limita à palavra relevância. Ele se estende também para outras palavras utilizadas na própria conceituação técnica de relevância , como: estímulo ostensivo, ambiente cognitivo e efeito contextual (cognitivo). Embora, neste artigo, eu trabalhe com o conceito derelevância de acordo com os trabalhos de Sperber e Wilson e explore suas aplicações na crítica da tradução – translation criticism, o foco de minha análise se centrará no processo cognitivo inferencial explicado pela teoria. Para isso, faz-se necessário um entendimento dos conceitos atribuídos para as palavras-chave vistas acima, que descrevem este processo. A partir dos significados estabelecidos para cada uma delas, descreverei esse processo inferencial, visando a sua aplicação em análises textuais, tais como as que ocorrem nos processos de tradução e de crítica da tradução. 2.1 Estímulo ostensivo No livro Relevance: communication & cognition, Sperber e Wilson encerram o capítulo 1 com a definição de comunicação inferencial ostensiva: Comunicação inferencial ostensiva: o comunicador produz um estímulo que torna mutuamente manifesto para o comunicador ea audiência aquilo que o comunicador pretende, ou seja, tornar manifesto ou mais manifesto para a audiência, por meio deste estímulo, um conjunto de suposições I. (2003, p. 63 (112)) Essa definição é retomada no capítulo 3 para desenvolver o princípio da relevância e de presunção de relevância ótima: Presunção de relevância ótima: (a) O conjunto de intenções Ique o comunicador tenciona tornar manifesto ao destinatário é suficientemente relevante para fazer com o que o destinatário julgue valer a pena processar o estímulo ostensivo. _________________________________________________________________________________________________________________________________________ Era o verbo um Deus?... Linguagem em (Dis)curso - LemD, Tubarão, v. 5, n. esp., p. 83-111, 2005 (b) O estímulo ostensivo é o mais relevante que o comunicador podia utilizar para comunicar I. (2003, p.157 (242)) Como informação complementar, devo adicionar que essa definição de presunção de relevância ótima, apresentada por Sperber e Wilson na edição de 1986 e 1995, foi revisada no Postface publicado no final da edição de 1995 e que reproduzo a seguir: Presunção de relevância ótima(revisada) (a) O estímulo ostensivo é suficientemente relevante para justificar o esforço do destinatário para processá-lo. (b) O estímulo ostensivo é o mais relevante e compatível com as habilidades e preferências do comunicador. (2003, p. 270) 2 O termo estímulo, por sua vez, carrega um sentido técnico estabelecido derivado da psicologia comportamental. Sua utilização consagrada pelo behaviorismo pode, inclusive, causar estranheza ao se associar a uma teoria cognitivista. Segundo o Webster’s New World College Dictionary, a palavra estímulo significa “alguma coisa que desperta ou incita à ação ou a um aumento de ação”. O mesmo dicionário apresenta uma definição particularizada pela psicologia: “qualquer ação ou agente que cause ou mude uma atividade em um organismo, órgão, ou parte, como alguma coisa que excite um órgão final, inicie um impulso nervoso, ative um músculo, etc.”. A comparação entre as duas definições é fundamental para a compreensão correta da palavra estímulo. Na primeira, temos simplesmente um princípio universal que se aplica tanto ao comportamento humano como à física. Um estímulo produz uma resposta, assim como para toda ação existe uma reação. Porém, o que a psicologia behaviorista fez foi, a partir da Lei do Efeito , condicionar comportamentos a partir de estímulos repetitivos (GOULART, 1987, p. 48). Uma simples redução da realidade psicológica. Sem o reducionismo de condicionamento do comportamento, Sperber e Wilson utilizam estímulo no sentido psicológico. Isso fica bem claro na seguinte passagem. _______________________________________________________________________________________________________________________________________ Os psicólogos utilizam o termo ‘estímulo’ para qualquer modificação provocada no ambiente físico com a finalidade de ser percebida. Faremos o mesmo. Um enunciado no sentido usual é, naturalmente, um caso especial de estímulo. Diremos, então, que comunicação envolve a produção de um determinado estímulo com as seguintes intenções: Intenção informativa: informar ao destinatário a respeito de alguma coisa; Intenção comunicativa: informar ao destinatário de uma intenção informativa. (2003, p. 29 (65)) Vejamos agora o significado para ostensivo. De acordo com o Webster’s New World College Dictionary, a palavra inglesa ostensiveorigina-se do francês ostensif e significa “apontando diretamente para fora, clar amente demonstrativo”. Para Sperber e Wilson, no entanto, ostensivotem um significado um pouco mais elaborado. [...] Então o comportamento de Pedro tornou manifesto à Maria que ele tenciona tornar-lhe manifestas algumas suposições d eterminadas. Denominaremos este comportamento – um comportamento que torna manifesto uma intenção de tornar alguma coisa manifesta – comportamento ostensivo, ou simplesmente ostensão. Mostrar alguma coisa a alguém é um caso de ostensão. Da mesma forma, afirmamos, é uma comunicação intencional. (2003, p. 44 (93)) Do comentário acima, concluímos que ostensão, segundo a teoria da relevância, é um comportamento que tem por objetivo chamar a atenção de alguém para uma intenção que se deseja tornar manifesta. Mais adiante, Sperber e Wilson declaram: Um ato de comunicação para ser bem sucedido deve atrair a atenção da audiência. Neste sentido, um ato de ostensão é um pedido de atenção. (2003, p. 155 (239)) Compreendido o sentido dado para ostensivo na teoria da relevância, necessitamos associá-lo a estímulo para podermos ter a realização do ato ostensivo. Conseqüentemente, estímulo ostensivo é um ato (físico: gestual, oral ou escrito) com a intenção de provocar a atenção no destinatário para uma intenção comunicativa por parte da pessoa que oproduziu. Nesse sentido, 88 Era o verbo um Deus?... Linguagem em (Dis)curso - LemD, Tubarão, v. 5, n. esp., p. 83-111, 2005 podemos entender estímulo ostensivo como um fenômeno ou perturbação em um determinado ambiente, que produz uma reação de modo a satisfazer duas condições: (a) atrair a atenção e (b) focalizar a intenção contida no estímulo. Robyn Carston elaborou um pequeno glossário da teoria da relevância em seu livro Thoughts and utterances e define o verbete ostensive phenomenon da seguinte maneira: fenômeno ostensivo:um estímulo ou comportamento que torna manifesta uma intenção de tornar uma suposição, ou suposições, manifesta; isto é, um comportamento suportado por uma ‘intenção comunicativa’. (2002, p. 378) Em trabalho mais recente, Wilson e Sperber (2004, p. 607-632) 3 definem mais objetivamente estímulo ostensivo como um fenômeno (olhar, gesto, som, enunciado verbal ou escrito) realizado para atrair a atenção de uma audiência e focalizando-a no significado do comunicador. ______________________________________________________________________________________________________________________________________ Ambiente cognitivo Embora o conceito de ambiente cognitivo seja essenc ial para a compreensão da teoria da relevância, tem sido um conceito mais utilizado do que explicado. Sperber e Wilson, Carston e Blakemore são lacônicos quando se referem a ele. · “Um ambiente cognitivo de um indivíduo é um conjunto de fatos que lhe são manifestos”. (SPERBER e WILSON, 2003, p. 39 (80)) · “Ambiente cognitivo (de um indivíduo): o conjunto de suposições que são manifestas a um indivíduo em um determinado momento”. (CARSTON, 2003, p. 376) · “De acordo com Sperber e Wilson, denominamos de ambiente cognitivo o conjunto de suposições que você consegue formar” . (BLAKEMORE, 1992, p. 28) Ernst-August Gutt é quem torna as coisas um pouco mais claras quando, a partir do conceito de contexto de Sperber e Wilson, amplia a noção de ambiente cognitivo. ____________________________________________________________________________________________________________________________________ Antes de continuar a discussão sobre relevância e efeitos contextuais, necessitamos deixar claro o que entendemos por contexto, que é uma palavra utilizada com diferentes significados por diferentes pessoas. Na teoria da relevância, contexto é entendido como “o conjunto de premissas utilizadas na interpretação de um enunciado” (Sperber e Wilson1986a:15). Como tal, ele é, na teoria da relevância, uma noção psicológica: refere-se a um subconjunto das crenças do ouvinte a respeito de mu ndo – mais precisamente, refere-se a uma parte do ambiente cognitivo do ouvinte. O ambiente cognitivo é uma noção bastante compreensiva: o ambiente de um indivíduo consiste em todos os fatos que um indivíduo é capaz de representar em sua mente e de aceitá-las como verdade ou prováveis verdades. A fonte desta informação pode ser a percepção (visão, audição, etc.) memória, ou inferência, que pode fazer uso das informações das outras duas fontes. (1992, p. 22) Finalmente, para completar o quadro relativo ao ambiente cognitivo, necessito acrescentar a idéia, utilizada por Sperber e Wilson, de fato manifesto. Um fato é manifesto a um indivíduo em um determinado momento se e somente se ele for capaz, neste momento, de representá-lo mentalmente e aceitar esta representação como verdade ou provávelverdade. [...] Ser manifesto, então, é ser perceptível ou inferenciável. O ambiente cognitivo total é o conjunto de todos os fatos que um indivíduo pode perceber ou inferir: todos os fatos que lhe são manifestos. Um ambiente cognitivo total de um indivíduo é uma função de seu ambiente físico e suas capacidades cognitivas. Ele consiste não somente de todos os fatos de que ele tem consciência, mas também de todos os fatos de que poderá tomar consciência em seu ambiente físico. A consciência real dos fatos pelo indivíduo, isto é, o conhecimento que já está adquirido, naturalmente contribui para sua capacidade de tomar consciência de fatos adicionais. A informação memorizada, naturalmente, é um componente das capacidades cognitivas. (2003, p. 39 (79-80)) Podemos, agora, estabelecer nosso próprio quadro de ambiente cognitivo, destacando alguns de seus principais elementos constitutivos. Temos o contexto como uma de suas partes fundamentais, visto que dele se derivam as implicaturas. Por contexto, entendem-se todas as informações acessíveis a 90 Era o verbo um Deus?... Linguagem em (Dis)curso - LemD, Tubarão, v. 5, n. esp., p. 83-111, 2005 uma pessoa, incluindo informações sócio-culturais, históricas, situacionais, crenças, visões de mundo, etc. (ibidem , p. 15-16 (45-46)). Temos ainda, segundo Sperber e Wilson, a capacidade cognitiva de fazer inferências e deduções a partir do conhecimento. Podemos acrescentar, para completar o quadro, a capacidade de processar informações, a memória e os mecanismos cognitivos como os da teoria dos esquemas. __________________________________________________________________________________________________________________________________________ 2.3 Efeito contextual Iniciarei a análise de efeito contextual, partindo da definição dada por Carston em seu Glossário da teoria da relevância: Efeitos contextuais: o resultado de uma frutífera (isto é, relevante) interação entre um estímulo perturbador e um subconjunto de suposições já existentes no sistema cognitivo; existem três tipos principais de efeitos contextuais (cognitivos): suporte e fortalecimento de suposições existentes, contradição e eliminação de suposições, combinações inferenciais de forma a produzir novas conclusões. (2002, p. 377) O efeito contextual é, portanto, o resultado de uma operação cognitiva com base em uma interação ou perturbação ocorrida no ambiente cognitivo do receptor (destinatário, leitor, espectador). Essa perturbação nada mais é do que uma resposta a um enunciado atuando como estímulo. Esse mesmo enunciado pode perturbar o ambiente cognitivo anterior de três maneiras. Se houver uma combinação de informações novas com as existentes no ambiente cognitivo, mediante um processo inferencial, result ará em um novo conhecimento, levando o destinatário de um estado conhecido para um estado até então desconhecido. Se a informação proveniente do estímulo for conhecida, ela fortalecerá o conhecimento prévio do indivíduo. Por fim, se a informação proveniente do estímulo contradisser um conhecimento prévio poderá resultar em anulação ou apagamento de suposições. Esse é o entendimento expresso por Gutt: Tecnicamente, modificações no contexto são referidas como efeitos contextuais, e estes podem ser de três tipos: eles podem consistir na derivação de implicações contextuais, no fortalecimento, ou confirmação, Linguagem em (Dis)curso - LemD, Tubarão, v. 5, n. esp., p. 83-111, 2005 de suposições já existentes, ou na eliminação de suposições devido a uma contradição. (2000, p. 29) Ainda sobre efeitos contextuais, há um ponto fundamental para o qual Sperber e Wilson chamam a atenção: O tipo de efeito em que estamos interessados é o resultado da interação entre uma informação nova e outra antiga. Este tipo de efeito já foi discutido. Implicações contextuais são efeitos contextuais: eles resultam de uma interação crucial entre informações novas e antigas funcionando como premissas numa implicação sintética. (2003, p. 109 (175)) O que Sperber e Wilson estão procurando destacar nesse comentário é que um enunciado ou informação, para produzir efeitos contextuais em um ambiente cognitivo, tem de ter alguma relação com as informações nele existentes. Conforme mostrarei mais adiante, tem de ser relevante. Adicionalmente, uma informação nova que apenas duplica uma existente, ou não possui com essa informação existente qualquer relação, não produz efeitos contextuais. Ou seja, essa informação nova não tem efeito sobre o ambiente cognitivo; não o perturba, não o modifica, não o aperfeiçoa, simplesmente por não haver interação. _________________________________________________________________________________________________________________________________________ Juntando tudo I Após ter examinado, em separado, três elementos fundamentais para a teoria da relevância ( estímulo ostensivo, ambiente cognitivo e efeitos contextuais), chego ao momento de reuni-los para entendermos como se relacionam. Primeiramente, convém repetir, efeitos contextuais são resultados não somente do estímulo ostensivo, ou do ambiente cognitivo, mas da combinação de ambos, conforme indica Gutt: Um efeito contextual é uma modificação do ambiente cognitivo de alguém e que não teria sido conseguido apenas pelo estímulo, nem pelo contexto sozinho, mas somente pela combinação inferencial de ambos. (1992, p. 22) 92 Era o verbo um Deus?... Linguagem em (Dis)curso - LemD, Tubarão, v. 5, n. esp., p. 83-111, 2005 Temos, então, um enunciado que se manifesta como um estímulo ostensivo e atua sobre um ambiente cognitivo, produzindo efeitos contextuais mediante a interação entre ambos (estímulo e ambiente cognitivo). A compreensão dessa asserção deve estar clara, a esta altura, devido às explicações anteriores dos três elementos em que ela se fundamenta. Porém, a razão dessas explicações não foi apenas para tornar esta declaração inteligível, embora esta tenha sido uma delas, mas de fornecer um fundamento para o entendimento de como funciona a relevância, segundo a teoria de Sperber e Wilson. ______________________________________________________________________________________________________________________________________ Primeiramente, os dois autores partem do efeito contextual para caracterizar o conceito de relevância. Para eles, relevância é uma propriedade psicológica inata – uma propriedade dos processos mentais – e responsável pelos efeitos contextuais. As pessoas tendem a prestar atenção aos fenômenos que são relevantes (produzem efeitos contextuais) e os processam de forma a maximizar essa relevância. Em segundo lugar, o que não é relevante não produz efeitos contextuais por não interagir com o ambiente cognitivo. Dito de outra maneira, para se ter algum efeito contextual dentro de um contexto, necessitase que o estímulo esteja associado com algo relevante. Desse raciocínio, resulta o princípio embrionário de relevância: Uma suposição é relevante em um contexto se e somente se ela produz algum efeito contextual neste contexto. (2003, p. 122 (194)) Esta definição básica é desenvolvida e ampliada para relevância ótima em que todo estímulo ostensivo pressupõe uma relevância, resultando no princípio da relevância: Princípio da relevância Todo ato de comunicação ostensiva comunica a presunção de sua própria relevância ótima. (2003, p. 158 (242)) Porém, o que mais nos interessa neste trabalho é o aperfeiçoamento do princípio embrionário que relaciona relevância com contexto. Este aperfeiçoamento se dá pela associação com o conceito de produtividade. Este conceito, fundamental no mundo empresarial, inerente às nossas características biológicas e cognitivas, auxilia a entender relevância como algo relativo, pois conforme reconhecem Sperber e Wilson, “relevância é uma questão de grau” ______________________________________________________________________________________________________________________________________ O princípio de produtividade nos ensina que em qualquer processo, seja mental ou físico, sempre tendemos a obter o máximo de resultado com o mínimo de esforço. Da mesma forma, no processo mental de produzirem-se efeitos contextuais, devido à interação de um estímulo em um ambiente cognitivo, busca-se maximizar a relevância procurando-se obtero maior número de efeitos contextuais com o menor esforço possível. Chegamos, assim, acredito, a um ponto em que se torna fácil compreender o que Sperber e Wilson querem dizer com princípio da relevância conforme definido no Postface da segunda edição de livro Relevance e denominado de primeiro princípio de relevância (um princípio cognitivo). 4 Relevância para um indivíduo(comparativa) Condição de extensão 1: Uma suposição é relevante para um indivíduo na medida em que forem grandes os efeitos cognitivos positivos conseguidos quando é processada otimamente. Condição de extensão 2: Uma suposição é relevante para um indivíduo na medida em que os esforço para atingir esse efeito cognitivo seja pequeno. (2003, p. 265-266) 5 Resumindo, um estímulo ostensivo, pressupondo um conjunto de suposições I relevantes, interage com o ambiente cognitivo do destinatário e resulta em um número de efeitos contextuais tanto maior quanto maior for sua relevância. O processamento é maximizado quando produz o maior número possível de efeitos contextuais, com o menor esforço despendido. Na seqüência, procurarei ilustrar de forma prática os conceitos associados com a teoria da relevância. Para isso utilizarei, conforme estabelecido no início deste trabalho, o texto de João 1:1 do Novo Testamento, por tratar-se de um texto polêmico quanto a sua tradução. _____________________________________________________________________________________________________________________________________ (A alteração, em relação ao texto inicial é mais determinologia e não é substancial. Nota-se um cuidado em diferenciar-se princípio cognitivo de princípio comunicativo, dividindo-se o princípio da relevância em dois. O primeiro princípio é cognitivo, enquanto que o segundo é comunicativo. Na primeira edição não havia essa distinção. O que de fato ocorre no Postface é a renomeação de Relevância de um fenômeno (comparativa) para Primeiro Princípio da Relevância e denominado de Relevância para um indivíduo (comparativa). O que foi denominado de Princípio da Relevância na edição de 1986, passou a ser o Segundo Princípio da Relevânciano Postface de 1995 e renomeado para Presunção de relevância ótima (revisado). Trata-se, de um modo geral, de modificações ceteris paribus. O Postface não foi incluído na edição portuguesa. Sua traduçãocompõe este número especial de Linguagem em (Dis)curso.) __________________________________________________________________________________________________ Era o verbo um Deus?... Linguagem em (Dis)curso - LemD, Tubarão, v. 5, n. esp., p. 83-111, 2005 3 O TEXTO DE JOÃO 1:1 O texto que utilizarei para exemplificar os vários conceitos envolvidos na teoria da relevância é o início do Evangelho de João, parte do Novo Testamento da Bíblia, identificado como João 1:1. Os quatro Evangelhos do Novo Testamento (Mateus, Marcos, Lucas e João), escritos no primeiro século de nossa era, são descritos como um tipo de forma literária por Arthur G. Patzia. Muito poucos duvidam que os evangelistas foram influenciados pelas convenções literárias de seus dias ou que determinadas características da literatura antiga ajuda-nos a entender mais claramente a natureza dosEvangelhos. Porém as diferenças significativas têm levado muitos eruditos contemporâneos a caracterizar os Evangelhos como um “subgênero”, “subtipo” ou “subgrupo” das formas literárias antigas. Como tal, eles constituem um di stinto – mas não único – gênero entre os escritos antigos. Eles poderiam ser descritos como “manuais teológicos” ou “biografias teológicas”. (1995, p. 58) João, à maneira de Mateus, Marcos e Lucas, escreve sobre Jesus de Nazaré, relatando parte de sua vida na Judéia e seus ensinamentos. Porém, o propósito especial desses quatro relatos é o de fortalecer a imagem de Jesus como o Messias esperado pelos judeus, como filho de Deus e salvador da humanidade. Tal mensagem foi dirigida não somente aos judeus, mas também às demais nações. Para isso, todos os livros que compõem o Novo Testamento estão escritos em grego koine. Na época, o grego koine desempenhava um papel de língua franca, semelhante ao papel do inglês dos dias atuais. A seguir, apresento o primeiro versículo do Evangelho de João no original grego, A tradução interlinear é importante em um trabalho de crítica da tradução porque permite ao leitor enxergar a palavra original que está por trás da palavra inserida na tradução (BeDUHN, 2003, p. 12). Para o tradutor, o exegeta e o crítico de tradução, as traduções interlineares editadas têm sido uma excelente ferramenta de trabalho. Acompanhando cada palavra grega original, inseri a correspondente transliteração para caracteres latinos como auxílio para os leitores não familiarizados com o grego. ______________________________________________________________________________________________________________________________________ Uma palavra adicional. Na tradução interlinear do grego, costuma-se: traduzir todos os artigos definidos, mantendo-os na tradução (devido às particularidades da língua grega quanto a utilização do artigo definido); não adicionar artigos indefinidos, a não ser quando acompanhados de algum sinal indicativo de inserção como colchetes ou parênteses (não existe artigo indefinido no grego); e, ignorar determinadas partículas por não possuírem equivalentes em línguas como o inglês, português, francês, etc. (por exemplo, o par me... de). Já na tradução normal, exige-se uma habilidade lingüística e textual do tradutor para saber quando eliminar artigos definidos e quando inserir artigos indefinidos. É aqui que reside o perigo. ______________________________________________________________________________________________________________________________________ Era o verbo um Deus?... Linguagem em (Dis)curso - LemD, Tubarão, v. 5, n. esp., p. 83-111, 2005 Nas minhas duas traduções pessoais, para o português e latim, preferi manter todas as palavras em letras minúsculas, inclusive deus. Na época em que os originais foram escritos e conforme atestado pelos manuscritos existentes, não havia tal diferenciação na língua grega escrita. Os textos gregos eram escritos utilizando-se somente maiúsculas (chamada de escrita uncial) e sem separação entre as palavras. Somente alguns séculos mais tarde introduziram-se as minúsculas, 9 a separação entre palavras e a prática de iniciar algumas palavras por letra maiúscula. A rigor, a introdução de maiúsculas na tradução interlinear corresponde a uma determinação a priori de interpretação do tradutor, em detrimento da integridade do original que não apresenta tal diferenciação. Além do texto original em grego e de algumas traduções interlineares, incluo, a seguir, algumas de suas traduções publicadas em diferentes traduções da Bíblia, com indicação da fonte correspondente. Estas traduções apresentam as necessárias adequações sintáticas e de equivalência textual, além de, em alguns casos, a tendenciosidade do tradutor. 10 (1) In principio erat Verbum et Verbum erat apud Deum et Deus erat Verbum. (2) No princípio era o Verbo, e o Verbo estava com Deus, e o Verbo era Deus. (3) No princípio era a Palavra, e a Palavra estava com Deus, e a Palavra era Deus. (4) No princípio era a Palavra, e a Palavra estava com o Deus, e a Palavra era [um] deus. _________________________________________________________________________________________________________________________________________ O estímulo ostensivo em João 1:1 Enquanto que nos outros três evangelhos seus autores (Mateus, Marcos e Lucas) procuram apresentar evidências de que Jesus de Nazaré é o Messias, estabelecendo sua genealogia até Davi, João surpreende pela ausência dessa genealogia e pela forma com que inicia seu evangelho. Suas primeiras palavras não apresentam Jesus como Messias, nem como herdeiro do trono de Davi, ou cordeiro de Deus, todas elas expressões semíticas com que os judeus estavam familiarizados a partir da Torah e de todo o Velho Testamento. Jesus é apresentado como ho logos ( o| lo qeo>j h#n o| lo qeo>j h#n o| lo

quinta-feira, 4 de agosto de 2016

As armas de satanás para enganar o mundo nos últimos dias! (Projeto Blue beam).

Texto de referencia: Mattityahu (Mateus) 24: 27 – 44 Introdução: Existe um projeto da NASA que visa enganar toda humanidade e inclusive a igreja que deveria influenciar o mundo. O projeto Blue Beam, é um projeto diabólico que simulará a volta do Salvador com imagens holográficas transmitidas por Super projetos espaciais posicionados na orbita da terra. As imagens serão transmitidas simultaneamente por meio de satélites para o mundo inteiro, em um grande e assustador espetáculo aonde o céu será a tela. Essa aparição falsa do salvador deixará o mundo perplexo e consolidará a nova ordem mundial e o governo do anticristo enganando milhares de pessoas. Todo este show já esta sendo testado e sendo executado inclusive no Brasil que já foi cobaia em shows que se viu aparições como Renato Russo e Cazuza. Existem também falsas aparições no céu, assim como também sons que estão vindo do céu e despertado muita curiosidade na qual muitos acham ser sinais da volta do Messias Qual o propósito? Acabar com as religiões atuais, e unificar uma nova ordem mundial. E existe um poder por trás que não quer que isso venha a tona, e o projeto blue beam consolidar a nova ordem mundial, essa ordem visa criar uma única religião. O projeto blue beam é uma forma de força imposta pelo medo, que visam dominar as pessoas por meio da religião, o projeto tem conotação religiosa e negativa. O plano é afetar toda a humanidade. Os tipos de projeções que serão feita. holografias que são imagens que aparecerão no céu. Eles vão criar uma tela, e nessas telas aparecerá projeções de Jesus Cristo, Buda e Maomé para que haja unificação das religiões. Existem a imagem holográfica, que também está envolvendo som que é emitido nessas ultra baixa frequência e dá impressão que está falando dentro da sua cabeça, então você vai ver imagem e vai ouvir dentro da sua cabeça essas vozes falando na sua língua mostrando que o Messias voltou e coisas desse tipo. Conclusão. Você está preparado para enfrentar tudo isso e permanecer fiel sem negar a sua fé no Salvador?

Sete conceitos “bíblicos” que NÃO estão na Bíblia

Introdução é comum que diversos de nossos conceitos e visões de mundo se cristalizem, e se tornem para nós como verdades absolutas. Muitas vezes, podemos jurar que boa parte desses conceitos vêm da Bíblia. o passar do tempo, é comum que diversos de nossos conceitos e visões de mundo se cristalizem, e se tornem para nós como verdades absolutas. Muitas vezes, podemos jurar que boa parte desses conceitos vêm da Bíblia. Mas, nem sempre é o caso. Há inúmeros conceitos que, por mais que sejam populares, não vêm da Bíblia. Em vários casos, são conceitos que podem até mesmo ser heresia à luz do Texto Sagrado. Este artigo apresentará alguns dos mais comuns. Além de esclarecer o leitor, também objetiva abrir seus olhos, para que esteja disposto a sempre rever seus conceitos, buscando transformá-lo à luz do estudo das Escrituras. I – A Voz do Povo é a Voz de Deus Muita gente pensa que se a maioria entende algo de determinada maneira, isso significa que tal coisa é verdade. Daí o provérbio popular: “A voz do povo é a voz de Deus.” O provérbio pode ser popular, mas não é bíblico. Pelo contrário, a Torá diz: “Não seguirás a multidão para fazeres o mal; nem numa demanda falarás, tomando parte com a maioria para torcer o direito.” (Shemôt/Êxodo 23:2) Por diversas vezes, a voz da maioria na própria Bíblia foi negativa aos olhos do Eterno. Como, por exemplo, quando o povo de Israel queria matar Yehoshua` (Josué) e Kaleb (Calebe) por trazerem um relato de que a terra da promessa era boa (vide Nm. 14) II – Impureza/Imundícia Cerimonial é Pecado Na cultura politeísta, acreditava-se que os lugares altos e templos fossem literalmente casas onde os deuses repousassem. Da mesma forma que você sente repulsa de estar num lugar sujo, entendia-se que os deuses poderiam se afastar de tais lugares. Como isso era extremamente importante na cultura semita, era impossível que o culto ao Eterno não contemplasse isso. Estar imundo na presença do Eterno era considerado um desrespeito gravíssimo. Como a Casa do Eterno, ou o seu arraial, era um local no qual se entendia que Ele habitava, os filhos de Israel ficariam temerosos de que a impureza pudesse afastar a presença do Criador. No entanto, isso não tem a ver com pecado. Várias coisas corriqueiras poderiam causar impureza cerimonial, tais como a relação sexual de um casal (Lv. 11:32). Há casos em que a Torá até mesmo ordena que se alguém se torne impuro. Como, por exemplo, em caso de morte de familiar próximo a um sacerdote: “Depois disse ADONAY a Moshé: Fala aos sacerdotes, filhos de Aharon, e dize-lhes: O sacerdote não se contaminará por causa de um morto entre o seu povo, Salvo por seu parente mais chegado: por sua mãe, e por seu pai, e por seu filho, e por sua filha, e por seu irmão. E por sua irmã virgem, chegada a ele, que ainda não teve marido; por ela também se contaminará.” (Wayiqrá/Levítico 21:1-3) O contato com mortos traz impureza. Contudo, se impureza fosse pecado, a Torá não ordenaria que um sacerdote ficasse impuro. III – Salvação Espiritual Embora esse seja um conceito extremamente importante dentro do Cristianismo, o conceito de salvação espiritual não existe no Judaísmo. Até aí, tudo normal, afinal estamos falando de religiões diferentes. O problema é que, como o conceito cristão é culturalmente muito difundido, muitos passam a ler “salvação espiritual” todas as vezes em que a palavra “salvação” aparece no Tanakh (Bíblia Hebraica), que os cristãos chamam de “Velho Testamento”. No hebraico, o radical yashá` (יָשַׁע), que costuma indicar salvação ou livramento, aparece mais de 350 vezes. Mas sempre, invariavelmente, no contexto de livramento da mão de inimigos, de situações perigosas ou angustiantes. Por exemplo, o profeta diz: “Deveras em ADONAY nosso Elohim está a salvação de Israel.” (Yirmiyahu/Jeremias 3:23) Muitos tomam isso como uma promessa de salvação espiritual. Quando, todavia, buscamos o contexto dos profetas, encontramos: “Naqueles dias andará a casa de Yehudá com a casa de Israel; e virão juntas da terra do norte, para a terra que dei em herança a vossos pais.” (Yirmiyahu/Jeremias 3:18) Em outras palavras, o contexto é a volta do exílio, o fim da angústia da opressão de seus inimigos. No pensamento israelita, não existia a ideia de salvação espiritual, porque os israelitas sempre confiaram que o Eterno seria justo e misericordioso no seu julgamento. O objetivo deste artigo não é explorar as diferenças teológicas entre Judaísmo e Cristianismo, que são enormes. Até porque este é um site judaico, e não de debates interreligiosos. Mas até um exegeta cristão certamente concordaria que ler “salvação espiritual” quando aparece a palavra “salvação” nos salmos ou nos profetas é distorcer o contexto da mensagem. Afinal, como poderiam os autores falar de algo inexistente em sua própria cultura? IV – Dízimo é Mandamento Há, o tão polêmico mandamento do dízimo. Que, na realidade, não existe. Dízimo, no hebraico ma`assar ou ma`asser (מעשר), na realidade significa “um décimo”. Em outras palavras, dízimo é uma medida, e não um mandamento. Isso pode ser visto em passagens como, por exemplo: “Tereis balanças justas, efa justo e bato justo. O efa e o bato serão de uma mesma medida, de modo que o bato contenha a décima parte [ma`assar – מַעְשַׂר] do ômer, e o efa a décima parte do ômer; conforme o ômer será a sua medida.” (Ye’hezqel/Ezequiel 45:10-11) Observe que no contexto acima, a mensagem do profeta é sobre não se fazer alternação nas balanças, e nas medidas usadas para enganar o povo. Não há qualquer referência aos mandamentos que usam um décimo como medida. O que existem são mandamentos (no plural) que fazem uso da medida do dízimo. Por exemplo, o mandamento aos israelitas de darem a décima parte do que colherem e dos rebanhos (Lv. 27:30-32), o mandamento aos levitas de darem a décima parte do que receberam dos israelitas (Nm. 18:26). Ou ainda a décima-parte da colheita, a cada três anos, que deveria ser destinada a viúvas e pobres (Dt. 14:28-29) Por que isso importa? Porque muitos gananciosos tentam utilizar Gn. 14:20 para afirmar que, em suas palavras, “o mandamento do dízimo já existia antes do Sinai”. Ora, a única coisa que essa passagem diz é que a décima parte foi usada. Não há qualquer indicativo de um mandamento implícito à passagem, da mesma forma que o fato de Ye’hezqel (Ezequiel) fala da décima parte, sem qualquer referência a um mandamento. V – Dízimo de Dinheiro E por falar em dízimo, uma pergunta: O que cozinheiros, pedreiros, carpinteiros, pescadores, artesãos, ferreiros, escudeiros, oleiros, comerciantes e outros trabalhadores assalariados tinham em comum, nos tempos bíblicos? Nenhum deles dava dízimo de seus rendimentos! Os mandamentos dos dízimos (pois, como visto, são vários) não incidiam sobre pessoas, nem sobre dinheiro, e sim sobre a produção da terra (Lv. 27:30), e dos rebanhos (Lv. 27:32). Se tais pessoas mencionadas no primeiro parágrafo tivessem suas próprias plantações e rebanhos, seria delas que viriam os dízimos. Se não tivessem, nada estariam obrigadas a dar no tocante aos dízimos. A lógica era simples: A tribo de Levi não ganhou terras na partilha. Logo, não tinha condições de plantar e criar gato, para que pudessem se alimentar. Em troca, eles serviriam como juízes e mestres em Israel, além de trabalharem no Tabernáculo. O tempo que iriam gastar com plantio e com criação de gado poderia ser dedicado ao trabalho indicado. Tanto o dízimo nunca foi dado sobre dinheiro, que a Torá chega a dizer: “Certamente darás os dízimos de todo o fruto da tua semente, que cada ano se recolher do campo. E, perante ADONAY teu Elohim, no lugar que escolher para ali fazer habitar o seu nome, comerás os dízimos do teu grão, do teu mosto e do teu azeite, e os primogênitos das tuas vacas e das tuas ovelhas; para que aprendas a temer a ADONAY teu Elohim todos os dias. E quando o caminho te for tão comprido que os não possas levar, por estar longe de ti o lugar que escolher ADONAY teu Elohim para ali pôr o seu nome, quando teu Elohim te tiver abençoado; Então vende-os, e ata o dinheiro na tua mão, e vai ao lugar que escolher ADONAY teu Elohim; E aquele dinheiro darás por tudo o que deseja a tua alma, por vacas, e por ovelhas, e por vinho, e por bebida forte, e por tudo o que te pedir a tua alma; come-o ali perante ADONAY teu Elohim, e alegra-te, tu e a tua casa; Porém não desampararás o levita que está dentro das tuas portas; pois não tem parte nem herança contigo.” (Debarim/Deuteronômio 14:22-27) Observe: Se a pessoa não pudesse levar os alimentos ao Templo, deveria vendê-los, e trocar por alimentos, mas não daria dinheiro aos sacerdotes. Antes, deveria fazer um banquete na presença do Eterno. VI – O mundo está cada vez pior A impressão de que o mundo está cada vez pior vem de duas coisas. A primeira: a maioria das pessoas tem uma vida mais fácil na infância, e a vida vai se complicando a partir da idade adulta. Logo, a pessoa está condicionada a achar que tudo que tudo tende a piorar. A segunda: Vivemos em plena revolução das telecomunicações, e temos acesso a uma enormidade de informações das quais éramos poupados. Se uma pessoa não assistisse a um noticiário, ou lesse um jornal, poderia passar meses achando que tudo está perfeito. Mesmo se tivesse acesso aos noticiários, frequentemente eram apenas resumos simples, sem mostrar muitas imagens, e que se ocupavam apenas de coisas consideradas mais relevantes. Isso quando não era propositadamente censurado. Hoje, se uma pessoa joga um filhote de koala no rio lá na Austrália, ficamos sabendo em questões de minutos. Isso também gera uma sensação de que o mundo está pior. A história, porém, não confirma essa impressão. Lembre-se que não muito tempo atrás, nas guerras mundiais, governos cometeram genocídios em massa, dizimando boa parte da população, com requintes de crueldade. E o que dizer da Idade Média? Ou do próprio Império Romano? Fato é que, pasme o leitor, na realidade, o mundo está melhor, e não pior. Muito do que era feito outrora a céu aberto, hoje geraria indignação. Claro, você pode estar numa situação pior, ou um país pode ter uma fase pior (como a crise brasileira), mas quando se considera a humanidade como um todo, a coisa muda de figura. Como se não bastasse o fato de que as estatísticas não confirmam essa impressão, ainda a própria Bíblia Hebraica diz, de maneira explícita: “Nunca digas: Por que foram os dias passados melhores do que estes? Porque não provém da sabedoria esta pergunta.” (Qohelet/Eclesiastes 7:10) Para bom entendedor, meia palavra basta. VII – Deus não dá fardo maior do que podemos suportar A ideia é linda. Pode até, dentro de certo contexto, fazer sentido. Mas, não é bíblica. Não existe na Bíblia Hebraica nenhum tipo de afirmação dessa natureza. Imagine um pai, assistindo à morte de seus filhos num campo de concentração nazista. Acaso poderíamos dizer que “Deus não deu a ele fardo que não pudesse suportar?” Essa ideia, na realidade, é uma grande heresia, porque pode acabar gerando nas pessoas as seguintes sensações: 1) A ideia de que tudo o que nos sobrevém é do Eterno. Na realidade, muitas vezes, o que vem a nós é fruto das escolhas da humanidade. Seja de terceiros, seja de parentes, ou seja de nós mesmos. Por exemplo, a Torá diz que se o povo de Israel andasse em rebeldia, o Eterno não os protegeria contra exércitos inimigos. O que, então ocorreria? “Teus filhos e tuas filhas serão dados a outro povo, os teus olhos o verão, e por eles desfalecerão todo o dia; porém não haverá poder na tua mão.” (Debarim/Deuteronômio 28:32) Aqui observamos a consequência das ações dos pais sobre seus próprios filhos. Da mesma forma que, se um de seus pais escolheu se entregar à bebedeira, talvez você tenha tido uma infância dificílima. Acaso ser agredido por um pai embriagado não é fardo pesado demais para ser suportado? 2) A falsa ideia de que tudo seja questão de perseverança. Muitas vezes, quando as coisas dão errado, é sinal de que o caminho está errado, e não de que você precise ter mais fé. Por exemplo, vemos a história de Moshé (Moisés): “E aconteceu que, no outro dia, Moshé assentou-se para julgar o povo; e o povo estava em pé diante de Moisés desde a manhã até à tarde.” (Shemôt/Êxodo 18:13) Sabemos pelo restante da narrativa que Moshé (Moisés) percebeu, através do sábio conselho de seu sogro, que estava fazendo errado de conversar com o povo um por um. Imagine se Moshé, ao invés de acatar o seu sogro, invocasse o chavão de que o Eterno não daria a ele fardo maior do que podia suportar? Moshé teria “perseverado” num caminho ruim, não por fé, mas por pura teimosia. Além disso, existem dezenas de passagens nas quais as pessoas na Bíblia passam por fardos muito maiores do que poderiam suportar. Por exemplo, Dawid (Davi) chega a dizer, quando foi traído por uma pessoa próxima: “Pois não era um inimigo que me afrontava; então eu o teria suportado; nem era o que me odiava que se engrandecia contra mim, porque dele me teria escondido.” (Tehilim/Salmos 55:13) (55:12* em algumas versões). Na verdade, quando entendemos que há fardos demasiadamente pesados para suportar, é nessas horas que entendemos que precisamos ainda mais do Eterno, ou mesmo do apoio de pessoas próximas, que nos ajudem a carregar tais coisas! Conclusão Como se pode ver, existem diversas ideias que, por mais que sejam populares, não necessariamente se fundamentam no Tanakh (Bíblia Hebraica). É importante deixar que as Escrituras falem por si, ao invés de tentarmos encaixar nossas próprias percepções no texto bíblico.

terça-feira, 14 de junho de 2016

A Oração Muda o Coração de Yawheh?

Nossa oração muda o coração de Yawheh? É comum ouvir no meio cristão que nossas orações tem poder para criar coisas, para mover ou mudar o coração de Yawheh e os Seus planos para as nossas vidas? Será isso verdade? Para respondermos a esta pergunta, é necessário respondermos a uma outra pergunta. Como um ser imutável pode mudar de opinião ou mudar os seus planos? A resposta para as duas questões é simplesmente um NÃO. A oração não muda Yawheh e nem altera os Seus planos, também não pode criar ou mudar qualquer situação. Entretanto a oração muda o nosso coração e nos faz aproxima aproximarmos mais dEle e a também ficar no centro da sua vontade, ficando conforme a sua soberana vontade. Yawheh é imutável em sua natureza e em seu propósito final, isso não significa que Sua imutabilidade seja uma imobilidade, as obras de Yawheh permanecem interminavel e com muitas variações (Yochanan 5:17). Os versos que falam sobre mudança ou arrependimento de Yawheh (Gn 6:6-7; Ex 32:14; I Sm 15:11,35; Jr 18:7-11) significa dizer que Yawheh abranda ou muda sua maneira de lidar com o homem, tudo dentro do seu propósito eterno. Apesar de alguns textos bíblicos afirmar que Yawheh se "arrependeu", e isso se chama antropopatismo que é atribuir a Yawheh sentimentos e emoções humanas, prefiro o texto que diz: "Yawheh não é homem para que minta, nem filho do homem para que se arrependa" (Nm 23:19). Alguns argumentarão que os textos são contradizente, mas não é verdade, primeiro porque Yawheh é soberano sempre, o arrependimento de Yawheh, conforme um sentimento humano é contra os princípios da natureza divina, mas se pensarmos que os textos que falam sobre arrependimento, significa a ação da misericórdia de Yawheh, então este está de acordo com a natureza divina e soberana, não ferindo seus princípios. De acordo com este artigo, não podemos mover o coração de Yawheh em nosso favor, ou mudar qualquer situação em nosso favor, seja através das orações ou de qualquer outra atividade humana. Crer que podemos mover Yawheh ou mudar as circunstância em nosso favor através da oração, é crer que Yawheh age em nosso favor, de acordo com nossas atitudes, e que somos livre para tomarmos as decisões que nos convém, de acordo com nossa vontade e desejos. Mas a bíblia diz que somos justificados gratuitamente pela graça de Yawheh (Rm 3:24) e que somos salvos pela graça através da fé, que não vem de nós, mas de Yawheh (Ef 2:8). A oração que move ou muda a Yawheh em nosso favor é um pensamento da Teologia Relacional (este tema merece um post), cujo Yawheh se torna mais humano, semelhante aos deuses gregos. A oração tem um papel importante na vida do discípulo, ela é um meio de relacionamento entre o homem e Yawheh, mas acima de tudo a oração nos muda e nos transforma de acordo com a vontade do Criador. A oração do Pai Nosso é o modelo que devemos adotar em nossas orações, principalmente no quesito "Seja feita a Tua vontade na terra, assim como é feito a vontade do Pai nos céus". Esta é a oração que nos coloca no centro da vontade de Yawheh e que nos transforma para realizarmos os propósitos de Yawheh. A oração confirma a intimidade e confiança que existe entre o discípulo e Yawheh. Quanto mais oramos a oração do Pai Nosso, mais estaremos no centro da Sua vontade, mais realizaremos os Seus desígnios que foram preparados para nós. A minha oração é para que o Espírito de Santidade nos ajude a orar a vontade do Pai, para que sejamos um com Ele e que façamos aquilo para o qual fomos eleitos, sem atrapalhar ou atrasar a obra do Eterno.

quinta-feira, 10 de dezembro de 2015

Aliança condicional e Aliança incondicional

Existem dois tipos de alianças na Bíblia: condicional e incondicional. A "condicional" significa que, para Yawheh cumprir sua parte, a humanidade deve cumprir a sua primeiro. Já as alianças "incondicionais" são aquelas que Yawheh cumpre com o seu poder divino. Cada uma das oito principais alianças na Bíblia cai em uma dessas duas categorias e opera dentro de "dispensações", ou períodos de tempo específicos. Cada uma aborda um conjunto específico de participantes e circunstâncias. 1. A Aliança Edênica (condicional) A Aliança Edênica é uma condicional, encontrada no B'reshit 1:26-31, 2:16-17, que traça as consequências do pecado de Adam e Havá no Jardim do Éden. Sua desobediência determinou o destino de toda a humanidade. Na Aliança Edênica, Yawheh promete a Adam que as bênçãos e maldições dependem da fidelidade da humanidade. Por causa de seu pecado, a aliança prevê que o homem finalmente terá uma morte física e espiritual. 2. A Aliança Adâmica (condicional) A Aliança Adâmica é encontrada em B'reshit 3:16-19 e é uma aliança incondicional. Embora só Yawheh e Adam sejam participantes dessa aliança, Adam é considerado um representante de toda a humanidade, ou seja, a oferta ainda se aplica nos dias de hoje. Na Aliança Adâmica, Yawheh diz a Adam que tipo de dificuldades pode esperar na vida por causa de seu pecado. Muitos estudiosos interpretam essa aliança de maneira a incluir a promessa de um redentor que virá para resgatar os homens da consequência do pecado. Esta aliança determina a vida do homem decaído, e marca condições que prevalecerão até a época do reino eterno. "A própria criatura será liberada do cativeiro da correção para a liberdade da Kavod dos filhos de Elohim '\ Rm 8.21. Os Elementos da Aliança Adâmica, são os seguintes: 1. A Serpente, instrumento de Satanás, amaldiçoada; 2. A primeira promessa de um redentor, Gn 3.15; 3. A condição da Mulher mudada em três sentidos, Gn 3.16: concepção multiplicada; maternidade ligada com sofrimento; sujeição ao homem, Gn 1.26,27. 4. A Terra Amaldiçoada por causa do homem, Gn 3.17; 5. O inevitável cansaço da vida, Gn 3.17; 6. O leve trabalho do Éden, Gn 2.15; mudado para o serviço laborioso, Gn 3.18,19,e 7. A morte física, Gn 3.19; Rm 5.12,2; para a Morte Espiritual (veja-se Gn. 2.17; Ef. 2.5). Yawheh dá uma demonstração que sua atitude para com o Homem é sempre com o intuito de fazê-lo compreender sua pequenez e dependência, mas jamais deixa de prover". Aqui, duas Ofertas Diferentes: 1. Abel. Oferece sangue. Ele mostrou penitência e desejo de aproximar-se de Yawheh. O sacrifício foi feito pela Fé nos atributos que ele via em Yawheh, I Jo 3.12. Devemos observar que havia uma grande diferença na conduta de Caim e Abel, que era um homem de fé e obediente ao Eterno, Gn 4.4; Hb 11.4 e Caim, ofereceu dos frutos do campo que cultivava, demonstrando um espírito de alta confiança, onde temos uma "Oferta Sem Fé", movida pela rebelião e pelo desprezo ao Redentor. Yawheh recebe a oferta de Abel e Caim revolta-se e mata seu irmão: "É bom notar que a "primeira contenda" entre irmãos resultou em ódio, separação e morte ". 2. Caim. Foi o primeiro a construir cidades e o primeiro a glorificar o nome do homem, Gn 4.17. Edificou uma cidade e pôs o nome de seu filho, Hanok. Sua Linhagem Ímpia: Lameque, Gn 4.19. Foi o "primeiro polígamo", isto é, possuiu mais de uma mulher, Gn 4.23,24. Brigou com um rapaz, saiu ferido e o matou. Jabal, um dos filhos de Lameque. Distingue-se como o "primeiro homem a ocupar-se da pecuária e a adotar uma vida nômade", habitando em tendas. Talvez em desafio ao mandamento. Jubal, outro filho de Lameque. Foi o "Inventor de Instrumentos Musicais". A música é do Yawheh e haverá maravilhosa harmonia nos Céus. Tubal-Caim era "fabricante de Artefatos de Ferro e Cobre". Possivelmente, foi o primeiro homem a forjar armas bélicas Por causa desses materiais, Gn 6.13, é "pois a terra está cheia de violência dos homens". Isso indica a orgia de crimes, homicídios e obras iníquas. Esses homens: Jabal, Jubal e Tubal-Caim eram ímpios, Gn 4.26. Depreendemos de Gn 4.25, que o assassinato de Abel teve lugar pouco antes do nascimento de Sete, isto é, uns 130 anos depois da criação do homem. Por isso não devemos pensar que Abel e Caim fossem os únicos filhos de Adam e Havá. Em B'reshit 3.20, lemos: Havá, mãe de todos os viventes; e Gn 5.4, registra que Adam e Havá tiveram filhos e filhas. A tradição diz que foram 33 filhos e 27 filhas. Esses naturalmente tiveram descendências. Por isso quando Abel morreu, provavelmente havia muito mais gente no mundo do que se pensa. Yawheh coloca um sinal em Caim, Gn 4.15. Na V.B. lê-se: "Yawheh deu um Sinal a Caim'9. Não devemos entender que ele fosse marcado, mas que Yawheh, de alguma maneira, assinalou a pretensão divina. Uma pergunta freqüente é esta: "Com quem casou Caim? ". A resposta, por uma suposição, é esta: com uma irmã dele. Você talvez vai ignorar este casamento, mas não deve esquecer que a proibição de casamento com parente próximo, veio só 2.500 anos depois, Lv 18.6. Sabemos que "tais uniões", ilícitas para os Israelitas, eram praticadas por outros povos, Lv 18.24. 3. A Aliança Noética (condicional) Esta Dispensação durou 427 anos, desde o tempo do Dilúvio até a Dispersão do homem sobre a superfície da Terra, Gn 10.35; 11. l O-19. O homem fracassou inteiramente e o julgamento do Dilúvio marca o fim da Segunda Dispensação e o começo da Terceira. A declaração da aliança com Noach sujeita a humanidade a uma prova: "o homem é essencialmente responsável pelo governo do mundo, de acordo com a vontade de Yawheh". Essa responsabilidade pesou sobre os yehudim e gentios, até que o fracasso de Israel sobre a Aliança da Palestina, Dt 28-30.1-10, resultou no julgamento dos cativos quando começaram "os tempos dos gentios", Lc 21.24. O governo do mundo passou definitivamente para os gentios, Dn 2.3 6-45; At 15.14-17, e Israel, como os Gentios, tem governado para si e não para Yawheh. Neste trecho de Noé e seus descendentes, contém alguns pontos que pedem a nossa atenção: a bênção e a promessa de Yawheh', o pacto que fez com Noach e com toda a alma vivente. O arco-íris, Gn 9.12,17. Alguns pensam que antes do Dilúvio, nunca houve chuva, Gn 2.6. Ezequiel teve uma visão, Ez l .28: "Como o aspecto do arco que aparece no dia da chuva, assim era o aspecto do resplendor em redor. Este era o aspecto da semelhança da kavod do Yawheh; e, vendo isto, caí sobre o meu rosto, e ouvi a voz de quem falava". Em Gn 9.21, lemos sobre a embriaguez, de Noach que nos faz ver que até um homem ricamente abençoado por Yawheh pode ser vencido por pecados carnais. De passagem, notamos o procedimento correio de Sem e Jafé, que em tempos remotos tiveram um sentimento moral tão desenvolvido como o dos mais ilustrados de hoje. Notamos também, como a maldição caiu sobre Canaã, o filho mais moço de Cão, e não sobre seu pai, e desde então os Cananitas foram adversários do povo de Yawheh, até serem totalmente extintos da Terra, Is 17.18. Se a Bíblia não tivesse registrado: a embriaguez de Noé; o adultério de Davi e a mentira de Pedro, estaríamos imaginando que os homens piedosos do passado eram diferentes de nós mesmos, pois temos tido nossos lapsos na senda da retidão. Verificamos que tal falha não nos autoriza cairmos no mesmo delito, porque deles já temos a história e o aviso: "Olha, Não Caia). Quatro Raças originaram-se dos quatro filhos de Cão. Essas por sua vez subdividiram depois, povoaram as terras da África, da Arábia Oriental, da Costa Oriental do Mar Mediterrâneo e do grande Vale dos rios Tigre e Eufrates. Descendentes de Noach: a) Jafé: zona Norte das nações e as proximidades dos mares Negro e Cáspio: as raças caucásicas da Europa e Ásia. b) Cão: zona Sul das nações, a Arábia Meridional e Central, o Egito, a costa oriental do Mediterrâneo e a costa oriental da África. (Canaã, filho de Cão). c) Sem: zona central das nações. Os semitas incluíam os yehudim, assírios e sírios, na parte Norte do vale do Eufrates. A Aliança com Noé, Gn 9.1-17: 1) Confirmação de que o homem seria relacionado à terra, conforme a Aliança Adâmica, Gn8.21; 2) Confirmação da ordem da natureza, Gn 8.22; 3) Estabelecimento do governo humano, Gn 9. l -6; 4) Garantia de que a Terra não sofreria outro Dilúvio, Gn 8.21; 9.11; 5) Declaração profética de que procederia de Cão uma posteridade inferior e serviçal, Gn9.24.25; 6) Declaração profética de que haveria uma relação especial entre Yawheh e Sem, Gn9.26.27, e 7) Declaração profética de que de JAFÉ procederiam as "raças dilatadas ", Gn 9.27. Os governos, as ciências e as artes têm provido, geralmente, de descendentes de Jafé; assim a História tem confirmado o exato cumprimento dessas declarações. A Torre de Babel, Gn 11 Neste capítulo do B'reshit encontramos o começo da confederação e do engrandecimento humano. E Yawheh desaprovou essa confederação: impediu o projeto de se fazer uma alta torre que tocasse no "céu". É interessante confrontar com este começo o desenvolvimento de confederações humanas de hoje e a multiplicação de nomes partidários. A Descendência de Sem. Vemos que a posteridade abençoada por Yawheh nem sempre seguiu pela linha do primogênito. Arpachade era o terceiro filho de Sem, Gn 10.22, e não o primeiro. Em Gn 5, vemos que as idades dos patriarcas vão quase sempre diminuindo. Porventura seria licito entender que os anos eram, no princípio, mais curtos do que atualmente 7 Somente assim poderemos compreender o caso de um homem esperar uns 100 anos antes de nascer-lhe um filho. 4. A Aliança Abraâmica (incondicional) A Aliança Abraâmica é uma aliança incondicional em que Yawheh faz uma promessa a Avraham de que ele seria pai de muitas nações diferentes e que iria prosperar e ser abençoado. Através de Avraham, veio a raça dos yehudim, e o sinal da aliança é a circuncisão. Os detalhes da aliança de Avraham pode ser encontrados em B'reshit 12:1-4, 13:14-17, 15:1-7, 17:1-8. O alcance individual das bênçãos. A Bíblia revela que Yawheh trata com pessoas e não apenas com nações. É o que aprendemos com a vida de Avraham. Na Antiga Aliança, as bênçãos contemplavam o presente, mas também apontavam para o porvir. Eram circunstanciais, porém sinalizavam algo permanente. As bênçãos, portanto, eram tanto temporais como eternas. Os temporais eram aqueles que diziam respeito à realidade pessoal do patriarca; as eternas referiam-se às promessas que estavam por se cumprir na plenitude dos tempos (Gl 4.4). Quando Yawheh chamou Avram de Ur dos CalYawheh, o patriarca não partiu motivado por expectativas materiais e financeiras, mas saiu para cumprir a vontade divina. Mas nem por isso Avraham deixou de ser abençoado com bens materiais (Gn 24.35). Ele sabia como lidar com o transitório, pois tinha a mente no eterno. A Aliança Abraâmica é a precursora das Alianças redentoras e todas as bênçãos espirituais de Yawheh partem dela (ver B'reshit 12.1-3,7; 13.14-17; 15.1-21; 17.1-21; 22.15-18). Essa Aliança representa uma questão fundamental na profecia bíblica, no que diz respeito à ainda ser ou não válida para o povo de Israel. As três principais promessas da Aliança Abraâmica estão relacionadas com terra, semente (descendência) e uma bênção que se estenderá para todo o mundo (B'reshit 12.1-3). Enquanto Avraham e seus descendentes diretos – Israel – são os principais envolvidos na promessa, os gentios também são incluídos como participantes. A Aliança pode ser subdividida em 14 aspectos (a partir do texto de B'reshit): 1. Uma grande nação surgiria de Avraham: Israel (12.2; 13.16; 15.5; 17.1-27; 22.17). 2. Ele recebeu a promessa de uma terra específica: a terra de Canaã (12.1,5-7; 13.14-15,17; 15.18-21; 17.8). 3. O próprio Avraham seria abençoado (12.2; 15.6; 22.15-17). 4. O nome de Avraham seria grande (12.2). 5. Avraham seria uma benção para os outros (12.2). 6. Os que o abençoassem seriam abençoados (12.3). 7. Os que o amaldiçoassem seriam amaldiçoados (12.3). 8. Em Avraham todos os habitantes da terra seriam abençoados já que era uma promessa que se estenderia aos gentios (12.3; 22.18). 9. Avraham teria um filho com sua esposa, Sara (15.1 -4; 17.1 ó-21). 10. Seus descendentes seriam escravos no Egito (15.13-14). 11. Assim como Israel, outras nações surgiriam de Avraham (17.3-4,6); os Estados árabes são algumas dessas nações. 12. Seu nome seria mudado de Avram para Avraham (17.5). 13. O nome de Sarai seria mudado para Sara (17.15). 14. Haveria um sinal da aliança – a circuncisão (17.9-14). De acordo com a Aliança Abraâmica, a circuncisão era uma identificação do que é ser judeu. As 14 promessas são distribuídas e se cumprem nas três partes: 1. Avraham – 1,2,3,5,6,9,11,12,13 2. Israel, a semente – 1,2,5,6,7,10,14 3. Gentios – 6,7,8,11 Dessa maneira, pode-se dizer que as promessas de terra da aliança abraâmica são desenvolvidas na aliança palestina, as promessas de semente são desenvolvidas na aliança davídica e as promessas de benção são desenvolvidas na nova aliança. Esta, então, determina todo o futuro plano para a nação de Israel e é um fator de grande importância na escatologia bíblica. O Caráter da Aliança Abraâmica Como a aliança abraâmica trata da posse da Palestina por Israel, de sua continuidade como nação para possuir essa terra e de sua redenção a fim de que possa gozar a benção na terra sob seu rei, é de grande importância descobrir o método de cumprimento dessa aliança. Se é uma aliança literal a ser cumprida literalmente, então Israel deve ser preservado, convertido e restaurado. Se é uma aliança incondicional, esses acontecimentos na vida nacional de Israel são inevitáveis. Elemento Condicional Enquanto Avraham morava na casa de Terá, um idólatra (Js 24.2), Yawheh ordenou que ele deixasse a terra de Ur, embora isso exigisse jornada a uma terra estranha e desconhecida (Hb 11.8), e fez promessas específicas que de pendiam desse ato de obediência. Avraham, em obediência parcial, visto que não quis separar-se de sua família, viajou a Harã (Gn 11.31). Ele não recebeu nenhuma das promessas ali. Apenas com a morte do pai (Gn 11.32) é que Avraham começa a receber alguma parte da promessa de Avraham, pois somente depois desse fato é que Yawheh o leva para a terra (Gn 12.4) e lhe reafirma a promessa original (Gn 12.7). É importante observar a relação da obediência com o plano da aliança. Quer Yawheh instituísse um plano de aliança com Avraham, quer não, isso dependia do ato de obediência de Avraham em abandonar a terra. Quando, por fim, esse ato foi cumprido e Avraham obedeceu a Yawheh, Yawheh instituiu um plano irrevogável e incondicional. Essa obediência, que se tornou a base da instituição do plano, é citada em B'reshit 22.18, em que a oferta de Ytschak é apenas mais uma evidência da atitude de Avraham para com Yawheh. A existência de um plano de aliança com Avraham dependia do ato de obediência de Avraham. Quando ele obedeceu, a aliança instituída dependia não da obediência continuada de Avraham, mas da promessa de quem a instituiu. O fato da aliança dependia da obediência; o tipo de aliança inaugurada era totalmente desvinculado da obediência continuada de Avraham ou de sua semente. Elemento Incondicional (visão pré-milenista) A questão de a aliança abraâmica ser condicional ou incondicional é reconhecida como ponto crucial de toda a discussão relacionada ao cumprimento da aliança abraâmica. Vários argumentos têm sido apresentados para apoiar a proposta dos pré-milenistas quanto ao caráter incondicional dessa aliança: 1) Todas as alianças de Israel são incondicionais, com exceção da mosaica. A aliança abraâmica é expressamente declarada eterna e, por consequência, incondicional em várias passagens (Gn 17.7,13,19; l Cr 16.17; Sl 105.10). A aliança palestina também é declarada eterna (Ez 16.60). A aliança davídica é apresentada da mesma forma (2Sm 7.13,16,19; l Cr 17.12; 22.10; Is 55.3; Ez 37.25). A nova aliança com Israel é igualmente eterna (Is 61.8; Jr 32.40; 50.5; Hb 13.20). 2) Com exceção da condição original de abandonar sua terra natal e dirigir-se à terra prometida, a aliança é firmada sem condições. 3) A aliança abraâmica é confirmada repetidamente por reiteração e por ampliação. Em nenhuma dessas ocasiões as promessas adicionadas se condicionam à fé da semente ou do próprio Avraham; nada se diz sobre ela estar sujeita à fé futura de Avraham ou de sua semente. 4) A aliança abraâmica é formalizada por um ritual divinamente ordenado que simboliza o derramamento de sangue e a passagem entre as partes do sacrifício (Gn 15.7-21; Jr 34.18). Essa cerimônia foi dada a Avraham como garantia de que sua semente herdaria a terra nas mesmas fronteiras dadas a ele em Gênesis 15.18-21. Nenhuma condição está conectada à promessa nesse contexto. 5) Para distinguir os que herdariam as promessas como indivíduos dos que eram apenas a semente física de Avraham, foi dado o sinal visível da circuncisão (Gn 17.9-14). Os incircuncisos eram considerados não alcançados pela bênção prometida. O cumprimento último da aliança abraâmica e a posse da terra pela semente não dependiam, contudo, da fidelidade ao pacto de circuncisão. Na verdade as promessas da terra fo ram concedidas antes que a cerimônia fosse introduzida. 6) A aliança abraâmica foi confirmada pelo nascimento de Isaque e de Jacó, os quais receberam repetições das promessas na forma original (Gn 17.19; 28.12,13) 7) O fato notável é que as repetições da aliança e o seu cumprimento parcial acontecem a despeito da desobediência. E claro que em vários instantes Avraham se afastou da vontade de Elohim. No próprio ato as promessas são repetidas a ele. 8) As confirmações posteriores da aliança foram feitas em meio a apostasia. Muito importante é a promessa dada por Yirmeyahu de que Israel continuaria como nação para sempre (Jr 31.36) 9) A Brit Hadasha declara a aliança abraâmica imutável (Hb 6.13-18; cf. Gn 15.8-21). Ela não foi apenas prometida, mas solenemente confirmada pelo juramento de Yawheh. 10) Toda a revelação das Escrituras a respeito de Israel e de seu futuro, contida na Brit Hadasha e no Tanak, se interpretada literalmente, confirma e sustenta o caráter incondicional das promessas feitas a Avraham. Argumentos amilenistas contra o caráter incondicional da aliança Abraâmica Oswald T. Allis, um dos principais defensores da posição amilenista, sistematiza o pensamento dessa escola de interpretação. 1) "Deve-se observar que pode haver uma condição numa ordem ou promessa sem estar especificamente declarada. Exemplo disso é a carreira de Yonah. Yonah recebeu a ordem de pregar juízo incondicional, sem nenhuma reserva: "Em quarenta dias, Nínive será destruída" [...] A condição não declarada foi pressuposta no próprio caráter de Yawheh como um Yawheh de misericórdia e compaixão [...] O juízo da família de Eli (1 Sm 2.30) é exemplo notável desse princípio." Allis argumenta que pode haver condições implícitas, não declaradas. Contra-argumento Em resposta a esse argumento, podemos observar que Allis começa com uma admissão desconcertante — não existem condições declaradas nas Escrituras nas quais o amilenista possa buscar confirmação de sua defesa. Toda a sua posição repousa no silêncio, em condições implícitas e não declaradas. No caso de Eli, não existe nenhuma relação, pois Ele estava vivendo sob a economia mosaica, condicional em seu caráter e sem relação com a aliança abraâmica. O fato de a aliança mosaica ser condicional não significa que a aliança abraâmica também precise ser. E, além disso, no que diz respeito a Yonah, devemos observar que também não existe relação. A mensagem que Yonah pregou não constituía uma aliança e não se relaciona de forma alguma à aliança abraâmica. Era um princípio bem estabelecido das Escrituras (Jr 18.7-10; 26.12,13; Ez 33.14-19) que o arrependimento afastaria o juízo. O povo se arrependeu e o juízo foi retirado. Mas a pregação de Yonah, da qual é dada apenas uma declaração resumida, de forma alguma altera o caráter da aliança abraâmica. 2) "É verdade que, nos termos expressos da aliança abraâmica, a obediência não é declarada como condição. Mas dois fatos indicam claramente que a obediência estava pressuposta. Um, é que obediência é a pré-condição de bênção em todas as circunstâncias. O segundo fato é que, no caso de Avraham, o dever da obediência é particularmente salientado. Em Gênesis 18.17s. diz claramente que, da escolha de Avraham, Yawheh propôs trazer à existência, por piedosa preparação, uma semente justa que "guardaria o caminho do Senhor", para que em consequência e recompensa de tal obediência "o Senhor cumpra a Avraham tudo o que a respeito dele falou". Contra-argumento Mais uma vez, Allis reconhece que as Escrituras não contêm, em parte alguma, nenhuma declaração de condições estipuladas. Embora isso devesse ser suficiente em si mesmo, há outras considerações concernentes a esse argumento. Primeiramente, é errado declarar que a obediência é sempre uma condição para a bênção. Se isso fosse verdade de, como poderia um pecador ser salvo? Mais uma vez, é importante observar que uma aliança incondicional, que confere certeza ao plano pactual, pode conter bênçãos condicionais. O plano será cumprido, mas o indivíduo recebe as bênçãos relacionadas apenas por ajustar-se às condições das quais essas bênçãos dependem. E o caso da aliança abraâmica. Além do mais, já foi dito que, embora a instituição do plano pactual entre Yawheh e Avraham de pendesse do ato de obediência deste em abandonar sua casa, uma vez inaugurada a aliança, ela não impunha condição alguma. E, finalmente, a aliança é reafirmada e ampliada para Avraham depois de atos defini dos de desobediência (Gn 12.10-20; 16.1-16). 3) "A obediência foi vitalmente ligada à aliança abraâmica e isso é demonstrado com clareza especial pelo fato de que havia um sinal, o rito da circuncisão, cuja observância era de fundamental importância. A eliminação do povo da aliança era a punição para quem não o observasse. O rito era em si um ato de obediência (1 Co 7.19)." Contra-argumento Em resposta a essa alegação, é suficiente destacar que o rito da circuncisão, dado em Gênesis 17.9-14, veio muitos anos após a instituição da aliança, e após repetidas reafirmações a Avraham (Gn 12.7; 13.14-17; 15.1-21). Que motivo há em exigir que um sinal siga a aliança quando a aliança está claramente em vigor antes da instituição do sinal? Então, novamente, a partir de um estudo do rito conclui-se que a circuncisão está relacionada ao gozo das bençãos da aliança e não à sua instituição ou continuidade. 4) "Os que insistem em que a aliança abraâmica foi totalmente incondicional na verdade não a consideram como tal; isso também é demonstrado pela grande importância que os dispensacionalistas atribuem ao fato de Israel estar "na terra" como condição prévia da benção sob essa aliança." 5) "Que os dispensacionalistas não consideram a aliança abraâmica totalmente incondicional também se evidencia pelo fato de que jamais os ouvimos falar sobre a reintegração de Ezav à terra de Canaã e à completa bênção sob a aliança abraâmica. Mas, se a aliança abraâmica fosse incondicional, por que Ezav foi excluído das bênçãos?" Contra-argumento Esses dois argumentos podem ser respondidos juntos. Em cada caso, que o que se tem em mente é o relacionamento com as bençãos, não o relacionamento com a continuidade da aliança. Como se afirmou anteriormente, as bençãos eram condicionadas à obediência, à permanência no lugar da bênção. Mas a aliança em si vigorava quer estivessem na terra, quer fossem contemplados ou não com a bênção. Por outro lado, se a desobediência e a retirada da terra anulassem a aliança, não importaria se Ezav tivesse permanecido na terra ou não. Mas, já que bênçãos cairiam sobre o povo da aliança, Ezav foi excluído porque não estava qualificado para recebê-las, uma vez que não cria nas promessas. Observamos que a primogenitura (Gn 25.27-34) desprezada por Ezav era a promessa de que ele seria o herdeiro da aliança abraâmica. Já que essa se baseava na integridade de Yawheh, Ezav deve ser visto como homem que não cria que Yawheh pudesse cumprir ou cumprisse a Sua palavra. Da mesma forma, a bênção desprezada (Gn 27) lhe pertencia sob a aliança, e dela Ezav foi privado por causa de sua descrença manifesta no desdém em relação à primogenitura. A rejeição de Ezav ilustra o fato de que a aliança era seletiva e deveria ser cumprida por meio da linhagem escolhida por Yawheh. 6) "A certeza do cumprimento da aliança não se baseia no fato de ser incondicional, nem seu cumprimento depende da obediência imperfeita de homens pecadores. A certeza do cumprimento da aliança e a segurança do crente sob ela, em última análise, dependem totalmente da obediência a Yawheh." Contra-argumento É impossível deixar de notar a mudança completa na linha de raciocínio nesse aspecto. Até aqui sustentou-se que a aliança não será cumprida porque ela é uma aliança condicional. Agora se afirma que a aliança será cumprida com base na obediência de Mashiach. Como nossas bençãos espirituais são resultado dessa aliança (Gl 3), o amilenarista é obrigado a reconhecer algum cumprimento. Se ela tivesse sido ab-rogada, Mashiach jamais teria vindo. Se a segurança oferecida sob ela fosse condicional, não haveria certeza de salvação. Conquanto concordemos largamente que todo cumprimento se baseia na obediência de Mashiach, esse fato não altera o caráter essencial da aliança que tornou necessária a vinda de Mashiach. Se Mashiach veio como cumprimento parcial da aliança, sua segunda vinda promete um cumprimento completo. 7) a) "Com respeito à semente, devemos observar que as mesmas palavras que aparecem na aliança são usadas para a nação de Israel na época de Shelomo. Isso indicaria que a promessa foi considerada cumprida nesse aspecto na época de ouro da monarquia." b) "Com respeito à terra, o domínio de Davi e de Shelomo estendia-se do Eufrates ao rio do Egito. Israel tomou posse da terra prometida aos patriarcas. Eles a possuíram, mas não “para sempre”. Aposse da terra foi perdida pela desobediência ela pode ser considerada cumprida séculos antes do primeiro advento…" Contra-argumento A aliança não terá cumprimento futuro por que já foi cumprida historicamente. A história de Israel, mesmo sob a glória dos reinados de Davi e de Shelomo, nunca realizou a promessa feita a Avraham. Logo, à experiência histórica citada não podemos atribuir cumprimento. Mais ainda, se a aliança fosse condicional, visto que Israel esteve muitas vezes em desobediência entre a instituição da aliança e o estabelecimento do trono de Davi, como explicar algum cumprimento? A incredulidade que se seguiu à era de Davi não se diferenciava da que a precedeu. Se a descrença posterior anulava a aliança, a descrença anterior teria impedido qualquer espécie de cumprimento. Implicações Escatológicas da Aliança Abraâmica O significado da Aliança Abraâmica para a profecia bíblica está relacionado com a maneira de vermos como Yawheh está cumprindo as Suas promessas. É consenso que Yeshua facilita o cumprimento de muitos aspectos da aliança (Galatas 3.6-4,11). Amilenistas, pós-milenistas e teólogos aliancistas normalmente crêem que a Kehilá se apossou de todas as promessas, enquanto a nação de Israel foi posta de lado. Os pré-milenistas em geral acreditam que a Kehilá é co-participante das bençãos espirituais da aliança (Carta aos israelitas em Roma 15.27; Galatas 3.6-29). Eles concluem que no futuro Israel experimentará o cumprimento das suas promessas nacionais, quando o povo voltar a ser reunido e aceitar Yeshua como Messias. Assim, a Kehilá é vista como participante, através de Avraham, das promessas e não como suplantadora daquilo que foi estipulado para ser cumprido através da nação de Israel. Apenas o cumprimento literal de todas as bençãos para Israel, para os gentios e para a Kehilá faz justiça ao plano de Yawheh, conforme estabelecido na Bíblia. Uma vez verificado que a aliança abraâmica é uma aliança incondicional feita com Israel, que consequentemente não pode ser cumprida nem abolida por nenhum outro povo além da nação de Israel, observamos que Israel tem promessas com respeito à terra e à descendência que determinam o plano de Yawheh. Os termos terra e descendência, juntamente com a palavra benção, resumem os aspectos essenciais da parte escatológica da aliança. Um exame da promessa de Yawheh a Avraham mostrará a dupla ênfase da promessa. "Darei à tua descendência esta terra (Gn 12.7). Porque toda essa terra que vês, eu ta darei, a ti e à tua descendência, para sempre. Farei a tua descendência como o pó da terra; de maneira que, se alguém puder contar o pó da terra, então se contará também a tua descendência (Gn 13.15,16). Naquele mesmo dia fez o Yawheh aliança com Avram, dizendo: À tua descendência dei esta terra, desde o rio do Egito até ao grande rio Eufrates (Gn 15.18). Estabelecerei a minha aliança entre mim e ti e a tua descendência no decur so das suas gerações, aliança perpétua, para ser o teu Yawheh e da tua descendência. Dar-te-ei e à tua descendência a terra das tuas peregrinações, toda a terra de Canaã, em possessão perpétua, e serei o seu Yawheh (Gn 17.7,8)" 5. A Aliança Mosaica (condicional) A Aliança Mosaica era uma condicional que Yawheh fez entre Ele e Moshe. Encontrada em Êxodo 20:01 - 31:18, essa aliança contém os mandamentos que Yawheh deu aos israelitas por eles descobrirem a vontade de Yawheh para governar o povo. A Dispensação da Lei teve uma duração de 1.430 anos: do "Êxodo do Egito" até a "Crucificação de Mashiach". Para estudarmos este livro, onde começa a Quinta Dispensação, vamos verificar de!, importantes revelações de Yawheh, a saber: 1) O "Eu Serei”, na sarça ardente - Um Yawheh que mantém aliança; 2) As pragas - Um Yawheh de punição; 3) A Páscoa - Um Yawheh de redenção; 4) A travessia do Mar Vermelho - Um Yawheh de poder; 5) A jornada até o Sinai - Um Yawheh de provisão; 6) A Lei - Um Yawheh de santidade; 7) Tabernáculo, sacerdote, ofertas - Um Yawheh de comunhão; 8) A punição devida do bezerro de ouro - Um Yawheh de disciplina; 9) A Renovação da Aliança - Um Yawheh de graça; 10) A vinda da glória - Um Yawheh de glória. "Porque a Lei foi dada por intermédio de Moshe; a graça e verdade vieram por Yeshua Mashiach '\ Jo l. 17. É bom lembrar que está Dispensação pode ser chamada de Dispensarão dos Israelitas. Devemos lembrar que o cenário histórico data de 1440 a.C. aproximadamente. Sabemos que a data do Êxodo foi por volta de 1445 a.C. Além desta outra data, também é defendida pelos estudiosos do AT, a de 1290 a.C. O tema do livro: "Redenção e organização de Israel como povo da Aliança". Em Gn 19.3 começa a Quinta Dispensação, quando a Lei foi colocada em ênfase dos princípios de Yawheh. Israel chega ao monte Sinai depois de 3 meses de uma longa viagem. Neste momento. Yawheh chama-o a um Concerto mais sério, e passa-lhe uma no vá lição: 1. Mediante ao mandamento aprendeu a Santidade de Yawheh; 2. Mediante ao seu próprio erro, aprendeu a sua fraqueza pecaminosa; 3. Mediante a provisão do sacerdócio e do sacrifício, aprendeu a Bondade de Yawheh. Em Gl 3.6-25, aprendemos a relação da Lei para com a Aliança Abraãmica: 1. A Lei não pode anular esta aliança; 2. Foi "acrescentada " para convencer do pecado; 3. Servia de pedagoga até a vinda de Mashiach; 4. Era uma disciplina preparatória "até que viesse a semente ". A trajetória de Israel no deserto e em Canaã é uma longa história de violação da Lei. A Lei foi dada de três maneiras: 1.) Verbalmente, Êx 20.1-17. Isto era lei pura, sem nenhuma provisão de sacerdócio ou sacrifício, e foi acompanhada das "Ordenanças", Ex 21.1-23.13, relativas às relações de hebreus com hebreus; a isto foram acrescentadas, Ex 23.14- 49, direções diferentes às três festas anuais, Êx 23.30-33, e inscrições sobre a conquista de Canaã. Estas palavras Moshe comunicaram ao povo, Êx 24.3-8. Imediatamente, na pessoa dos seus anciões, foram admitidos na presença de Yawheh, ÊX24.9-11. 2) Moshe foi então chamado ao monte para receber as tábuas de pedra, Êx 24.12-18. A história então se divide. Moshe no monte recebe instruções referentes ao Tabernáculo, ao sacerdócio e aos sacrifícios, Êx 25-31. No entanto, o povo, Êx 32, chefiado por Aarão, transgride o primeiro mandamento. Moshe, voltando, quebra as tábuas escritas pelo dedo de Yawheh, Êx 31.18; 32.16-19. 3°) As segundas tábuas são feitas e a Lei escrita novamente (por Moshe?) na presença de Jeová, Êx 34.1,28,29. Os Dez Mandamentos A Aliança Mosaica foram dados a Israel com três divisões, cada uma ligada às outras, e, conjuntamente, formando a Aliança Mosaica. Os Dez Mandamentos, expressão da vontade de Yawheh para seu povo, Ex 20.1- 26; Os Juízos, governo da vida social de Israel, Êx21.1 - 24.11; e as Ordenanças, governando a vida religiosa de Israel, Êx 24.12 - 31.18. Estes três elementos formam a "LEI" como essa palavra se emprega no NT, Mt 5.17,18. Os Mandamentos e Ordenanças formam um só sistema religioso. Os mandamentos foram um "Ministério de Condenação) e de "Morte)), II Co 3.7-9. Os Dez Mandamentos são: 1) Não terás outros Elohim diante de mim; 2) Não farás para ti imagem de escultura; 3) Não tomarás o nome do Eterno teu Yawheh em vão; 4) Lembra-te do dia de sábado para o santificar; 5) Honra a teu pai e a tua mãe; 6) Não matarás; 7) Não adulterarás; 8) Não furtarás; 9) Não dirás falso testemunho; 10) Não cobiçarás. TABERNÁCULO Passaremos à história do Tabernáculo, considerado a grande Tipologia do Plano da Salvação, uma ordenança de Yawheh a Moshe para proteção e orientação do povo de Yawheh. Vejamos alguns significados: 1. Tenda provisória onde Yawheh falava ao seu povo, Êx 33.3-10; 2. Construção portátil em forma de tenda, Êx 25.8,9; 3. Recebeu o nome de habitação, Êx 25.9; 4. Onde estava depositada a tábua da lei; 5. O tabernáculo do testemunho; 6. Denominado casa do Senhor, Êx 34.26; 7. Sua planta foi dada pelo Senhor a Moshe, Êx 25.22. Verifique Sua Planta: PERDÃO Pelo sacrifício do sangue PURIFICAÇÃO Pela limpeza PODER DE YAWHEH Pela participação, percepção e oração PRESENÇA DE YAWHEH Pelo Sangue aspergido e Obediência 1. O Tabernáculo simboliza: Israel aproximando-se de Yawheh; 2. Tipificou a obra redentora de Mashiach para trazer os pecadores a Yawheh. 6. A Aliança Israelita (condicional) Os detalhes da Aliança Israelita são dados em D’varim 30:1-10. Algumas pessoas têm se referido a essa aliança como a "Aliança Palestina", no entanto, a Bíblia não se refere assim a ela. Aqui, Yawheh faz uma promessa incondicional aos filhos de Israel de que ele vai dar-lhes uma terra própria. Esse pacto também inclui uma disposição que, quando a terra for dada para essa nação, as pessoas vão estar todas unidas mais uma vez servindo a Yawheh, e seus inimigos serão destruídos. 7.A Aliança Davídica (incondicional) A Aliança Davídica é a promessa incondicional de Yawheh a Davi de que ele teria uma dinastia eterna. Encontradas em 2 Samuel 7:4-16 e 1 Crônicas 17:3-15, as disposições da Aliança Davídica giram em torno de três componentes principais: um trono eterno, Rei eterno (Yirmeyahu 32:21) e um reino eterno (Daniel 7:14). O Cristianismo traça a linhagem de Davi a Yeshua Mashiach, que era descendente de Davi a muitas gerações, e vê Mashiach como o legítimo herdeiro. 8. A Aliança de Yawheh com Shelomo (condicional) Com Shelomo a aliança era incondicional em relação ao reino eterno de Yawheh, mas condicional no que diz respeito aos descendentes de Shelomo ocuparem o trono (1Rs 8.4,5; 2Cr 7.17,18). Mashiach não pertence a linhagem de Shelomo, caso contrário sofreria a maldição imposta a Conias(Jr22.30). Aliança salomônica (2Sm 7.12,15; 1Rs 8.4,5; 2Cr 7.11,22). indiscutivelmente foi um dos Maiores reis do mundo antigo. Lendo 1Cron 22. 9, ele era filho do rei Davi com Bate seba, o terceiro rei de Israel. 1Reis caps 1-11 e 2Cron 1-9, narram a sua história. Em 1Reis 3. 10-14) Yawheh lhe aparece e faz faz promessas, Shelomo pede Sabedoria, não simplesmente inteligência. "O Conceito Hebraico de Sabedoria Sempre envolve a habilidade"(de destingui entre o certo e o Errado). Yawheh respondeu com 3 Promessas Incondicionais e uma Condicional. Foi garantido a Shelomo Sabedoria, riqueza e honra. Foi lhe prometido vida longa" se andar nos meus Caminhos", Promessas incondicionais também são dadas a nós. Ainda que algumas bençãos Permaneçam Condicionadas à Nossa Obediência. Ele Reinou durante 40 anos em Israel. Shelomo mantinha relações amistosas com o Egito e se casou com a filha de Faraó. Durante o seu reinado ele dominava todas às terras conquistadas pelo rei Davi (1 Reis.5. 4), e na Palestina subjugou todos os Povos que não era Israelitas 1 Reis 9 .20-21. O Reinado de Shelomo foi um período de riqueza e grandiosidade sem paralelo em Israel. Foi também um Período áureo para a literatura. Associamos os Salmos a Davi. Mas Shelomo e sua época estão relacionados com Provérbios. de acordo com a tradição., ele escreveu Eclesiastes e Cânticos dos Cânticos. Esses livros nos dão muitas informações do Homem Shelomo, conhecido por sua sabedoria, mas que ainda assim teve um fim trágico, pois na velhice desviou- se do Compromisso incondicional para com Yawheh. Durante os longos anos de reinado de Shelomo foi de uma glória crescente em Israel. Às Nações poderosas e tradicionais do Mundo antigo > os egípcios e os hititas-e os Impérios ainda por surgir > Assíria e Babilônia-não atacaram Israel no tempo de Davi e Shelomo. (DIPLOMAÇIA), Shelomo também desenvolveu laços íntimos com Hirao 1, o rei feniçio de tiro=978-944 a.C.". No entanto o Comercio uniu os dois Paises. Tiro contribuiu com os" cedros do Líbano", e Israel com o fornecimento de trigo e outros produtos alimentícios. ECONOMIAS". Shelomo, investiu em parcerias comerciais por terra e por mar. E assim Yawheh não levou adiante aquela aliança com ele pois Shelomo se desviou do propósito divino, além do fato de a aliança ser realizada em caráter condicional. 9. A Nova Aliança (condicional) A Nova Aliança é aquela mencionada muitas vezes em todo o Tanak, a promessa de uma futura Era Messiânica. Os cristãos acreditam que Yeshua Mashiach é o Messias prometido que preside a Nova Aliança. A principal referência da Nova Aliança é encontrada em Yirmeyahu 31:31-40. Essa é uma aliança incondicional que foi estabelecida entre Yawheh e toda a humanidade que opta por participar de uma vida de obediência a uma nova fonte de eterna salvação (Hb 5:09), vista no Cristianismo como a promessa de Mashiach. Uma das disposições inclui a liberdade das leis dadas na Aliança Mosaica. Um Superior Sacrifício pelo Pecado Dia após dia, um sacerdote levita entrava no templo e oferecia sacrifícios de animais para a remissão de pecados, conforme determinava a Lei de Moshe. O sistema sacrificial da Lei era apenas uma sombra do que Yeshua iria realizar no futuro, através de Sua morte na cruz. O Livro de Hebreus ilustra de duas maneiras a ineficácia dos sacrifícios levíticos para remover o pecado. Em primeiro lugar, se o sacrifício pelo pecado aperfeiçoasse quem o oferecia em adoração, não haveria necessidade de repeti-lo (Hb 10.2). Em segundo lugar, se os israelitas tivessem sido verdadeiramente purificados do pecado através de sacrifícios de animais, “não mais teriam consciência [senso] de pecados” (Hb 10.2). Mas o fato é que nenhum de seus sacrifícios podia torná-los perfeitos ou livrá-los da consciência do pecado (Hb 9.9). Por quê? “Porque é impossível que o sangue de touros e de bodes remova pecados” (Hb 10.4). O sangue de animais não tinha o poder de efetuar a redenção; a imolação ritual não podia purificar a carne, isto é, realizar a purificação cerimonial (Hb 9.13). Através de um nítido contraste, o Livro de Hebreus explica como Yawheh providenciou um sacrifício melhor para a redenção do homem. Yawheh Pai enviou Seu Filho Yeshua para ser o sacrifício pelo pecado. Yeshua tomou parte na obra da redenção e tornou-se o sacrifício da expiação, com profundo e total envolvimento, e não em resignação passiva. Obedecendo à vontade do Pai, Mashiach entregou Seu corpo como uma oferta definitiva, permitindo que o pecado do homem fosse removido (Hb 10.5-10). A conclusão é óbvia: Yawheh revogou o primeiro sacrifício, que dependia da morte de animais, para estabelecer o segundo sacrifício, que dependia da morte de Mashiach. Qual a diferença entre o sacerdócio de Mashiach e o sacerdócio dos levitas? Na Antiga Aliança, centenas de sacerdotes levitas ofereciam, continuamente, sacrifícios inefetivos que “nunca jamais podem remover [apagar completamente] pecados” (Hb 10.11); mas o sacrifício de Mashiach removeu os pecados, de uma vez por todas. Os sacerdotes araônicos ofereciam sacrifícios pelo pecado, dia após dia; Mashiach sacrificou-se uma só vez. Os sacerdotes araônicos sacrificavam animais; Mashiach ofereceu a si mesmo. Os sacrifícios dos levitas apenas cobriam o pecado; o sacrifício de Mashiach removeu o pecado. Os sacrifícios dos levitas cessaram; o sacrifício de Mashiach tem eficácia eterna. Assim, Mashiach está agora assentado “à destra de Yawheh” (Hb 10.12; cf. Hb 1.3; 8.1; 12.2), o que demonstra que Ele completou Sua obra, obedientemente, e foi exaltado a uma posição de poder e honra. Mashiach, o holocausto supremo e perpétuo, é o único sacrifício pelo pecado que existe atualmente. Os que rejeitam o sacrifício de Mashiach têm sobre sua cabeça três acusações: (1) Eles desprezam a Mashiach, calcando-O sob seus pés; (2) consideram o sangue de Mashiach como profano (comum) e sem valor; e (3) insultam o Espírito Santo, que procurou atraí-los para Mashiach (Hb 10.29). Os que rejeitam Seu holocausto redentor são considerados adversários. Na aliança mosaica, os adversários eram réus de juízo e morriam sem misericórdia. Conseqüentemente, as pessoas que rejeitam a Mashiach aguardam o horrível juízo de Yawheh (Hb 10.30-31). Por meio de Sua morte, Yeshua inaugurou um “novo e vivo [vivificante] caminho” (Hb 10.20) para que a humanidade possa chegar à presença de Yawheh com “intrepidez [confiança]” (Hb 10.19). Portanto, o que possibilita a existência de uma Nova Aliança é o sacerdócio e o sacrifício superiores de Mashiach. Uma Aliança Superior Para os Santos O Livro de Hebreus revela que Mashiach é o “Mediador de superior aliança instituída com base em superiores promessas” (Hb 8.6). Ela é mais excelente porque as promessas do pacto mosaico eram condicionais, terrenas, carnais e temporárias, enquanto as promessas da Brit Hadasha são incondicionais, espirituais e eternas. Quais as diferenças entre o Tanak e o pacto abraâmico? Yawheh estabeleceu a aliança mosaica (Tanak) com a nação de Israel, no Monte Sinai. Esse pacto não foi o primeiro que Yawheh firmou com o homem, mas foi o primeiro que Ele fez com Israel como nação. A aliança mosaica foi escrita 430 anos depois da aliança abraâmica, e não alterou, não anulou, nem revogou as cláusulas da primeira aliança, a abraâmica (Gl 3.17-19), que era incondicional, irrevogável e eterna. Muitas pessoas, hoje em dia, confundem a aliança mosaica com a abraâmica e afirmam que a Terra Prometida não pertence mais ao povo judeu porque a nação perdeu seu direito em razão do pecado. Entretanto, Yawheh garantiu a Israel a posse permanente da terra, não através da aliança mosaica, mas da aliança abraâmica (Gn 15.7-21; 17.6-8; 28.10-14). As promessas do pacto mosaico eram condicionais. O pré-requisito era que Israel obedecesse aos mandamentos para que Yawheh cumprisse as promessas de bênçãos, estabelecidas no pacto (Êx 19.5). Mas Israel não cumpriu as cláusulas do pacto. A falha não estava na Lei, pois o mandamento era “santo, e justo e bom” (Rm 7.12), mas na natureza pecaminosa do homem, que se rebelou contra as condições estipuladas no pacto. Essa aliança tinha um poder limitado e não podia conceder vida espiritual nem justificar os pecadores (Hb 8.7-9). Com quem Yawheh firmou a Nova Aliança? A Escritura deixa claro que a Nova Aliança foi feita exclusivamente com Israel (os descendentes de Jacó, pelo sangue) – e não com a Kehilá (Hb 8.10). Como alguns ensinam. Está claro na Escritura que as bênçãos nacionais, espirituais e materiais prometidas na Nova Aliança serão cumpridas com o Israel literal, no Reino Milenar (Jr 31.31-40). A Nova Aliança foi profetizada pela primeira vez por Yirmeyahu, seis séculos antes do nascimento de Mashiach (Jr 31.31; cf. Hb 8.8). Ao falar do novo pacto, Yawheh usa os verbos no futuro (“firmarei”, “imprimirei”, “inscreverei”, “serei”, “usarei”, “lembrarei”, veja Hb 8.8,10,12), mostrando que cumprirá as cláusulas dessa aliança. Além disso, o cumprimento depende unicamente da integridade de Yawheh, e não da fidelidade de Israel. Se a Nova Aliança não foi firmada com a Kehilá, por que foi apresentada em Hebreus 8? O escritor de Hebreus foi movido pelo Espírito Santo a citar a Nova Aliança com o propósito de ressaltar o fracasso da aliança mosaica e mostrar a Israel que as promessas reunidas num pacto melhor estavam disponíveis através de Yeshua Mashiach. A Nova Aliança foi instituída na morte do Senhor (Hb 9.16-17), e os discípulos ensinaram seus conceitos à nação de Israel (2 Co 3.6). O fato da nação de Israel ter rejeitado seu Messias resultou num adiamento do cumprimento cabal do pacto, que só ocorrerá quando Israel receber a Mashiach, na Sua Segunda Vinda. Quais são as promessas da Nova Aliança? Em primeiro lugar, a Nova Aliança proporciona uma transformação interior da mente e do coração, que só pode ser produzida através da regeneração espiritual. Yawheh disse: “Nas suas mentes imprimirei as minhas leis, também sobre os seus corações as inscreverei” (Hb 8.10). A Antiga Aliança era exterior, lavrada na pedra (Êx 32. 15-16); a Nova Aliança é escrita “em tábuas de carne, isto é, nos corações” (2 Co 3.3), através do ministério do Espírito Santo. Isso acontecerá com Israel, como um todo, na Segunda Vinda de Mashiach, quando Yawheh derramará o Seu Espírito sobre o povo judeu não-salvo, fazendo com que se arrependa de seus pecados e aceite Yeshua como seu Messias (Zc 12.10; Rm 11.26). Em segundo lugar, a aliança mosaica estipulava que os conceitos da Lei, com seus complicados rituais e regimentos, só fossem ensinados pelos líderes religiosos. Os que vivem sob os preceitos da Nova Aliança são ensinados pelo Yawheh, por meio do Espírito Santo que habita em seu interior, e recebem poder para andar nos caminhos do Senhor e guardar os Seus estatutos (Ez 36.27). Em terceiro lugar, na Antiga Aliança, o pecado era lembrado sempre que um animal era oferecido em sacrifício (Hb 10.3). Na Nova Aliança, Yeshua foi o Cordeiro do sacrifício, que, de uma vez por todas, removeu o pecado (Hb 10.15-18) através do Seu sangue. O Senhor disse: “Pois, para com as suas iniquidades usarei de misericórdia e dos seus pecados jamais me lembrarei” (Hb 8.12; cf. Jr 31.34). A palavra jamais é uma dupla negativa no texto grego, o que significa que “não, nunca, sob nenhuma circunstância” Yawheh se lembrará dos pecados do Israel redimido. Em quarto lugar, Mashiach é o Mediador da Nova Aliança (Hb 9.15-20). O mediador atua como um intermediário entre duas partes que desejam estabelecer um acordo entre si. Os mediadores põem seus próprios interesses de lado pelo bem das partes envolvidas no acordo. Um mediador precisa ser digno de confiança, aceitável pelas partes e capaz de assegurar o cumprimento do pacto. Através de Sua morte, Mashiach tornou-se o Mediador da Nova Aliança, e possibilitou a reconciliação de todos aqueles que confiam em Sua obra redentora. A mediação de Mashiach também se estende aos santos que viveram debaixo da Antiga Aliança, bem como aos que virão a crer, no futuro. Mashiach concede uma herança eterna a todos os crentes, através da Nova Aliança. Um beneficiário só pode entrar na posse legal da herança com a morte do testador. Para que a Nova Aliança tivesse efeito e, legalmente, pudesse conceder a salvação aos pecadores, Mashiach tinha que morrer (Hb 9.15-17). Até mesmo a aliança mosaica teve de ser inaugurada com sangue para ter efeito legal. Moshe mediou o primeiro pacto tomando o livro da Lei, lendo-o diante dos filhos de Israel – que concordaram em guardar os seus preceitos – e, depois, aspergindo o livro e o povo com sangue (Hb 9.19-20). O fato de o Tanak ter sido firmado com sangue mostrou que era necessária a morte de uma vítima inocente para consagrar e estabelecer uma aliança. Aquele pacto era apenas um tipo e uma sombra que apontava para o dia em que Mashiach consagraria e firmaria uma Aliança Renovada, através do derramamento de Seu próprio sangue. Somente Ele poderia mediar a Nova Aliança entre Yawheh e a humanidade (1 Tm 2.5). A Nova Aliança, ao contrário da aliança mosaica, é eterna. O Senhor disse: “Farei com eles aliança de paz; será aliança perpétua” (Ez 37.26). Depois de servir ao seu propósito, o pacto mosaico tornou-se sem efeito. As palavras “antiquado” e “envelhecido” (Hb 8.13) mostram que o pacto mosaico estava esgotado, perdendo as forças e prestes a ser dissolvido. Embora a Nova Aliança tenha sido feita com Israel, e não com a Kehilá, os cristãos têm garantido o extraordinário privilégio de experimentar certos benefícios do novo pacto que passaram a vigorar quando Mashiach derramou Seu sangue na cruz. Hoje, a Kehilá usufrui das bênçãos espirituais da salvação, estabelecidas na Nova Aliança. As bênçãos físicas da Brit Hadasha serão cumpridas com Israel, no Milênio. Os que seguem a Mashiach são “ministros de uma nova aliança [testamento, pacto]” (2 Co 3.6) e foram chamados para divulgar a mensagem da salvação. Na aliança com Davi, Yawheh promete a Davi que o seu reino, seria um reino que duraria para sempre. (2 Sm 7. 16). Como foi com Avraham, assim Yawheh foi com Davi. A promessa seria cumprida em seu descendente (2 Sm 7.12). O descendente que levantaria de Davi, quando ele estivesse morto, é Yeshua Mashiach. Atos 2. 22 -32. Já todas as demais alianças mencionadas neste estudo, foram feitas por Yawheh a cada um de seus servos, e a Israel em caráter condicional e iria depender em muito da maneira como cada um deles se mantivessem diante do Yawheh. Da mesma forma, as promessas realizadas por Yawheh através de Yeshua e do seu Espírito Santo para cada um de nós em muito irá depender da nossa perseverança até o fim quando então receberemos a coroa da vitória. Estejamos todos firmados com Yawheh neste concerto pois, por certo, o Yawheh haverá de nos recompensar de acordo com as nossas obras em nome de Yeshua, amém!


quinta-feira, 10 de setembro de 2015

Você está pronto para começar a fazer o que Yawheh lhe ordenou?

Temos a ilusão que, se tivermos que enfrentar uma grande crise, somos capazes de vencê-la; mas a crise apenas revelará se temos fibra ou não; ela não colocará nada dentro de nós. Você diz: "se Yawheh me chamar, naturalmente estarei pronto para agir." Mas o fato é que não estará, a menos que esteja "agindo" no dia-a-dia, e esteja vivendo diante de Yawheh como se deve viver. Se você não estiver fazendo o serviço que sta ao seu alcance, embora sabendo que foi Yawheh quem o planejou, quando a crise surgir, em vez de revelar-se apto, exporá sua ineficiência. A crise sempre revela o caráter. Para se ter aptidão e necessário o relacionamento intimo de adoração a Yawheh. Chega a hora que não é mais possível permanecer "debaixo da figueira", em que você tem que sair da "sombra" e enfrentar o calor e o labor; e se lá dentro do seu lar, em situação favorável, não estava adorando, não vai está apto para o serviço la fora. Aprenda a adorar a Yawheh nos momentos a sós com ele, e assim, quando ele o deixar sair, você estará preparado, porque na vida particular, que ninguém vê senão Yawheh, você se tornou perfeitamente apto, e Yawheh poderá confiar em você na hora da provação. "Não se pode esperar que eu viva uma vida santificada nas circunstâncias em que eu me encontro; não sobra tempo para orar, nem para meditar na Bíblia; minha oportunidade ainda não chegou, mas quando ela chegar, certamente estarei preparado." NÃO; não estará. Se você não estiver cultuando a Yawheh na situação presente, quando entrar no serviço de Adonai não só será inútil, como também se tornará um tremendo estorvo para seus colegas de ministério. O "paiol" das munições do missionário é a vida oculta, pessoal de adoração a Yawheh.

quarta-feira, 29 de julho de 2015

O Mal Destrutivo da Pornografia

Uma pesquisa neurológica revelou que o efeito da pornografia na internet sobre o cérebro humano é tão potente — se não mais — do que substâncias químicas que viciam, tais como cocaína e heroína. Para piorar as coisas, existem 1,9 milhões de usuários de cocaína, e 2 milhões de usuários de heroína, nos Estados Unidos, comparado a 40 milhões de usuários regulares de pornografia online. Aqui está o porquê do poder viciante da pornografia poder ser pior: Cocaína é considerada um estimulante que aumenta os níveis de dopamina no cérebro. Dopamina é o principal neurotransmissor que as substâncias mais viciantes liberam, enquanto causa uma “alta” e um subsequente desejo por uma repetição da alta, ao invés de uma sensação posterior de satisfação por meio de endorfinas. Heroína, por outro lado, é preparada com ópio, que tem um efeito relaxante. Ambas as drogas provocam tolerância química, que requer quantidades cada vez mais altas da droga para atingir a mesma intensidade de efeito. Pornografia, ao fazer ambos o despertar (o efeito de “alta” via dopamina) e causar um orgasmo (o efeito “relaxante” via ópio), é um tipo de “polidroga” que provoca ambos os tipos de substâncias químicas viciantes no cérebro de uma vez, aumentando sua tendência viciante. Mas, Bennett diz, “pornografia na internet faz mais do que apenas aumentar significativamente o nível de dopamina no cérebro por uma sensação de prazer. Ela literalmente altera a matéria física dentro do cérebro para que novos caminhos neurológicos necessitem de material pornográfico, a fim de provocar a sensação de recompensa desejada.” Imagine o cérebro como uma floresta onde trilhas são desgastadas por caminhantes que caminham pelo mesmo caminho de novo e de novo, dia após dia. A exposição a imagens pornográficas cria caminhos nervosos parecidos que, com o tempo, se tornam mais e mais “bem pavimentados” conforme eles são repetidamente trafegados com cada exposição a pornografia. Aqueles caminhos neurológicos eventualmente se tornam a trilha na floresta do cérebro pela qual cada interação sexual é enviada. Portanto, o usuário de pornografia, seja homem ou mulher, “criou inconscientemente um circuito neurológico” que faz sua perspectiva padrão em relação as matérias sexuais dominada pelas normas e expectativas da pornografia. Esses caminhos viciantes não somente nos fazem filtrar todo estímulo sexual através do filtro pornográfico; eles despertam o desejo por “mais conteúdo pornográfico como mais prática de tabus sexuais, pornografia infantil, ou pornografia sadomasoquista.” E isso piora: Outro aspecto do vício em pornografia que supera as características viciantes e nocivas do abuso de substâncias químicas é sua permanência. Enquanto substâncias podem ser metabolizadas para fora do corpo, imagens pornográficas não podem ser metabolizadas para fora do cérebro, porque imagens pornográficas são armazenadas na memória do cérebro. “Em resumo,” Bennett escreve, “pesquisas no cérebro confirmam o fato crítico que a pornografia é um sistema de distribuição de droga que tem um efeito distinto e poderoso sobre o cérebro humano e o sistema nervoso.” Nada disso pega Deus de surpresa. Ele projetou a interação entre o cérebro e a alma. Descobertas de dimensões físicas para a realidade espiritual não anulam a realidade espiritual. Quando Jesus disse, “Eu, porém, vos digo: qualquer que olhar para uma mulher com intenção impura, no coração, já adulterou com ela” (Mateus 5:28), ele viu com clareza cristalina — da maneira que um inventor vê sua invenção — que o olho físico tinha profundos efeitos no “coração” espiritual. E quando o sábio do Velho Testamento disse em Provérbios 23:7, literalmente, “Como imagina em sua alma, assim ele é,” ele viu com clareza similar que os atos da alma criam realidades. Pensar na alma corresponde a “ser.” E esse “ser” inclui o corpo. Em outras palavras, funciona em ambos os sentidos. A realidade física afeta o coração. E o coração afeta a realidade física (o cérebro). Portanto, essas notícias horríveis da pesquisa do cérebro sobre o poder escravizador da pornografia não é a palavra final. Yawheh tem a palavra final. O Espírito Santo tem o maior poder. Não somos meras vítimas dos nossos olhos e dos nossos cérebros. Eu sei disso de ambas, Escrituras e experiência.