terça-feira, 22 de março de 2022

 SHEMITÁ E O FIM DOS DIAS! 


Há uma conexão entre shemitá e juízo divino. Historicamente, isso ocorreu muitas vezes e continua a ocorrer na Idade Contemporânea, envolvendo não apenas Israel, mas as nações. Vemos também que o não cumprimento do ano sabático por Israel foi a principal causa dos setenta anos de exílio babilônico. Perceba que o juízo veio somente após setenta shemitá não observadas, ou seja, setenta períodos de sete anos, nem um ciclo a mais, nem um a menos. Sete é o número da perfeição nas Escrituras e, por isso, um número muito especial. Ele aparece exaustivamente no Livro de Apocalipse que trata dos juízos divinos em relação aos tempos do fim. Por ser perfeito, é um número ligado a Elohim , bem como a seus propósitos e desígnios. Daniel, um dos profetas do exílio, estudou o livro de Yirmeyahu/Jeremias e compreendeu que o castigo de Elohim para com Israel seria de setenta anos. Por certo que conhecia a Torah e o aviso de Elohim da desobediência em relação à shemitá. Por isso, ele afirma que "entendeu pelos livros" que o exilio e, por conseguinte, a desolação de Jerusalém, seria de setenta anos (Dn 9:2 e Dt. 26:34-35). A partir desse entendimento do mistério do juízo divino ligado à shemitá, ele clama a Elohim em oração por seu povo e é recompensado ao receber a visita de Gabriel com a revelação dos tempos do fim. Nesse contexto, o anjo lhe diz que há setenta semanas desde a ordem para reedificar Jerusalém até a manifestação do Messias. Trata-se se de semanas de anos e não de dias  (Lv. 25:8). Portanto, mais uma vez o número setenta aparece no livro de Daniel. Dessas setenta semanas de anos, 69 já se cumpriram e os cálculos coincidem com a primeira vinda do Messias. Resta, portanto, uma semana de anos ou sete anos. São os anos marcados pelo governo do anticristo que precederá a segunda vinda do Messias, Tal semana se refere à Grande Tribulação aludida por Yeshua nos Evangelhos (Dn12:1 e Mt 24:15-28). As setenta semanas de Daniel apontam para dez shemitás, sendo que nove delas precederam a primeira aparição do Messias, restando apenas uma shemitá que precederá sua segunda vinda. A questão é quando ocorrerá tal shemitá. Assim, a última semana de Daniel corresponde a um ciclo completo de shemita. Esse é o contexto judaico em que o profeta recebeu a revelação e o contexto em que escreveu seu livro. Daniel era judeu, bem como todos os profetas e apóstolos de Yeshua, sem mencionar Ele próprio. Não há como interpretar corretamente as Escrituras que não seja pela perspectiva judaica em que foram escritas. Daí a importância de se compreender as raízes judaicas.Embora não saibamos o dia nem a hora da volta do Filho do Homem, Ele nos advertiu que precisamos saber interpretar os sinais dos tempos que incluem sinais nos céus e na Terra. Sabendo do mistério da shemitá a respeito dos juízos divinos, fica nítido que a última semana de Daniel ou a Grande Tribulação somente pode começar no início de um novo ciclo de shemitá. Como dito acima, estamos em um ano sabático que se encerra no próximo Rosh Hashaná (setembro/2022). Então, se iniciará um novo ciclo de shemita que se estenderá até 2029. Portanto, se a Grande Tribulação não se iniciar a partir de setembro deste ano, ela não ocorrerá até pelo menos 2029. Se não se iniciar em 2029, não ocorrerá até pelo menos 2036. E assim por diante. Ela não poderá se iniciar em um ano aleatório, caso contrário, Elohim não seguiria seu próprio calendário, seus tempos e suas estações, como vem fazendo ao longo das eras. Ao olharmos para as Festas do יהוה, vemos o mesmo padrão temporal seguido na primeira vinda do Messias, durante as Festas da Primavera.  Espera-se que o mesmo padrão seja seguido nas Festas do Outono, quando ocorrer a segunda vinda do Messias. Com a última semana de Daniel (Grande Tribulação) não poderá ser diferente, pois não lidamos com um Elohim que age aleatoriamente, mas que tem seguido perfeitamente seus desígnios, de acordo com os tempos e estações que estabeleceu por sua infinita sabedoria.

Shemitá e os Sinais do Fim

Neste estudo, aproveitando o grande interesse, vamos prosseguir discutindo sobre a shemitá, um tópico de relevância para todos que desejam interpretar os tempos em que vivemos. De maneira alguma, pretendo esgotar o assunto em um simples estudo - isso me seria impossível –, mas apenas destacar alguns fatos que colocam a shemitá e os sinais do fim em uma relação de equivalência. Um ciclo de shemitá se refere a um período de sete anos da terra de Israel, dos quais, em seis, a terra é cultivada e, no sétimo, ela deve repousar, segundo o mandamento de Levítico 25:1-4. Esse sétimo é o ano sabático (shemita). Historicamente, um ciclo de shemitá está ligado a eventos marcantes em Israel e no mundo, bem como a algumas tragédias globais como as guerras mundiais. A maioria desses eventos ocorre no primeiro ano após uma shemitá, ou seja, no primeiro ano do ciclo de shemitá. Vamos enumerar alguns mais recentes da história contemporânea.

"Porque assim diz o יהוה dos Exércitos: Ainda uma vez, daqui a pouco, e farei tremer os céus, e a terra, e o mar, e a terra seca, e farei tremer todas as nações, e virá o Desejado de todas as nações". (Hagay 2:6,7) Segundo essa passagem, é necessário que as nações sejam abaladas antes da volta do Messias, o Desejado de todas as nações. Isso já tem ocorrido em seguidos ciclos de shemitás, mas certamente se agravará com a proximidade de sua volta. Ao mesmo tempo em que abala as nações para sinalizar o fim da presente era, Elohim parece enviar uma mensagem codificada em meio a crises e tragédias de cada ciclo de shemitá. Uma mensagem de amor e misericórdia de um Pai que deseja resgatar todos que para Ele se voltarem nesses tempos tenebrosos: “Arrependam-se, porque o Reino dos céus está próximo". 

Mattiyahu 3:2

Após a formação do novo Estado de Israel, em 1948, o evento mais importante que mudou completamente a nação, bem como a forma de se relacionar com seus vizinhos árabes, foi a Guerra dos Seis Dias, em 1967. Ela se deu no ano de 5727 do calendário judaico, primeiro ano de um ciclo de shemita. Após ser atacado em três frentes de batalha, Israel conseguiu uma vitória esmagadora e inexplicável do ponto de vista militar, conquistando, em apenas seis dias, quatro vezes o tamanho de seu território original. Dessa conquista, a tomada de Jerusalém oriental foi a mais importante, quando o monte do Templo voltou para os judeus após quase dois mil anos nas mãos dos gentios. O resultado dessa guerra moldou a geopolítica do Oriente Médio até os dias atuais. Sete anos depois, no ano de 5734 (1973/74), no início de outro ciclo de shemita, Israel foi atacado no dia da Festa de Yom Kippur, o dia mais sagrado do judaismo (10 de Tishrei), pelo Egito e pela Síria em duas frentes distintas. A despeito de pesadas perdas, Israel conseguiu repelir o ataque e manter os territórios antes conquistados na Guerra dos Seis Dias. Ato contínuo, o conflito causou um embargo dos países Árabes produtores de petróleo aos EUA por terem prestado assistência a Israel. Isso gerou a famigerada crise do petróleo, quando o preço do barril praticamente quadruplicou em questão de semanas, causando enorme revés na produção industrial, especialmente dos EUA, gerando inflação e impactando economicamente o mundo inteiro. Na virada do milênio do calendário gregoriano, um acontecimento chacoalhou o mundo no ano judaico de 5761 (2001/02). É logico que me refiro ao infame 11 de setembro e a seu espetáculo de terror assistido ao vivo pelo mundo inteiro. Esse evento ocorreu no fim de um ano sabático, exatamente a uma semana da Festa de Rosh Hashaná (1 de Tishrei), marcando o início de um novo ciclo de shemita (5762-5768). Os ataques terroristas causaram uma queda livre no mercado de ações que acumulou 1,4 trilhão de dólares em perdas. O ouro e o petróleo dispararam de preço e o estrago na economia global foi imediato. No dia 29 de setembro de 2008, ocorreu a maior queda do Dow Jones em apenas um dia, com 777,68 pontos. Até março de 2020, no início da pandemia do coronavírus, esse era o recorde da maior queda na história. O fato se deu exatamente na transição do dia 29 de Elul para 1 de Tishrei, quando se celebra Rosh Hashanah, marcando não somente o ano novo judaico, mas o primeiro ano de um novo ciclo de shemita, 5769 (2008/09). Agora perceba a ironia no número de pontos da queda da bolsa! Parece um recado claro de Elohim (sete é o número da shemita, repetido três vezes). 2016), novamente no primeiro ano de um ciclo de shemitá, a bolsa de Nova York experimentou várias quedas consecutivas, não com a gravidade da crise de 2008, mas que levaram a uma perda de mais de dois trilhões de dólares em apenas seis dias. Outra perda grande ocorreu com o estouro da bolha do mercado de ações da China, acarretando uma perda de mais de 40% em dois meses.


USANDO A LEGENDA CORRETA! 

Esses acontecimentos mostram uma clara conexão entre o primeiro ano de um ciclo de shemitá e o cumprimento de juízos e promessas para Israel e as nações gentílicas, seguindo os tempos e o calendário estabelecidos por Elohim, o qual foi dado a Israel. A shemitá faz parte dessa engrenagem do relógio de Elohim, juntamente com as demais Festas do יהוה estabelecidas em sua Torah que ocorrem no tempo e nas estações por Ele designados para cumprir seus propósitos sobre a Terra. Isso explica a necessidade de nos voltarmos para Israel. Tentar compreender esses acontecimentos, bem como eventos vindouros e os tempos do fim, excluindo Israel da equação, é o mesmo que assistir a um filme em uma língua desconhecida e sem legenda. Você poderá até captar o sentido de algumas cenas, mas perderá seu enredo por completo. Quando nos voltamos para Israel, estamos usando a legenda correta para compreender a linguagem de Elohim falada na trama do filme que se desdobra em nossa contemporaneidade. Daí a importância de conhecermos nossas raízes judaicas. vimos que as setenta semanas de Daniel são dez ciclos de shemitá (10 x 7 anos), abrangendo as duas vindas do Messias, e que já se passaram nove ciclos, restando apenas um ciclo completo ou uma semana de anos (sete anos) para a segunda manifestação do Messias. Como Elohim trabalha dentro dos tempos e das estações que Ele mesmo designou, esse ciclo de sete anos, também conhecido como Grande Tribulação nos Escritos Nazarenos, precisa coincidir seu início com um novo ciclo de shemitá. Não será um evento aleatório. Como estamos em um ano sabático, o presente ciclo se encerra no início do próximo ano novo judaico, em Rosh HaShanah (26 de setembro de 2022). Então, se inicia um novo ciclo de shemitá que poderá coincidir com o início da Grande Tribulação, conforme Yeshua a chamou, fazendo menção à profecia de Daniel no contexto da shemita. Se ela não iniciar agora em 2022, não poderá se iniciar até o ano de 2029, quando se encerra a shemita. Caso não comece em 2029, somente poderá começar em 2036, e assim por diante. Se um novo ciclo de shemitá se inicia em setembro próximo, significa que haverá mais uma crise financeira global? Ou que haverá conflitos militares ou outras tragédias? É lógico que ninguém pode afirmar isso categoricamente a não ser Elohim. Porém, com base na observação histórica, sabemos que a probabilidade de eventos assim acontecerem na transição de uma shemitá para outro ciclo é significativa. Mas, ainda que soubéssemos que tal crise viesse a ocorrer, não poderíamos avaliar sua gravidade. A crise de 2015, por exemplo, não foi tão grave quanto a de 2008. Muitos teólogos especulam há décadas a respeito da manifestação do anticristo, um líder mundial que se levantará com grande poder para implantar seu reino temporário de regime totalitário e global, conforme as Escrituras. Não é difícil imaginar que isso só poderá se concretizar em um ambiente de caos, especialmente econômico, o que pode ser muito bem causado por uma crise financeira sem precedentes que, por sua vez, pode ser deflagrada por uma tragédia mundial. Para exemplificar, pensemos apenas nos eventos que temos vivenciado nos últimos dois anos com a atual pandemia que transformou a vida no planeta, conforme a conhecíamos, em questão de semanas. Será em um tipo de cenário caótico, certamente bem pior que o da atual pandemia, que ele se apresentará ao mundo.


SHEMITÁ E A MENSAGEM CODIFICADA DE ELOHIM! 

Conforme visto acima, examinando a historia por apenas alguns ciclos de shemita, verificamos a ocorrência de tragédias como guerras e crises financeiras globais que, na sua maioria, coincidem com o início de um ciclo de shemitá, no primeiro ano. Tais eventos certamente não ocorrem por mera coincidência. Curiosamente, o Talmud é, com base em uma profecia de Amós declara explicitamente que o Messias virá no primeiro ano de um ciclo de shemitá. O Talmude também descreve os anos do ciclo de shemitá que precederão o Messias como sendo de extrema dificuldade, com fome, mortes e guerras, o que confere com a descrição dada por Yeshua para a Grande Tribulação. Além desses sinais ocorrerem no primeiro ano após o ano Sabático, também ocorrem próximo a Rosh HaShanah (1 de Tishrei). Essa data marca a Festa das Trombetas, o início do ano novo civil de Israel. Esse é um mês muito importante no calendário judaico, pois compreende as três Festas do Outono em Israel. Não apenas a tradição ortodoxa crê que o Messias se manifestará nessa época, mas também a messiânica. Os eventos ligados ao arrebatamento, Bodas do Cordeiro, volta do Messias para livrar Israel de seus inimigos e o início de seu Reinado milenar estão todos conectados a essas Festas que ocorrem no mês de Tishrei (setembro/outubro). "Porque assim diz o יהוה dos Exércitos: Ainda uma vez, daqui a pouco, e farei tremer os céus, e a terra, e o mar, e a terra seca, e farei tremer todas as nações, e virá o Desejado de todas as nações". (Hagay 2:6,7) Segundo essa passagem, é necessário que as nações sejam abaladas antes da volta do Messias, o Desejado de todas as nações. Isso já tem ocorrido em seguidos ciclos de shemitás, mas certamente se agravará com a proximidade de sua volta. Ao mesmo tempo em que abala as nações para sinalizar o fim da presente era, Elohim parece enviar uma mensagem codificada em meio a crises e tragédias de cada ciclo de shemitá. Uma mensagem de amor e misericórdia de um Pai que deseja resgatar todos que para Ele se voltarem nesses tempos tenebrosos: “Arrependam-se, porque o Reino dos céus está próximo".  (Mattityahu 3:2)

domingo, 14 de novembro de 2021

Hesed (Misericórdia) entenda o que a religião não fala sobre o que é graça!

 



Um termo hebraico a serviço de todos

Convém contextualizar o termo hesed à família de palavras em hebraico que remete a três raízes: hânan, râham e hâsad. Conjuntamente aparecem 369 vezes, isto sem considerar os textos que não correspondem ao original hebraico. Os significados destes três termos no Tanak (AT) convergem para a tradução como “misericórdia”, mas devido a riqueza e complexidade semântica aparecem, dependendo do contexto e tradução como “bondade”, “benignidade”, “solidariedade”, “graça”, “lealdade”, “agir lentamente”, “amor constante”, “ter misericórdia de”, “ser gracioso”, “misericordioso”, “favor”, “sentimento fraternal e maternal”, “terna misericórdia”, “devoção” e “generosidade”. Quanto à procura da etimologia do termo hesed, chega-se ao conceito de snaith que no AT tem o significado de “intensidade” e “agudeza”. Focalizando mais o conceito hesed pode-se afirmar que sua riqueza se encontra testemunhada nas Sagradas Escrituras, pois, como Povo de Yawheh os hebreus experimentaram e viveram da piedade e misericórdia do Senhor, isto desde os primórdios de sua formação (cf. Ex 34,6). Em sua revelação, o Yawheh de Israel sempre tratou com compaixão o Povo eleito, preferindo a misericórdia do que a ira merecida (cf. Os 11,8s). Frente os pecados do povo, Yawheh não se cansa em revelar livremente a sua imensa misericórdia. Por isso pode-se afirmar que a rica e longa história do Povo de Yawheh se entrelaça à revelação e experiência com a misericórdia divina harmonizada à sua justiça, embora a ultrapasse muitas vezes em prol do Povo; desta forma a misericórdia fez história de salvação pessoal e comunitária com reflexos sociais. Por iniciativa divina, o Yawheh misericordioso fez continuamente Aliança com o Povo por Ele próprio formado e eleito, não obstante ter muitas infidelidades. Também como prova da compaixão divina, quando pecavam, por diversas vezes houve um envio profético, para serem exortados a recorrer à misericórdia divina (cf. Is 1,18; 51,4-16); a fim de renovarem a Aliança com Yawheh (cf. Ne 9); buscarem ao Yawheh Esposo
compassivo e paciente para com a falta de amor da Amada (Povo) (cf. Jr 31,20). A experiência histórica do Êxodo também frutificou em obras e palavras divinas, devido a misericórdia (hesed) de Yawheh, o qual ouve com compaixão o clamor do povo sofredor e assim decide libertá-los do Egito, mesmo sabendo que poderá ser traído (cf. Ex 3,7; 34). Uma misericórdia paterna que considera e trata Israel como filho primogênito (cf. Ex 4,22), a ponto de triunfar sobre a justiça, sem contradizê-la, seja frente às misérias de membros desconhecidos, ou de um rei David, que peca e se arrepende profundamente (cf. Sam 11; 12;24,10); o descendente Salomão recorre sabiamente à misericórdia pela oração (1Sm 8,22-53) e tantos patriarcas, rei, profetas e outros membros do Povo de Yawheh ou demais povos. O primado e a superioridade do amor em relação a justiça – ponto característico da Revelação – manifestam-se precisamente através da misericórdia”. Na esteira da Revelação veterotestamentária a misericórdia Encarnada – Yeshua Hamashiach, não veio trazer tantos conceitos novos: “A verdadeira novidade da Brit Hadashah não reside em novas ideias, mas na própria figura do Mashiach, que dá carne e sangue aos conceitos – um incrível realismo [inclusive hesed”. Quando hesed e os outros termos foram traduzidos para a brit hadasha eles ganham em sua riqueza polissêmica outras variantes a saber:
“Haurindo seu vocabulário na Bíblia, ele faz grande uso dos termos derivados das raízes eleein (“ter piedade”), oikteirein (“ter compaixão”), kharis (“graça”) e splankhna (“entranhas”, mas sobretudo “compaixão”) – aqueles mesmos que a tradução grega utilizava para verter as três raízes hebraicas evocadas acima”. No Evangelho escrito por Lucas encontra-se no seu princípio, a manifestação da Boa Nova misericordiosa pelos lábios do castigado Zacarias e de Miryam mãe de Yeshua, porque tudo ocorreria devido à expansão da misericórdia, fidelidade do coração de Yawheh misericordioso para com o povo e em memória aos antepassados (cf. Lc 1,50.80). Com maior profundidade e simplicidade o Mashiach revela plenamente a essência misericordiosa de Yawheh, por meio de atos, palavras e sinais.
Dentre tantas Parábolas, a do Filho pródigo, ou do Pai misericordioso permite uma analogia que remete às Alianças rompidas por parte de Israel, mas também demonstra o Evangelho da misericórdia com abrangência pessoal, comunitária e universal, pois quem não se pode colocar Aqueles braços que acolhe e restaura?8. O termo misericórdia é plural e comunica que a Aliança com Yawheh se dá por laços de generosidade e por isso serve de grande auxílio para o convívio e a nova evangelização. A misericórdia aponta para a graça batismal (cf. Tt 3,5); está presente na bem aventurança (cf. Mt 5,7); faz parte daquela ordem divina capaz de assemelhar os filhos ao Pai das misericórdias (cf. Lc 6, 36); ajuda no aprendizado constante que supera os sacrifícios antigos e não pode faltar aos novos (cf. Mt 9,13); aponta para a necessidade de perdoar e se preparar para a misericórdia final (cf. Mt 6,12; Tg 2,12-13) e diz de uma virtude indispensável e urgente aos relacionamentos (cf. Ef 4,32; 1Pd 3,8). nos diz que, como pecadores devemos nossa vida nova unicamente à misericórdia perdoadora e renovadora de Yawheh, misericórdia está com a qual só podemos ser presenteados e que só podemos receber por emunah, mas que nunca – de qualquer forma que seja – podemos fazer por merecer.


domingo, 22 de agosto de 2021

MIDRASH DE AVRAHAM

 

 A longa jornada do povo de Israel se inicia com Avraham, o primeiro patriarca. Primeiro monoteísta da história, Avraham rebelou-se contra a idolatria reinante, foi também o primeiro a proclamar que Eloha é Um e Único e que o mundo tem um único Senhor do Universo. Sem ter tido “ninguém para ensinar-lhe”, Avraham abandonou todos os ensinamentos e tradições de seus pais e a terra onde vivia para seguir a Voz que o levava a Eloha. Segundo o Midrash, ele era chamado de Avraham, ha-Ivri, Avraham, o Ivri, que significava “o que passou para o outro lado”. Pois Avraham enfrentou o mundo sozinho: ele, o monoteísta, de um lado; o resto do mundo, politeísta e idólatra, do outro. Avraham foi o primeiro judeu. Com ele e através dele Eloha selou uma aliança sagrada e perpétua com o povo de Israel, assegurando-lhe que seus descendentes seriam numerosos como as “estrelas do céu “e herdariam a Terra Sagrada. Nosso primeiro patriarca ensinou a Verdade à sua família e a todos ao seu redor, mas, principalmente, a seu filho Isaac, que a transmitiu a Jacó e este, a seus filhos, que deram origem às doze tribos. Assim, a herança de Avraham passou de pai para filho em uma corrente espiritual que atravessa os séculos. O legado de Avraham é sinônimo de fidelidade, lealdade, bondade, fé e coragem, pois sua fé em um Único Criador, Justo e Bom, exigia do homem integridade absoluta – em relação a Eloha e aos outros homens. Seus atos moldaram e inspiram a Nação Judaica, que se refere a ele como Avraham Avinu, nosso pai, Avraham.

A vida do primeiro patriarca é narrada no primeiro livro da Torá, Bereshit (Gênese). O texto e os estudos adicionais no Talmud, no Midrash e nos livros da Cabala revelam ainda mais sobre a vida de Avraham, as lutas, as vitórias e os desafios que teve que enfrentar ao longo do caminho que o levou a Eloha. Os eventos da vida do patriarca prenunciam a história do Povo de Israel, pois, como ensinam os nossos sábios: “Os atos e episódios ocorridos durante a vida dos patriarcas são um sinal para os seus descendentes”.

O que sabemos sobre Avraham, o nosso patriarca? Quais as virtudes que possuía para ter sido escolhido por Eloha como o fundador da Nação Judaica?

Avraham: um homem em busca da verdade

O Avraham revelado pela Torá não é retratado como um sábio imerso em contemplações metafísicas ou um visionário. Era um homem à procura da Verdade, dotado de uma mente independente, um coração generoso, uma alma fervorosa e uma coragem indomável. Apesar de ter adquirido, ainda jovem, uma consciência intuitiva sobre a existência de um Único Criador – de acordo com o Midrash, a partir dos três anos de idade – sua primeira experiência profética só ocorreu aos 75. Somente após anos de persistente busca pela Realidade Absoluta, Eloha se revelou a ele pela primeira vez, e o instruiu.

Nossa tradição lhe confere inúmeros talentos e virtudes: sabedoria de um justo, bondade lendária, poderes e riquezas de um rei e força e coragem de um grande guerreiro. Sua figura imponente, porte real e clareza de ideias impressionavam a todos a seu redor, assim como sua eloquência em espalhar a Verdade.

Segundo os livros, Avraham era conhecido em seu meio como um sábio místico que acreditava na existência de uma Única Divindade – um Eloha misterioso do qual recebia instruções. Seus contemporâneos diziam que anjos sussurravam em seu ouvido e que ele usava tanto seus poderes místicos quanto sua sabedoria prática para ajudar os outros.

Profundo conhecedor de segredos místicos, estudara na Academia de Shem e Eiver, em Jerusalém, na época denominada Shalem. Foi lá que aprendeu a tradição sobre a Criação do mundo que Noé aprendera de seu pai – e transmitira a seus filhos, em especial a Shem.

Primeiro a compreender os segredos da Criação do mundo, Avraham registrou seus ensinamentos e observações no primeiro texto místico da humanidade – o “Livro da Criação”, Sefer Yetsirá. A obra é, até hoje, considerada a mais importante fonte sobre os segredos da Criação do Universo. Nela está revelado que Eloha criou o mundo por meio das 22 letras do alfabeto hebraico e de 10 emanações divinas chamadas de sefirot.

Avraham, o primeiro monoteísta

O nome original do primeiro patriarca era Abrão (Avram), até Eloha mudá-lo para Avraham (Avraham), que quer dizer “pai de muitas nações”. De fato, somos proibidos de chamá-lo de Abrão, seu nome de nascimento.

Avraham nasceu por volta do final do segundo milênio antes da era comum (a.E.C.) na cidade de Ur Casdin, na Mesopotâmia, região localizada no Crescente Fértil, berço da civilização ocidental. Na época em que Avraham nasceu, o politeísmo – a crença em várias divindades – reinava supremo no mundo. Segundo a Torá, seu pai, Terach, apesar de descender de Noé e de Shem, servia a “deuses estranhos”. Considerado o principal idólatra da região, mantinha uma loja onde vendia estátuas e representações de divindades. Mas o filho de Terach não sucumbiu às práticas de seu pai.

Segundo as nossas tradições, Avraham descobriu a existência de um Único Eloha observando o sol e a lua, que se alternam no céu, e a natureza a sua volta. Sua intuição aliada a sua mente sagaz, fizeram-no concluir que devia haver um Ser Supremo que governava todo o universo e estabelecera e geria as leis da Natureza. Só um Ser Supremo e Perfeito poderia ter criado algo tão perfeito. Sua percepção estava de acordo com os ensinamentos que havia adquirido na Academia de Shem, em Jerusalém.

Avraham passou a tentar convencer seu pai Terach e a população de sua região sobre a falsidade do politeísmo. Mas suas atitudes, seus questionamentos e sua eloquência em transmitir a Verdade que descobrira, de que há um Único Eloha, Senhor do Universo, chocavam-se com todos ao seu redor. O rei de Ur, Nimrod, sentiu-se particularmente ameaçado e insultado, pois ele mesmo queria ser considerado um deus. Furioso com as atitudes de Avraham, o rei condenou-o a uma fornalha ardente. “Se seu Eloha realmente existe, Ele que o salve”, declarou o rei Nimrod a Avraham.

Avraham foi salvo por Eloha e emergiu do fogo da fornalha sem a menor queimadura. Foi um dos dez testes aos quais Avraham foi submetido durante sua vida. Um teste de fé no Todo-Poderoso, do qual Avraham emergiu triunfante como em todos os demais que enfrentou.

“Lech Lechá”

Somente aos 75 anos, após décadas de absoluta e total devoção, o Eterno Se revelou a Avraham pela primeira vez, apresentando-Se com o chamado Divino “Lech Lechá” – “Sai da tua terra, da tua pátria e da casa do teu pai para a terra que Eu te mostrarei” (Gênese 12). As palavras Lech Lechá literalmente significam “Vai por ti mesmo”.

No momento em que Eloha se revelou pela primeira vez, Avraham já havia realizado feitos sem precedentes. Descobrira a verdade do Eloha Único, desafiara o rei mais poderoso da época e também sacerdotes, sobrevivera à fornalha ardente e convertera milhares à fé monoteísta. Tudo isso conseguiu por si mesmo. Não tinha um mestre nem uma tradição para guiá-lo, nem uma voz celestial para dirigi-lo. Nada além de seu intelecto e de sua incansável busca pela Verdade Absoluta.

Mesmo assim, quando finalmente obteve a revelação Divina, ele recebeu a ordem de “Vai por ti mesmo: deixa de lado teus talentos (“tua terra”), tua personalidade enraizada em teu meio ambiente (“teu local de nascimento”) e tua sabedoria fenomenal (“da casa de teu pai), e segue Eloha até “a terra que Eu te mostrarei”. Eloha ordena a Avraham abandonar todas as influências externas para segui-Lo. A partir do momento em que Eloha revelou a Avraham Seu caráter único, Avraham passa a cumprir Suas instruções e a seguir Suas ordens, que o levariam mais próximo de Eloha e de Sua Verdade.

E então prometeu o Todo-Poderoso: “E farei de ti uma grande nação. Eu te abençoarei e engrandecerei teu nome. Tu serás uma bênção. Eu abençoarei os que te abençoarem e amaldiçoarei os que te amaldiçoarem” (Gênese 12:1).

As promessas Divinas

Após obedecer a Ordem Divina, Avraham seguiu em direção a Canaã com sua esposa sarai, seu sobrinho Lot e todos aqueles a quem tinha convertido à nova fé. Uma vez em Canaã, Eloha lhe revelou Sua Vontade e fez uma série de promessas a Avraham, selando com ele pactos que iriam ligar para sempre o povo de Israel a Eloha. Promete a Avraham que seus descendentes herdarão a terra. “Eu darei esta terra a teus descendentes” (Gênese 12:1), repete Eloha em várias ocasiões.

Mas Avraham não tinha filhos e, sendo um grande astrólogo, sabia que só a Vontade Divina poderia fazer com que tanto seu destino e como o de Sarai, sua esposa, fossem revertidos para que, assim, pudessem conceber um filho. Se não tivesse um filho, a quem poderia transmitir sua herança espiritual? – perguntou Avraham ao Eterno. Quem iria propagar a fé entre todos os povos? Eloha assegurou-lhe que iria ter filhos e prometeu multiplicar a descendência de Avraham, dizendo que seria tão numerosa quanto “as estrelas do céu”.

Mas Avraham, temeroso pelo futuro de seus descendentes, pediu uma prova tangível de que a Terra Sagrada lhes pertenceria. Eloha então lhe mostrou o futuro de seus descendentes – as provações que teriam que enfrentar, os sucessivos impérios que se levanta-riam contra eles. Ressaltou, no entanto, que Israel sobreviveria a todos os perigos e os venceria. Foi esta a promessa do Eterno. Como a promessa de Eloha é irrevogável, a Terra Sagrada caberá, em última instância, a Israel, mesmo se este – por não cumprir a Vontade Divina – a perder por algum tempo.

A promessa do Todo-Poderoso de que Avraham seria uma bênção e geraria bênçãos implicava também que receberia Sua proteção. Portanto, o Eterno é o Escudo de Avraham, Magen Avraham, e, como seus descendentes, pedimos a Eloha, todos os dias, em nossas orações, que também seja nosso Escudo.

A Aliança Eterna entre Eloha e o povo de Israel

Quando Avraham tinha 99 anos, Eloha Se revelou novamente para selar com o patriarca, através do brit milá, Sua Aliança Eterna com o povo de Israel. Diz o Eterno a Avraham: “Eu sou Eloha, Todo-Poderoso, anda diante de Minha presença e sê perfeito” (Gênese 17). “Até agora não foste perfeito diante de Mim”, disse Eloha a Avraham, mas” circuncida-te, então andarás diante de Mim (à vista dos homens) e serás perfeito “. E o Eterno ordenou: “E vós sereis circuncidados na carne de vosso prepúcio. E será o símbolo de uma aliança entre Mim e vós...” (Gênese, 17:11). “E vós mantereis Minha aliança, vós e todos os vossos descendentes, por todas as gerações” (Gênese, 17:9-12).

Tão forte é a ligação que existe entre Avraham e a circuncisão que, ao ser realizada, incluímos na berachá pronunciada no ato a frase “Abençoado és Tu, Senhor, nosso Eloha, Rei do Universo, que nos santificaste com os Seus Mandamentos e nos ordenaste introduzi-lo na Aliança de Avraham, nosso patriarca”.

Até então o nome de nosso patriarca era Abrão (Avram), que significa av Aram – “pai de Aram”, sua terra natal, mas a partir desse momento Eloha lhe dá um novo nome, Avraham – (Avraham), contração de duas palavras – av hamon, que significa “pai de uma multidão”. A mudança de nome indica seu novo status, “perfeito” perante Eloha e pai de uma multidão de nações que seriam fundadas por ele. Tão significativa foi esta mudança que somos determinantemente proibidos de chamá-lo pelo seu nome anterior. Eloha também mudou o nome de sua esposa, nossa primeira matriarca. Sarai, que significava “minha princesa”, foi mudado para Sarah – “princesa para todas as nações do mundo”.
Foi nessa ocasião em que mudaram seus nomes, que Eloha revelou-lhes o futuro nascimento do filho tão desejado – Isaac, nosso segundo patriarca.

Principais características: fé e amor

Avraham, ensina o Talmud, era bom com os Céus e com os homens. Nos textos místicos, é a personificação do atributo de chesed – bondade – a emanação divina (sefirá) da benevolência, generosidade e amor infinito. As duas características principais da personalidade do patriarca eram guemilut chassadim e emuná: atos de bondade e fé em Eloha.

Avraham servia a Eloha principalmente através do amor que se manifestava tanto em sua devoção a Ele como através de um contínuo e incessante amor por seus semelhantes. Exemplo supremo do homem bondoso e justo, Avraham estava sempre preocupado com o bem-estar dos outros, respeitando e amando todos os seres, cercando-os de atos de bondade e generosidade. Avraham mantinha o seu lar sempre aberto a todos, sem perguntar quem eram ou por que o visitavam. Oferecia a todos – anjos ou mendigos – abrigo e alimento. Em troca, só pedia que seus hóspedes agradecessem a Eloha, o verdadeiro Provedor de tudo no mundo. A Torá afirma que Eloha escolheu Avraham porque ele seria capaz de ensinar seus filhos a praticar a caridade e a justiça (Gênese 18:19).

Avraham também possuía um senso imenso de responsabilidade com as pessoas ao seu redor. Apesar de todas as dificuldades e obstáculos que enfrentou durante sua vida nunca questionou o Criador; sua fé em Eloha era absoluta. Mas, mesmo assim, não hesitou em contestar e até enfrentar o Eterno para salvar alguém do sofrimento e da morte. Relata a Torá que ao ser informado por Eloha de que a destruição de Sodoma e Gomorra era iminente, Avraham implorou pela vida de seus habitantes, apesar de saber que eram malvados e cruéis. O Talmud, então, afirma que “qualquer um que tenha compaixão pelas pessoas, certamente descende de Avraham, nosso patriarca”.

E o Eterno testou Avraham

O amor e a fé de Avraham em Eloha permaneceram inalterados e inabaláveis durante toda a vida de nosso patriarca, apesar dos testes e obstáculos que teve que enfrentar. Para testar a sua devoção, Eloha submeteu Avraham a dez testes. Entre estes, o patriarca enfrentou o fogo, a fome e reis idólatras, lutou contra poderosos exércitos e foi obrigado a abandonar o seu lar e a sua terra. No seu último e mais difícil desafio, o único que a Torá relata, Avraham prova estar disposto até a sacrificar o seu tão amado filho, Isaac, para obedecer a ordem Divina. Nenhum relato da Torá foi – e ainda é – mais analisado e comentado por sábios e filósofos do que o sacrifício de Isaac.

A Torá nos diz: “Após esses eventos, Eloha testou Avraham” (Gênese 22:1). O Eterno ordenou ao patriarca que tomasse o seu filho Isaac, dizendo: “Vai para a área de Moriá. Traze-o como um holocausto...” (Gênese 22:2).

A Torá relata os acontecimentos: a viagem do pai com o filho, os preparativos e o fatídico instante quando Avraham estende a mão e toma a faca para cortar a garganta de seu filho único e um anjo de Eloha o chama: “Avraham! Avraham!” “Eis-me aqui”, responde o patriarca.

E então o anjo de Eloha lhe revela que tudo fora um teste, o último e mais difícil de sua vida: “Não faças mal ao menino. Pois agora sei que temes a Eloha. Tu não Lhe recusaste teu único filho” (Gênese 22: 11-12). O anjo de Eloha transmite ao patriarca a promessa Divina: “Eu jurei por Minha própria Essência que, por teres realizado tal ato e não me teres recusado teu único filho, Eu te abençoarei bastante e aumentarei tua semente como as estrelas do céu. Todas as nações do mundo serão abençoadas através dos teus descendentes – tudo porque tu obedeceste a Minha voz” (Gênese 22:15-18).

Todos as manhãs, lemos está porção da Torá em um relato que precede as nossas orações, quando pedimos que sejam realizadas as bênçãos prometidas pelo Eterno a Avraham. É importante lembrar que em Moriá – no exato lugar onde Avraham preparou seu filho para o sacrificar – foi construído o Beit Hamikdash, o Grande Templo de Jerusalém. O Templo era o núcleo da Presença Divina na Terra e o local de onde todas as rezas subiam aos Céus. Foi uma das recompensas de Eloha pela devoção de Avraham.

De fato, não poderia haver provação mais difícil para Avraham do que o sacrifício de Isaac. Avraham havia ensinado ao mundo que a vida é uma sagrada dádiva divina e que Eloha odeia os sacrifícios humanos. O assassinato, mesmo a mando do Divino, representava a antítese da bondade de Avraham. E mais ainda, Eloha havia prometido a Avraham que sua recompensa seria grande: seu filho Isaac seria pai de uma grande nação que disseminaria e perpetuaria seus ensinamentos.

O sacrifício de Isaac representava o oposto de tudo aquilo que Avraham ensinou, praticou e sonhou em sua vida. Apesar disso, o homem que desafiou Eloha para salvar os povos malévolos de Sodoma e Gomorra, calou-se e preparou-se para cumprir a mais difícil ordem Divina. Por tudo isto, a Torá nos relata que o Todo-Poderoso encontrou em Avraham lealdade e devoção absolutas: “Tu és o Eterno, o Eloha que escolheu Avraham, e Tu encontraste seu coração fiel” (Neemias 9:7).

Com Avraham e através dele se iniciou a história do povo judeu, uma nação eterna que influenciou toda a humanidade. Em nossas orações diárias, chamamos o Criador de “Eloha de Avraham, Eloha de Isaac e Eloha de Jacó”. Pedimos proteção, bondade e misericórdia Divina pelo mérito dos nossos patriarcas. Pois antes de Avraham, ensinam os nossos sábios, “Eloha reinava nos Céus. Foi Avraham quem O trouxe para a Terra.”


Bibliografia:
Rabbi Elie Munk, Sefer Bereishis. The Call of the Torah, an anthology of interpretation and commentary of the Five Books of Moses. Mesorah Publications.

Rabino Aryeh Kaplan. A Torá Viva. Ed. Maayanot

Irving M. Bunim. A Ética do Sinai, ensinamentos dos sábios do Talmud. Editora Sefer

Rabbi Avigdor Miller. Behold a People, a didactic history of scriptural times. Balshon Printing and Offsets Co.

Paul Johnson. A História dos Judeus. Ed. Imago

 

quinta-feira, 19 de agosto de 2021

Como as Pessoas Eram Salvas Antes da Morte de Yeshua?

 

Desde a queda do homem, a base da salvação sempre foi a morte do Mashiach. Ninguém, mesmo antes da estaca de execução ou desde a estaca, ninguém poderia ser salvo sem este acontecimento indispensável na história do mundo. A morte do Mashiach pagou a pena por pecados do passado, cometidos pelos “santos” do Tanak (Bíblia hebraica)  e também de pecados futuros, dos “santos” do Novo Testamento.

A condição para a salvação sempre foi a confiança. O alvo da confiança de alguém para a salvação sempre foi Elohim. Escreveu o salmista: “Felizes todos aqueles que nele confiam” (Salmos 2:12). Gênesis 15:6 nos diz que Avraham (Abraão) creu em Elohim e que isto foi suficiente para Elohim imputar-lhe isto por justiça (veja também Carta aos crentes em Roma 4:3-8). O sistema sacrificial descrito no Tanak (Bíblia Hebraica), não tirava o pecado, como claramente ensina Hebreus 9:1-10; 10:4, mas apontava para o dia em que o Filho de Elohim verteria Seu sangue pela pecaminosa raça humana.

O que mudou através das gerações foi o conteúdo da confiança do crente. A exigência de Elohim sobre o alvo da confiança se baseia na quantidade de revelação que Ele deu, até determinado momento, à humanidade. A isto se chama revelação progressiva. Adam (Adão) cria na promessa dada por Elohim em Gênesis 3:15, que a Semente da mulher destronaria Satanás. Adam Nele creu, demonstrado pelo nome que deu a Eva (v.20) e o Eterno indicou Sua aceitação imediatamente, cobrindo-os com túnicas de peles (v.21). Naquele momento, era tudo que Adam sabia, mas nisto ele creu.

Avraham creu em Elohim de acordo com as promessas e novas revelações a ele dadas por Elohim em Gênesis 12 e 15. Antes de Moshê (Moisés), nenhuma Escritura existia, mas a humanidade foi responsável pelo que Elohim tinha revelado. Através do Tanak (Bíblia hebraica), os crentes eram salvos porque criam que Elohim iria, um dia, tomar conta deste problema, o pecado. Hoje, olhando para trás, cremos que Ele já tomou conta de nossos pecados no Calvário (Yochanan/João 3:16; Hebreus 9:28).

E quanto aos crentes nos dias do Mashiach, antes da estaca e ressurreição, criam em quê? Será que entendiam por completo a morte de Yeshua na estaca de execução por seus pecados? Mais tarde em seu ministério, “... começou Yeshua a mostrar aos seus discípulos que convinha ir a Jerusalém, e padecer muitas coisas dos anciãos, e dos principais dos sacerdotes, e dos escribas, e ser morto, e ressuscitar ao terceiro dia” (Mattiyahu/Mateus 16:21). Qual foi a reação de Seus discípulos a esta mensagem? “E Kefa (Pedro), tomando-o de parte, começou a repreendê-lo, dizendo: Senhor, tem compaixão de ti; de modo nenhum te acontecerá isso.” (Mattiyahu/Mateus 16:22). Kefa e os outros discípulos não sabiam toda a verdade, mas mesmo assim foram salvos, pois creram que Elohim tomaria conta do problema de seus pecados. Não sabiam exatamente como Ele conseguiria isto, não mais que Adam, Avraham, Moshê ou Davi, mas creram em Elohim.

Hoje, temos mais revelações do que tinham as pessoas que viveram antes da ressurreição do Mashiach, pois nós sabemos por completo. “Havendo Elohim antigamente falado muitas vezes, e de muitas maneiras, aos pais, pelos profetas, a nós falou-nos nestes últimos dias pelo Filho, a quem constituiu herdeiro de tudo, por quem fez também o mundo” (Hebreus 1:1-2). Nossa salvação ainda é baseada na morte do Mashiach, nossa confiança ainda é condição para salvação, e o alvo de nossa confiança ainda é Elohim. Hoje, para nós, o conteúdo de nossa confiança é que o Mashiach morreu por nossos pecados, que Ele foi sepultado, e que Ele se levantou no terceiro dia (I Coríntios 15:3-4).

A obra do Mashiach na terra, e especialmente sua crucificação e ressurreição, é o clímax da história; é o grande centro no qual Elohim consuma a salvação para a qual toda a história do Tanak (Bíblia hebraica) se direciona, cumprindo as promessas feitas. A era presente olha para a obra completada do Mashiach, mas também para a consumação de sua obra quando vier o tempo dos “novos céus e nova terra em que habita a justiça” (2 Pe. 3:13; Ap. 21:1–22:5).

O Mashiach Descrito No Tanak (Bíblia Hebraica)

Como o plano de Elohim é para Sua glória, focalizando-se no Mashiach (Ungido) (Ef. 1:10), é natural que as promessas do Tanak apontassem para o Mashiach, “Pois todas as promessas de Elohim têm nele o sim” (2 Cor. 1:20). Quando o Mashiach apareceu aos discípulos depois de sua ressurreição, ele os fez perceber que ele mesmo (Mashiach) estava nas Escrituras: E ele lhes disse:

Ó néscios, e tardos de coração para crer tudo o que os profetas disseram! Porventura não convinha que o Mashiach/Ungido padecesse estas coisas e entrasse na sua glória? E, começando por Moshê, e por todos os profetas, explicava-lhes o que dele se achava em todas as Escrituras.” “E disse-lhes: São estas as palavras que vos disse estando ainda convosco: Que convinha que se cumprisse tudo o que de mim estava escrito na Tora de Moshê, e nos profetas e nos Salmos. Então abriu-lhes o entendimento para compreenderem as Escrituras. E disse-lhes: Assim está escrito, e assim convinha que o Mashiach padecesse, e ao terceiro dia ressuscitasse dentre os mortos, e em seu nome se pregasse o arrependimento e a remissão dos pecados, em todas as nações, começando por Jerusalém. (Lc 24:25–27, 44-47).

Quando a Bíblia diz que “abriu seus olhos para entender as Escrituras” (Lc 24:45), não quer dizer simplesmente que o Mashiach mostrou a eles umas poucas predições acerca de si mesmo como Salvador. Significa que o Mashiach é o centro do Tanak (Bíblia hebraica) inteiro, abrangendo todas as três partes do Tanak como os judeus o conheciam: A Tora de Moshê, incluindo B'reshit/Gênesis a D'varim/Deuteronômio; Os Profetas. Os Salmos representavam para os judeus a terceira porção de livros chamada de Escritos. O coração de todos esses escritos é que eles apontavam para o sofrimento de Yeshua, sua ressurreição e a conseqüente pregação do evangelho a todas as nações (Lc 24:47). O Tanak como um todo, através de suas promessas, símbolos de salvação, aponta para o cumprimento da Redenção que teve lugar uma vez por todas no Mashiach. 

Os Pactos

As promessas de Elohim no Tanak (Bíblia hebraica) estão não apenas no contexto dos compromissos de Deus para com seu povo, mas também nas obrigações que o povo tem para com Elohim. Noach/Noé, Avraham/Abraão e outros a quem Elohim encontra e se dirige são chamados não somente a crer em Elohim, mas a responder com suas vidas ao chamado de Elohim. A relação de Elohim com seu povo é consumada por meio de pactos. Quando Elohim faz um pacto com o homem, ele é apresentado como o Soberano que especifica as obrigações do pacto para ambas as partes. ― Eu serei seu Elohim. É a obrigação fundamental do lado de Elohim, enquanto que “eles serão meu povo” é a obrigação fundamental para o lado humano.

Por exemplo, quando Elohim chama Avraham/Abrão, ele diz, “Sai a tua terra e da tua parentela para a terra que te mostrarei” (Gen. 12:1). Esse mandamento especifica uma obrigação da parte de Avram/Abrão. Mas Elohim diz o que fará de sua parte: “E eu farei de ti uma grande nação, e te abençoarei” (Gen. 12:2). As declarações de Elohim tomam a forma de promessas, de bênçãos e advertências. As promessas e bênçãos apontam para Cristo, que é o cumprimento das promessas e fonte última das bênçãos de Elohim. As advertências (maldições) apontam para o Mashiach no seu papel de nosso substituto e executor de julgamento contra o pecado, especialmente em sua segunda vinda.

O Mashiach também tem as obrigações do lado humano dos pactos. O Mashiach é plenamente homem e capaz de salvar através da sua vida todos aqueles que depositam nele sua confiança. Como homem, ele está com seu povo do lado humano. Ele cumpre as obrigações dos pactos por sua perfeita obediência (Heb. 5:8). Ele recebeu a recompensa da sua obediência em sua ressurreição e ascensão (Fp. 2:9–10). Os pactos do Tanak (Bíblia hebraica) no lado humano apontam para sua consumação no Mashiach.

Ao tratar com a ira de Elohim contra o pecado, o Mashiach mudou a situação do homem de alienação para paz. Ele nos reconciliou com Elohim (2 Cor. 5:18–21; Rom. 5:6–11). Ele nos trouxe o privilégio do relacionamento pessoal com Elohim, o fato de sermos chamados filhos de Elohim (Rom. 8:14–17). A intimidade com Elohim é o que todo o Tanak (Bíblia hebraica) antecipa. Em Isaías, Elohim declara que seu Servo, o Messias, será o pacto para o seu povo (Isaías 42:6; 49:8).



quarta-feira, 17 de junho de 2020

YESHUA × NECHUSHETAN - Serpente de Bronze

Números 21: 8:
“Então disse o Yawhe a Moshe: Faze uma serpente de bronze, e põe-na sobre uma haste; e será que todo mordido que olhar para ela viverá. 9. Fez, pois, Moisés uma serpente de bronze, e pô-la sobre uma haste; e sucedia que, tendo uma serpente mordido a alguém, quando esse olhava para a serpente de bronze, vivia”.

Na Torá, bronze é símbolo de Juízo!
Deuteronômio 28:23:
“O céu que está sobre a tua cabeça será de bronze, e a terra que está debaixo de ti será de ferro”.
Nos Ketuvim, temos o relato da idolatria à Serpente de Bronze.
2 Reis 18:4:
“Tirou os altos, quebrou as colunas, e deitou abaixo a Asera; e despedaçou a serpente de bronze que Moisés fizera (porquanto até aquele dia os filhos de Israel lhe queimavam incenso), e chamou-lhe Neüstã”.
נְחֻשְׁתָּן
Nechushetan (Nerrushetan), segundo a Bíblia Judaica Stuttgartensia.
Serpente no hebreu é Nachash (Narrash) - נחש. Lembrando que no hebraico, letras são números; temos então um valor numérico tão somente usando o método gemátrico:
נ Nun (50)
ח Chet (8)
ש Shin (300)
Buscando a Soma: 50 + 8 + 300 = 358.
Como substantivo, nachash - נחש, é um termo hebraico mais genérico e usual para "serpente". Nessa forma, foi também usado como nome próprio de alguns personagens bíblicos, dos quais o mais importante foi um rei dos amonitas cujas ameaças aos hebreus os teriam levado a instituir a monarquia e unificar suas forças militares sob o comando de Saul.
A palavra também aplica-se em especial, à serpente do Jardim do Éden, e o nome em hebraico é usado por intérpretes fundamentalistas e heterodoxos que insistem em que ela não era realmente uma serpente no sentido normal da palavra.
A interpretação mais comum e popular entre judeus tradicionalistas e evangélicos fundamentalistas, é que a serpente do Jardim do Éden era um animal com pernas, mas estas foram-lhe tolhidas como punição por sua participação na Queda.
É muito interessante notar que Yeshua comparou-se à “Serpente de Bronze”. Yeshua revela a mensagem oculta (Sod), da passagem da Serpente de Bronze!
Yochanan (João) 3:14,15:
“E como Moshé (Moisés), levantou a serpente no deserto, assim importa que o Filho do homem seja levantado; para que todo aquele que nele crê tenha a vida eterna”.
- A Gematria da Palavra Mashiach (Messias)
Já vimos que Serpente (Nachash) deu o valor de 358. Veremos Mashiach, isto é, o Messias Ungido:
- MASHIACH
Men (40)
Shin (300)
Yud (10)
Chet (8)
Somando: 40+300+10+8 = 358.
MASHIACH E SERPENTE TÊM O MESMO VALOR.
Buscando a raiz de 358, temos: 3+5+8= 16.
16 = 1+6 = 7 (Completude, perfeição!).
A Serpente de Bronze (do Juízo), fôra erguida por causa do pecado de Israel. Yeshua também erguido pelo mesmo motivo; transgressão. Olhando para a Serpente, o povo tinha Vida...para Yeshua, o mesmo! Lembrando que, com o mesmo mortífero veneno, faz-se o antídoto da cura! É mesmo uma espada de dois gumes! Vimos nas Escrituras, que mais tarde, os israelitas deram um nome a Nachash (Serpente 358): Nechushetan e adoraram-na. Igualmente, fizeram com Yeshua haMashich (358); transformaram-no em objeto de culto! Ele deixou de ser o Caminho e passou a ser o Fim! Aquele que veio como o Ungido do Pai para nossa salvação, levantado no madeiro, para que olhando nós para ele (sua obra), recebêssemos Vida; virou ele mesmo o centro da avodat (Serviço de adoração), entre os gentios e até mesmo dentre alguns judeus-nazarenos e messiânicos!
Pense nisso! Shalom Lechá (Paz pra ti).
“E como Moshé (Moisés) levantou a serpente no deserto, assim importa que o Filho do homem seja levantado; para que todo aquele que nele crê tenha a vida eterna”.
“Tirou os altos, quebrou as colunas, e deitou abaixo a Asera; e despedaçou a serpente de bronze que Moisés fizera (porquanto até aquele dia os filhos de Israel lhe queimavam incenso), e chamou-lhe Neüstã”.
Dê culto somente ao Indivisível, incorpóreo e único YHWH – Criador do Universo. Mas faça isso em o Nome de Yeshua haMashiach!

sábado, 9 de maio de 2020

Parasha Semanal: Sefer Vayikra (Acharei Mot)



No dia em que os filhos de Aharon, Nadav e Avihu faleceram, Elohim disse a Moshê: "Veja que seu irmão Aharon não repita o erro de Nadav e Avihu! Porque desejavam tanto aproximar-se de Elohim, entraram no Kadosh Ha'kadoshim, Santo dos Santos sem permissão. Por causa disso, foram punidos. Nenhum judeu, exceto o Cohen gadol, deverá jamais entrar no Santo dos Santos. A Shechiná ali repousa. Mesmo Aharon, o Cohen gadol, pode entrar ali apenas quatro vezes em Yom Kipur para fazer o serviço. Se entrar uma quinta vez, será punido por Elohim." Havia apenas uma pessoa que era diferente: Elohim disse a Moshê: "Você, Moshê, é diferente. Pode entrar no local mais sagrado a qualquer hora que desejar, porque você é extremamente santo." Elohim ensinou Moshê o serviço especial de Yom Kipur. Explicaremos aqui algumas das leis principais: O próprio Cohen gadol deveria realizar todo o serviço no dia de Yom Kipur Todos os corbanot de Yom Kipur eram oferecidos pelo próprio Cohen gadol, não por qualquer outro Cohen. Por que? Neste dia Elohim perdoa os pecados do povo judeu. Por isso, os corbanot (sacrifícios) eram tão importantes que deveriam ser oferecidos pelo Cohen mais sagrado de todos, o Cohen gadol.
Um Cohen gadol usava oito vestes enquanto fazia o serviço. Destas oito, quatro não continham ouro. Em Yom Kipur, antes que o Cohen gadol entrasse no Santo dos Santos, removia suas quatro vestes de ouro para que ficasse apenas com as quatro de linho branco. Por que? Como Elohim perdoa os pecados do povo judeu em Yom Kipur, o Cohen gadol deve ser muito cuidadoso para não permitir que o anjo acusador ache alguma coisa para criticar sobre Benê Yisrael. Se o cohen gadol vestisse vestes "de ouro", o anjo acusador apontaria para o ouro e lembraria Elohim : "Benê Yisrael fez um bezerro de ouro!" Uma outra razão pela qual o Cohen gadol vestia apenas túnicas de linho ao entrar no Santo dos Santos era que vestes de linho são brancas. O branco sugere pureza e perdão. Isso demonstra que o Cohen gadol está pedindo a D’us que perdoe os pecados de Benê Yisrael.
O nome de Elohim é tão sagrado que quando lemos a Torá ou quando rezamos, não pronunciamos as letras do nome de D’us como são escritas. Ao invés disso, dizemos A-donai, que significa "Meu Mestre." Entretanto o Cohen gadol em Yom Kipur tinha que pronunciar o nome Divino – Yud Hey Vav Hei – por completo. Ele pronunciava este nome dez vezes em Yom Kipur. Quando as pessoas no pátio ouviam o sagrado nome de Elohim sair da boca do cohen gadol, todos se prostravam e respondiam: "Baruch Shem Kevod Malchutô Leolam Vaed"– "Bendito seja o nome (de Elohim) que Seu glorioso reino perdure para toda a eternidade." Sempre que o nome de Elohim era mencionado, este era louvado. Esta era uma regra do Bêt Hamicdash: quando o grande nome de Elohim era pronunciado, deveria ser louvado. O Santo dos Santos era a parte mais sagrada do Bet Hamicdash , porque a Shechiná repousava entre sobre a arca. A Shechiná é tão sagrada que a pessoa não pode vê-la completamente enquanto vive. O grande tsadic, Moshê, pode ver a Shechiná apenas "por trás". O Cohen gadol em Yom Kipur nunca viu a Shechiná claramente, porque quando queimava o incenso no Santo dos Santos, a fumaça enchia o aposento. Mesmo assim, apenas um homem muito santo sobreviveria ao entrar no Santo dos Santos. Antes que o Cohen gadol entrasse, uma corrente era presa a seu pé. Ele era puxado para fora caso morresse lá. O Cohen gadol ficava temeroso quando entrava no local mais sagrado. O que lhe dava coragem era saber que grande zechuyot (méritos) o acompanhavam. Elohim o protegeria especialmente por causa destes grandes méritos: a Torá, o brit-milá, o Shabat, a cidade de Yerushalayim e as Tribos de Israel.

sexta-feira, 10 de abril de 2020

Em que dia morreu Yeshua: sexta ou quarta-feira?




É verdade que Yeshua ressuscitou domingo de manhã? Alguns advogam que o domingo se tornou dia de guarda, baseados nesta ideia. Seria isto verdade? É certo considerar parte de um dia, como sendo 24 horas? "O elemento tempo na morte e ressurreição de Yeshua HaMashiach." As Escrituras nos ensinam o caminho da salvação (O livramento da pena de morte imposta sobre a raça humana pelo pecado) por meio de Yeshua, o Filho de Elohim. Esta verdade constitui o centro das Escrituras. O plano da salvação foi proclamado, uma vez e outra, pelos escritores da Bíblia, quando foram dirigidos pela inspiração divina. Tem se utilizado muitos métodos para enfatizá-lo, fazê-lo compreensível e comunicá-lo a nós, tais como: Histórias, Incidentes, Eventos, Parábolas, Exemplos, Ilustrações, Alegorias, Símbolos e por ensinamento direto. Estes métodos estão habilmente mesclados para revelar claramente a vontade e o desejo de Elohim para o homem. Um caminho de vida que prepara homens e mulheres para o glorioso e eterno Reino do Pai Celestial e de Seu Filho.

O MASHIACH E O SINAL DE YONAH

Um dos incidentes interessantes do Tanach (BH) e que está ligado ao tema da salvação, é o que envolve YONAH e o grande peixe. Esta é uma história com uma grande lição: "a lição de obediência". Porém, é mais do que isto. É uma ilustração ou tipo do Mashiach, não em sua rejeição de fazer o que Elohim ordenou, mas na experiência de permanecer muito tempo dentro do grande peixe que o Eterno preparou. Certamente, ninguém havia imaginado alguma relação entre a obra e vida do Mashiach e a experiência de YONAH, de ser jogado de um barco agitado pela tempestade, ao mar, para ser engolido por "um grande peixe". Porém, o Mashiach não podia deixar de fazer uso desta história em sua pregação, porque não foi um incidente casual. Elohim o planejou, e seria fator de vital importância para elucidar o plano da salvação. Sem o relato do mencionado incidente existiria grave dúvida sobre a veracidade da salvação para o homem, porque se Yeshua, o homem que foi declarado como o centro do Plano da Redenção, que deu Sua vida na Estaca de execução, não fosse realmente o Filho de Elohim, sem pecado, não poderia haver segurança de salvação para ninguém. Sem contar com a história de YONAH e seu peixe captor, não haveria uma prova positiva com a qual refutar o protesto de que o Mashiach das Escrituras era um impostor; porque Ele mesmo disse a alguns incrédulos escribas e fariseus (os quais haviam duvidado de sua verdadeira identidade, embora O haviam visto fazer milagres), que não seria dado outro sinal além do de YONAH, para provar sua afirmação de ser o MESSIAS. "...Então alguns escribas e fariseus lhe disseram: Mestre, gostaríamos de ver da tua parte algum sinal. E Ele lhes respondeu: Uma geração má e adúltera pede um sinal, porém não se lhe dará outro sinal senão o do profeta YONAH. Pois como YONAH esteve três dias e três noites no ventre do grande peixe, assim estará o Filho do homem três dias e três noites no seio da terra." (Mat. 12:38-40) Assim parte do plano da salvação está contido nesta história. Se o Mashiach não permanecesse no túmulo o tempo exato especificado neste relato de YONAH, não seria o verdadeiro MESSIAS, portanto, o elemento tempo exato, especificado nos ensinamentos das Escrituras, concernentes à Crucificação e Ressurreição do Mashiach é vital, como o mostrarei. Ao iniciar uma investigação na Escritura sobre este assunto, assinalamos que Yeshua referiu-se à história mencionada, como uma coisa que realmente aconteceu. É importante também notar que o relato feito por Mattiyahu do qual Yeshua especificou, ensina que depois de Sua morte, o Mashiach estaria no túmulo por três dias e três noites, ou seja, um total de exatamente 72 horas. O mesmo tempo, portanto, que YONAH ficou confinado dentro do grande peixe. Assim, YONAH foi um arquétipo de Yeshua no túmulo terreno.

DIFÍCIL DE RESPONDER

Este ensinamento de Yeshua, introduz na mente de milhões de religiosos mal informados uma pergunta difícil de responder. Como pode este sinal ser verdadeiro em Yeshua? Se Yeshua foi crucificado na "sexta-feira santa", posto no túmulo justamente antes do pôr-do-sol deste mesmo dia, e se levantou na manhã de domingo (como poderia sugerir uma leitura superficial de certas passagens dos Ketuvim Netzarim, Ele não teria estado no túmulo os três dias e três noites; não poderia ter sido o verdadeiro Messias. No entanto, o Mashiach especificou claramente (como está registrado em Mattiyahu 12: 39, 40) que o único sinal que lhes daria para demonstrar que era o Messias, seriam Seus três dias e três noites sepultado no coração da terra, ou seja, o mesmo tempo que YONAH esteve dentro do grande peixe. Seria isto uma contradição ou há um modo de harmonizar este relato de Yeshua com a revelação dos fatos ocorridos? Um exame cuidadoso nos relatos nos Ketuvim Netzarim, e revelará que não há incompatibilidade, mas completa harmonia. Achar-se-á um esclarecimento definitivo, o qual mostra que Yeshua era verdadeiramente "o Cordeiro de Elohim, que tira o pecado do mundo" (Yochanan 1:29). Além disso, um estudo deste assunto revelará evidência adicional da divina inspiração dos escritos sagrados, e de que Elohim é mui exato em tudo o que faz.

Em YONAH 1:17 lemos:

"Preparou o Yawheh um grande peixe, para que tragasse a YONAH; e esteve YONAH três dias e três noites no ventre do peixe..." Isto esclarece que YONAH esteve verdadeiramente dentro ou sepultado no peixe, três dias completos e três noites completas, o que é equivalente a 72 horas. Antes de acontecer isto, YONAH havia entrado num barco para fugir de seu dever, porém o tempo que permaneceu no navio não conta nos três dias e três noites que esteve dentro do peixe. Para fazer o tipo verdadeiro, nós não podemos contar o tempo que Mashiach esteve nas mãos dos judeus e dos romanos. Considera-se somente o tempo que esteve no túmulo, exatamente três dias e três noites.

QUANDO YESHUA HAMASHIACH FOI COLOCADO NO TÚMULO?

Ser-nos-ia de grande ajuda, enquanto continuamos o estudo do elemento tempo na crucificação e ressurreição de Mashiach, determinar quando Yeshua foi posto no túmulo. Ele foi colocado ali no mesmo dia que foi crucificado; precisamente na tarde deste dia, próximo ao pôr-do-sol. Com relação a isto, citamos o relato do seu sepultamento como está registrado em Marcos 15:42-43: "E quando já era tarde (pois era a preparação, isto é, a véspera de Shabat), foi Yosef de Ramatayim, membro ilustre do Sanhedrin, que também esperava o Reino de Elohim, apresentou-se corajosamente a Pilatos e pediu-lhe o corpo de Yeshua." O mesmo relato encontra-se em Lucas 23:52-54
"Este foi ter com Pilatos e pediu-lhe o corpo de Yeshua. Tendo decido-o da estaca, envolveu-o num lençol e depositou-o num sepulcro aberto na rocha, no qual ninguém ainda tinha sido sepultado. E era véspera da Pêssach, e estava para raiar o Shabat." Estes versos logicamente fixam uma questão: Que dia da semana era este chamado Shabat? Que dia era este chamado de "a preparação"? De acordo com o quarto mandamento da Tora, como se encontra em Sh’mot 20:8-11, o sétimo dia da semana está designado como Shabat, o qual segue-se chamado até hoje de Shabat. Portanto, se o Shabat mencionado em Lucas 23:54 era o sétimo dia da semana (de acordo com o quarto mandamento) bem poderia ser determinado que a sexta-feira (o dia anterior ao Shabat) fosse o dia da preparação, mencionando neste mesmo verso. Assim que, por este raciocínio e relato da Escritura, parece que o Mashiach foi crucificado e sepultado na sexta-feira, precisamente antes do pôr-do-sol. Esta é a conclusão comumente aceita e, aparentemente, tem fundamento bíblico. Se esta conclusão é correta, o Mashiach não cumpriu a profecia que disse, relacionada a Si mesmo. Porque, se ressuscitou no domingo de manhã, como geralmente se crê, Ele esteve no túmulo somente duas noites e um dia: sexta-feira de noite (uma noite), o dia de Shabat (um dia), e a noite depois do pôr-do-sol do Shabat (duas noites). Ainda se contássemos o curto período entre o tempo que foi posto no túmulo e o pôr-do-sol como mais um dia, a conta só mudaria para Dois dias e duas noites, ou seja, um dia e uma noite menos que o tempo que o Mashiach disse que permaneceria no túmulo. E se não esteve ali o tempo completo que Ele prometeu, teria sido um impostor, porque Ele assegurou que este seria o único sinal dado. Qualquer tentativa de contar alguma parte do dia de domingo como outro dia completo, no qual Mashiach poderia ter estado no túmulo antes de ressuscitar, teria que ser rejeitada, porque o anjo (de acordo com o relato de Yochanan 20:1) disse às mulheres que foram ao túmulo antes da saída do sol, que o Mashiach já havia ressuscitado e já havia saído. Yochanan especifica no evangelho que leva o seu nome, que a visita foi feita "...Quando ainda estava escuro." Portanto, devemos estar seguros de que há algum equívoco com a teoria da crucificação na sexta-feira e da ressurreição no domingo pois Yeshua é o verdadeiro Messias e sempre disse a verdade. Assim, é necessário investigar mais profundamente, para encontrarmos uma explicação harmoniosa e real para estes acontecimentos.

QUANDO YESHUA HAMASHIACH DEIXOU O TÚMULO?

Antes de responder à pergunta do subtítulo, faremos outra: Quando o Mashiach foi colocado no túmulo? Procederemos desse modo para melhor entendermos e obtermos respostas claras, porque o tempo em que o Mashiach foi posto no túmulo pode ser determinado considerando-se primeiramente o momento em que Ele rompeu sua sepultura. A ressurreição do Mashiach, levantando-se dos mortos foi um acontecimento maravilhoso. Todos os escritores dos evangelhos testificam o fato da ressurreição, porém, surpreendentemente, nenhum deles menciona o minuto exato em que houve este acontecimento. Não é correto dizer que as Escrituras não nos dão bastante informação sobre o tempo da ressurreição, ou seja, o dia e a parte exata do dia em que ocorreu. Expresso exatamente o que cada escritor do evangelho nos diz sobre a ressurreição:

MARCOS:
"...no primeiro dia da semana, de manhã cedo, chegaram ao sepulcro quando o sol já era nascido. Diziam entre si: Quem nos há de revolver a pedra da boca do sepulcro? Mas, olhando viram revolvida a pedra, a qual era muito grande. Entrando no sepulcro, viram um jovem sentado do lado direito, vestido de uma túnica branca, e ficaram assustadas. Ele disse-lhes: Não temais, buscai a Yeshua o Nazareno que foi crucificado: ressuscitou, não está aqui, eis o lugar onde o depositaram." (Mar. 16:2-6) Nota-se que Marcos não dá nenhuma indicação do tempo em que Yeshua saiu do túmulo. Somente diz que algumas mulheres fizeram uma visita ao túmulo "ao sair do sol", unicamente para saber que o Mashiach não estava ali.

YOCHANAN:
"E no primeiro dia da semana, foi Miryam de Magdalah ao sepulcro, de manhã, sendo ainda escuro, e viu a pedra retirada do sepulcro. Correu então e foi ter com Shim’on Kefá e com o outro discípulo, a quem Yeshua amava, e disse-lhes: Levaram o Adon do sepulcro e não sabemos onde o puseram. Partiu então Kefá com o outro discípulo e foram ao sepulcro. Corriam ambos juntos, mas o outro discípulo corria mais do que Kefá e chegou primeiro ao sepulcro. Tendo se inclinado viu os lençóis postos no chão e o sudário que estivera sobre a cabeça de Yeshua, o qual não estava com os lençóis, mas dobrado num lugar à parte. (Yochanan 20:1-7).

LUCAS:
"E no primeiro dia da semana, muito de madrugada, foram elas ao sepulcro, levando as especiarias que tinham preparado. E acharam a pedra do sepulcro revolvida. E entrando, não acharam o corpo do Adon Yeshua. E aconteceu que, estando elas perplexas a esse respeito, eis que pararam junto delas dois varões, com vestidos resplandecentes. E, estando elas atemorizadas, e abaixando o rosto para o chão, eles lhe disseram: Porque procurais o vivente entre os mortos? Não está aqui, mas ressuscitou. Lembrai-vos como vos falou, estando ainda na Galil". (Luc. 24:1-7) Tão pouco Lucas dá algum indício de quando o Mashiach partiu do sepulcro. Somente confirma o relato dos outros escritores: que o Mashiach já havia saído quando as mulheres chegaram. Porém, devemos observar que não lemos o relato da ressurreição que nos dá Mattiyahu no seu relato.

Mattiyahu revela o tempo:
"No findar do Shabat, ao entrar o primeiro dia da semana, Miryam Magdalah e a outra Miryam foram ver o sepulcro. E eis que houve um grande terremoto; porque um anjo do Eterno desceu dos céus, chegou-se, removeu a pedra e assentou-se sobre ela. O seu aspecto era como um relâmpago, e a sua veste alva como a neve. E os guardas tremeram apavorados, e ficaram como se estivessem mortos. Mas o anjo, dirigindo-se às mulheres, disse; não temais; porque eu sei que buscais a Yeshua, que foi crucificado. Ele não está aqui: ressuscitou, como havia dito. Vinde ver onde ele jazia." (Mattiyahu 28:1-6) Nestes versos encontramos que Mattiyahu acrescenta uma informação muito importante referente ao acontecimento, não encontrando contradição alguma no seu relato. Mattiyahu é o único escritor do Evangelho que assinala o tempo da ressurreição. Ele escreve de uma visita feita ao túmulo antes de começar o primeiro dia da semana: "No findar do Shabat ao entrar o primeiro dia da semana..." Ele não diz exatamente quanto tempo antes de o dia seguinte começará, porém está definindo que foi à tarde, na última hora do Shabat semanal. Isto explica completamente porque o Mashiach não estava no túmulo quando O visitaram de manhã ou de madrugada, depois do Shabat (ao começar o primeiro dia da semana, hoje chamado domingo). As mulheres, no relato de Mattiyahu, estavam ali (nas redondezas pelo menos) no tempo da ressurreição, porque Mattiyahu relata que "houve um grande terremoto: porque o anjo do Eterno, descendo dos céus e chegando, havia revolvido a pedra e estava sentado sobre ela..." Elas, no entanto, não viram realmente que o Mashiach foi levado do túmulo. Note-se que Mattiyahu detalha o tempo da ressurreição com duas expressões diferentes: "no fim do Shabat" e "quando começava a amanhecer o primeiro dia da semana", ou "ao entrar o primeiro dia". Estes são sinônimos, já que o Shabat termina no pôr-do-sol. (Leia: Vayikra. 23:32)

O SIGNIFICADO DA PALAVRA "AMANHECER"
A palavra amanhecer em Mattiyahu 28:1 merece uma explicação. Embora seja aplicada usualmente como "manhã", na linguagem bíblica, neste caso específico, não indica o tempo de saída do sol, mas o começar de um dia completo de 24 horas. Primeiramente, Mattiyahu acaba de dizer que era "No fim do Shabat...", isto porque o Shabat termina no pôr-do-sol, portanto, seria impossível neste caso, a palavra "amanhecer", significar o romper do sol porque, o sol não se levanta senão 12 horas mais tarde. Não poderia ser o fim do Shabat e a manhã de domingo ao mesmo tempo. Em segundo lugar, a palavra "amanhecer" foi usada aqui como um verbo e não como um sujeito. Note-se que as palavras não são: "...no amanhecer," mas "quando começava a amanhecer..." ou ao entrar o primeiro dia..." Como verbo, o dicionário de Wester define a palavra amanhecer: "começar a aparecer, desenvolver, dar promessa, primeira aparência, princípio...", portanto, devemos entender que a ressurreição aconteceu quando o primeiro dia da semana estava perto, iniciando, começando a aparecer, quando o crepúsculo e a grande escuridão deram promessa de um novo dia que ia começar; porém definitivamente ANTES e não DEPOIS. A ressurreição foi efetuada no final de um dia e não no princípio de outro. O termo amanhecer nesta passagem deriva-se da palavra grega "epiphosko". O "Greek and English Lexicon of the New Testament" de Parkhurst define: Aproximar-se, como o Shabat judeu, que começa na tarde". Para confirmá-lo consulte Vayikra 23:32 e Nechemyah 13:19.
Assim, o verbo está claramente usado. Compare Luc. 23:54 e Yochanan 19:31 com D’varim. 21:22,23 e com a mesma visão pode-se compreender o relato de Mattiyahu 28:1. Ou seja, NA TARDE DE SHABAT, quando os judeus estavam esperando o princípio do primeiro dia (domingo) da semana. A palavra "amanhecer" ou "ao entrar" consiste num forte obstáculo à ideia de uma ressurreição no domingo de manhã, já que Mattiyahu nos diz que sucediam estas coisas enquanto estava amanhecendo ou aproximando-se o primeiro dia da semana e isto nos prova que o primeiro dia da semana não havia ainda chegado. A ressurreição aconteceu na parte final do Shabat. Neste ponto, seria conveniente notar como outros homens traduziram Mattiyahu 28:1, ou ao menos uma parte do verso. A seguir, consideremos um pouco destas traduções das Escrituras:

Versão Revisada e Versão Americana: "Na tarde de Shabat..."
Almeida - Rev. e atualizada: "No findar do Sábado..."
Peshito Syriac: "E no encerrar do Shabat..."
Novo Testamento da União Americana da Bíblia (Publicada pela Sociedade Publicadora Batista Americana): "Era tarde no Sábado..."
Dean Alfred: "E no fim do Sábado..."
Rotherman: "Na tarde da semana, quando estava a ponto de amanhecer o primeiro dia da semana...".
George Ricker Berry (Em seu Novo Testamento Grego Interlinear): "Na tarde do Shabat, quando estava escurecendo para o primeiro dia da semana..."
James Moffatt: "No encerramento do Sábado, quando o primeiro dia da semana estava amanhecendo..."
A tradução grega (mais antiga que qualquer outro texto grego conhecido), The Sinaitic Palimpset, confirma as traduções citadas: "Na tarde do Shabat, quando o primeiro dia da semana amanhecia..." A tradução grega original revela que não há erro na versão do Rei Tiago (Inglês) em Mattiyahu 28:1. Vejamos uma tradução de Mattiyahu 28:1-7:
"Na tarde de Sábado, quando estava escurecendo para o primeiro dia da semana, vieram Maria Madalena e a outra Maria para ver o sepulcro. E eis que houve um grande terremoto, porque um anjo do Senhor, vindo, tirou a pedra da porta e estava sentado sobre ela. E sua aparência era como de um relâmpago e seu vestido branco como a neve. E com temor dele, os guardas que cuidavam tremeram e estavam como mortos. Porém o anjo respondendo, disse as mulheres: Não temais porque sei que procurais a Jesus que foi crucificado. Não está aqui, porque ressuscitou, como disse. Vinde, vede o lugar onde foi posto o Senhor. E ide logo, dizei aos seus discípulos que já ressuscitou dos mortos". Isto fica confirmado com a "tradução interlinear do Novo Testamento Grego" por George Ricker Berry, Ph. D., Universidade de Chicago e Universidade Colgate, Departamento de Línguas Semíticas.
Assim, à primeira vista, poderíamos estranhar que a ressurreição tivesse ocorrido antes do pôr-do-sol. Ao entanto, pensando mais detidamente, descobrimos que é exatamente neste momento do dia em que deveria acontecer (e tinha que ser assim) para que as palavras proféticas de Yeshua se cumprissem exatamente. Até aqui encontramos o tempo aproximado da ressurreição. No fim do Shabat semanal. Porém, quando comparamos com o tempo em que se presume que o Mashiach foi posto no túmulo, a investigação que fizemos sobre o elemento tempo em nosso estudo, parece ainda mais confusa. Se o Mashiach, como se diz, foi colocado no túmulo antes do crepúsculo da sexta-feira, e ressuscitou antes do crepúsculo de Shabat, logo esteve no túmulo somente 24 horas, ou seja, um dia e uma noite. Isto não pode ser verdade, porque então não teria sentido nenhum dizer que o dia depois da ressurreição era "o terceiro dia desde que aconteceu..." (Lucas 24:21) Yeshua disse que estaria no túmulo três dias e três noites, portanto, visto que Ele ressuscitou no fim do Shabat, temos somente que contar para trás até o tempo que Ele profetizou que estaria ali, para determinar quando foi posto no sepulcro. Esta conta para trás nos leva precisamente ao crepúsculo de quarta-feira, o que significa que Yeshua foi crucificado neste dia e não na sexta-feira. Agora pode-se ver claramente porque trabalhamos tanto com a pergunta referente ao tempo em que Mashiach saiu do túmulo, para poder dar resposta à pergunta anterior: quando Yeshua HaMashiach foi posto no túmulo? Porém... poderia perguntar-se: Como pode ser isso? Como poderia Mashiach ser crucificado na quarta-feira, quando está claramente relatado que o dia da crucificação foi dia da preparação para o Shabat? Yochanan, o Evangelista - nos dá a resposta: "Então os judeus, porque era véspera da Pêssach, para que os corpos não fossem retirados do madeiro no Shabat pois era “Shabat Gadol”, rogaram a Pilatos que lhes quebrassem as pernas, e fossem retirados". (Yochanan 19:31) Isto mostra que o Mashiach foi crucificado um dia antes do chamado "grande dia de Shabat". Este era o Shabat, sétimo dia da semana? Não, não era. Não podia ser, porque o Shabat semanal designado como descanso nos Dez Mandamentos, nunca se lhe chamou ou referiu como sendo um "um grande dia". Acrescente-se ainda que Yochanan esclarece que o dia anterior à Pêssach é que se chamava "preparação": E era a preparação da Pêssach, e quase a hora sexta..." Esta preparação não era, portanto, uma preparação para o Shabat do Eterno, o sétimo dia, mas a preparação da Pêssach. (Yochanan 19:14) Alguns argumentam que este "grande dia de Shabat" especial ocorreu no mesmo dia do Shabat semanal, no entanto, é de suma importância recordar que a PÊSSACH sempre ocorreu no dia seguinte da noite de lua cheia. E o dia seguinte da lua cheia neste ano da crucificação foi precisamente na quarta-feira, 14 de Nisãn, portanto, a Pêssach não pode ter sido neste ano num Shabat semanal. Nisã é o mês judeu que corresponde a parte do mês de março e uma parte do mês de abril do nosso calendário. Os dias da semana são os mesmos nos dois calendários. Quarta-feira no calendário judeu é quarta-feira no Gregoriano.

DOIS SHABATOT NAQUELA MESMA SEMANA

Com uma simples comparação de textos, podemos provar que na semana da morte de Yeshua, houve dois Shabatot: O primeiro dia dos asmos, que caía no dia 15 de Nisãn e que neste caso, foi na quinta-feira e o Shabat do Eterno, o sétimo dia da semana. Para melhor entendermos, tomaremos um fato ocorrido neste período, ou seja, a compra de material e o preparo das especiarias, para se ungir o corpo de Yeshua. Vejamos quando isto ocorreu, segundo o relato de Lucas 23:54-56. "E era o dia da preparação, e amanhecia o Shabat. E as mulheres, que tinham vindo com ele da Galil, seguiram também e viram o sepulcro, e como foi posto o seu corpo. E, voltando-as, prepararam especiarias e unguentos, e no Shabat repousaram conforme a mitzvah." Por esta passagem fica claro a ordem de acontecimento das coisas:
a) Já estava terminando o dia da preparação, com o pôr-do-sol, e começando o Shabat. Já não havia mais tempo para comprar e preparar as especiarias para ungir o corpo de Yeshua, pois já era Shabat.
b) O verso 54, no entanto, fala que elas, as mulheres, prepararam tudo antes do Shabat e que repousaram neste dia, conforme ordenava a mitzvah. Como entender isto? Se já estava iniciando o Shabat, como e quando elas compraram e fizeram os preparativos se o verso final nos prova que elas observaram o Shabat. Difícil, não? Comparemos agora o mesmo assunto com o descrito em Marcos 16:1 "E, passado o Shabat, Miryam Magdalah e Miryam mãe de Yaakov, e Salomé, compraram aromas para irem ungi-lo." Este texto, parece complicar mais, todavia é aqui que se esclarecem os fatos, pois fala que as mulheres foram comprar as especiarias DEPOIS do Shabat. Lucas, no verso 54 nos disse que este preparo ocorreu antes do Shabat e Marcos disse que foi depois! Como harmonizar as coisas? A grande e esclarecedora verdade é que naquela semana houve dois Shabatot: Um cerimonial, ocorrido na quinta-feira, ou seja, o primeiro dia da grande festa dos asmos e o outro, o sétimo dia da semana, ou o Shabat citado pela quarta mitzvah da Tora Sagrada. Assim que Yeshua morreu no dia 14 de Nisãn, uma quarta-feira, também considerado o "dia da preparação"; foi sepultado no final deste dia, próximo ao pôr-do-sol, portanto já quase na virada para a quinta-feira, que por sua vez era o dia dos asmos, um Shabat cerimonial e festivo. Foi depois deste Shabat cerimonial ou quinta-feira, que as mulheres compraram e prepararam as especiarias, o que harmoniza com Marcos 16:1. Uma vez preparado o material para ungir o corpo de Yeshua, o que certamente se aprontou na sexta-feira, no Shabat do Eterno elas repousaram conforme o preceito da Tora (o que prova que os primitivos netzarim eram observantes do Shabat e que este dia não foi substituído pelo primeiro dia para ser guardado). E no primeiro dia da semana foram cedo para fazer a santa unção. Isto harmoniza também Lucas 23:54 e 24:1 com Marcos 16:1, 2. Portanto, fica claro que naquela semana houve dois Shabatot, dissipando-se assim quaisquer possíveis dúvidas no assunto.

OUTROS DIAS CHAMADOS "SHABATOT"

Observe-se que as Escrituras, fala de outros dias que não sendo o sétimo dia da semana, também recebem o nome de "Shabat". Por exemplo, encontramos um dia diferente chamado Shabat no seguinte versículo: "...fala aos filhos de Israel e diz-lhes: No sétimo mês, ao primeiro do mês tereis descanso (SHABAT), uma comemoração ao som de shofarot e uma santa convocação..." (Vayikra. 23:24) Se lermos o versículo 39 encontraremos mencionado outro Shabat: "Porém aos 15 dias do sétimo mês, quando tiverdes recolhido o fruto da terra, celebrareis a festa do Eterno por sete dias, o primeiro dia será descanso (SHABAT); descanso (SHABAT) será também o oitavo..." Um texto que em nossas versões esclarece melhor que os dias de descanso nas festas fixas, eram chamados Shabatot se acha em Vayikra. 23:32, ao dizer que o dia 10 do sétimo mês seria um Shabat para Israel: "Shabat de descanso vos será... aos nove do mês à tarde, duma tarde a outra tarde, celebrareis o vosso Shabat." Se esta era uma data fixa, é obvio que podia cair em qualquer dia da semana e que seria um Shabat, um Shabat cerimonial, integrante de determinada festa. Poderíamos ainda elucidar este assunto com uma passagem que menciona um Shabat denominado segundo-primeiro. Que seria isto? Certamente que este Shabat não era o semanal, sétimo dia, mas um Shabat cerimonial. Porque segundo-primeiro? Porque era um Shabat secundário (não o principal, o 7º dia semanal), mas que caia primeiro, na semana, antes do Shabat do Eterno. Ver Lucas 6:1. Assim é evidente e fácil de compreender que estas festas em datas fixas eram celebradas em qualquer dia da semana e que os dias em que não se trabalhavam eram considerados como "Shabatot". Quando verificamos algumas passagens do Tanach (BH), pertencentes à instituição da Pêssach e da festa dos pães sem fermento que vem em seguida, encontramos, porém, outro dia chamado Shabat e este é precisamente o SHABAT ou "grande dia" a que Yochanan se referiu no capítulo 19:31, citado anteriormente. Assim é indispensável determinar com que significado da palavra Shabat está sendo aplicada nas Escrituras, e de acordo com as Escrituras citadas pode-se ver que o Shabat que veio no dia seguinte ao que o Mashiach foi crucificado, não foi necessariamente o semanal dia de Shabat, de acordo com mitzvah.

O SHABAT DA PÊSSACH

O Mashiach foi morto no dia 14 do primeiro mês hebreu, chamado Nisãn ou Abib (o mesmo dia no qual o cordeiro da Pêssach era sacrificado sob o Tanach – Leia: Sh’mot 12:1-6) e isto podia acontecer em qualquer dia da semana. O dia seguinte à morte do cordeiro da Pêssach, sempre era chamado de "Shabat". Isto determinamos com os seguintes versículos: "...No primeiro mês, aos quatorze do mês, pela tarde, é a Pêssach de Yawheh. E aos quinze deste mês é a festa dos asmos. No primeiro dia tereis santa convocação: nenhuma obra servil fareis..." (Vayikra. 23:5-7) Aqui o décimo quinto dia chama-se Shabat, e era "uma santa convocação", o qual contrasta com o versículo 24: "...ao primeiro do mês terei Shabat, uma comemoração ao som de shofarot". Uma santa convocação significa um descanso e dia de reunião. Era um tempo em que nenhum trabalho servil (ou trabalho de qualquer natureza) deveria ser feito. Isto era um Shabat, por isso se pode ver que o dia seguinte à crucificação do Mashiach, o qual Lucas chama "o Shabat" (Lucas 23:54), teria por necessidade que corresponder ao dia seguinte da Pêssach, de acordo com Vayikra 23, e sendo Shabat, não era o sétimo dia - o Shabat semanal. O dia da crucificação foi chamado de "a preparação" para o Shabat da Pêssach que imediatamente lhe seguia, e não foi necessariamente uma sexta-feira da semana. Neste ano particularmente, o dia da "preparação" foi quarta-feira. Yeshua morreu ao redor das 15:00 horas da tarde deste dia, e justamente antes do crepúsculo deste mesmo dia foi posto no túmulo. Setenta e duas horas mais tarde (ou três dias e três noites) cumpriram-se antes do crepúsculo do sétimo dia, Shabat semanal, o qual foi o tempo (de acordo com Mattiyahu 28:1) em que o anjo abriu o túmulo e disse: Não temais vós, porque eu sei que procurais a Yeshua, que foi crucificado. Não está aqui porque já ressuscitou, como disse. Venham, vede o lugar onde foi posto o Senhor (Yeshua)..." (versos 5,6)

O TEMPO QUE ESTARIA NO SEPULCRO

Agora prosseguiremos nosso estudo considerando alguns versículos relacionados com o tempo do sepultamento do Mashiach. Este tempo é referido nos Evangelhos de três modos diferentes, como segue:

1 - Yeshua "estaria três dias e três noites no coração da terra" (Mat. 12:40)
2 - Ele "ressuscitou ao terceiro dia" (Mat. 16:21 e ver também Mat. 17:23; 20:19; Luc. 9:22)
3 - Yeshua havia dito: "depois de três dias me levantarei outra vez" (Mat. 27:63 e Mar. 8:31)
Sabendo que a Bíblia é divinamente inspirada e sem contradição, deve existir completa harmonia entre estes três períodos de tempo designados, e especialmente entre os termos: "ao terceiro dia" e "depois de três dias". E aqui temos: A referência (nestes versículos) sobre o tempo que o Mashiach estaria no túmulo, de nenhuma maneira se põe em evidência ou contradiz a doutrina da crucificação na quarta-feira e a ressurreição no fim do Shabat (justamente antes do crepúsculo). Os versículos harmonizam com esta verdade de modo maravilhoso e mostram a exatidão da Palavra de Elohim.

"RESSUSCITADO AO TERCEIRO DIA"

Como pôde Yeshua ter estado no túmulo três dias e três noites e ressuscitar ao terceiro dia? Esta pergunta é facilmente respondida. Ele foi posto no túmulo numa quarta-feira (antes do crepúsculo). Vinte e quatro horas mais tarde se cumprem justamente antes do crepúsculo de quinta-feira, o qual marca o primeiro dia que estava no túmulo. Contando da mesma maneira, sexta-feira foi o segundo dia e o Shabat (antes do crepúsculo 72 horas mais tarde) foi o terceiro dia. Três dias completos de 24 horas que Ele esteve sepultado, para sair do sepulcro no Shabat semanal justamente antes do crepúsculo.

"DEPOIS DE TRÊS DIAS"

Outra vez: Como Yeshua poderia ter ressuscitado ao terceiro dia e ao mesmo tempo deixar o túmulo depois de três dias? Esta é a resposta: De acordo com Mattiyahu, o Mashiach deveria estar no túmulo três dias e três noites (72 horas). Assim cumprindo este período de tempo, diz depois, que ELE havia estado ali três dias. Ele não se levantou antes de que os três dias expirassem. Porém, sobrava um tempo de claridade ainda do dia, depois que passou o tempo especificado e o crepúsculo terminava, para que fizesse sua saída do túmulo e fizesse-a no terceiro dia. Portanto, achamos perfeita harmonia nas três definições de tempo, tudo em seu exato minuto, como sabemos que Elohim faz tudo. Louvado seja o Seu nome!

"O TERCEIRO DIA DESDE..."

Há mais uma referência no fator tempo, que está ligada a crucificação e ressurreição do Mashiach. Esta foi feita por um dos homens que iam caminhando para uma vila chamada Emaús, no dia seguinte da ressurreição, enquanto Yeshua (não O identificaram logo) juntou-se e andou com eles.
Iam, desconsolados, falando dos acontecimentos recentes que envolviam a morte e ressurreição de Yeshua, quando disse: "E nós esperávamos que fosse Ele que remisse Israel, mas agora, sobre tudo isso, hoje já é o terceiro dia que estas coisas aconteceram..." (Luc. 24:21) Notamos anteriormente que em vários versículos está relatado que Yeshua ressuscitaria no terceiro dia depois de sua crucificação e sepultamento. Se este terceiro dia mencionado por um dos discípulos que iam a Emaús era o terceiro dia depois de que o Mashiach foi posto no túmulo, a conclusão seria que a ressurreição ocorreu no primeiro dia da semana. Isto apresenta uma direta contradição com os relatos que consideramos em outros versículos da Bíblia. Um deles, ao sinal de YONAH, e o outro: o relato feito por Mattiyahu de que o Mashiach não foi encontrado no túmulo no final do Shabat. Observaríamos ainda que este não é um relato contraditório feito em Lucas 24:21, como pode-se ver observando exatamente o que diz no versículo que estamos considerando. Quando o analisamos podemos ver que não somente NÃO É UMA CONTRADIÇÃO, mas que é impossível que o domingo tenha sido "o terceiro dia desde que...", o "depois" seguindo o dia da crucificação do Mashiach. Por quê? Porque se domingo foi o terceiro dia depois da crucificação, não teria acontecido na sexta-feira, deveria ter ocorrido na quinta-feira, porque se o domingo era o terceiro dia depois, então seguindo o raciocínio anterior, ou seja, contando para trás - o Shabat seria o segundo dia e a sexta o primeiro dia depois da crucificação, não o dia do acontecimento. Seria absurdo e fora de harmonia com o entendimento comum e a dicção gramatical, dizer que o dia em que o Mashiach foi crucificado era o primeiro dia depois (ou desde) que foi feito. Isto não tem sentido. Certo? Agora mostraremos, analisando o que o discípulo disse, que nem complica o assunto, nem o faz de modo nenhum contraditório aos relatos de outras partes das Sagradas Escrituras. Embora o versículo que citamos seja usado geralmente para fundamentar a crença de que o Mashiach ressuscitou no domingo, não o confirma. O discípulo não disse: "... hoje é o terceiro dia depois da crucificação e morte de Yeshua..."Ele disse assim: "...hoje é o terceiro dia que isto aconteceu..." De tal modo que primeiro é indispensável definir a que se refere: "que isso aconteceu". (Lucas 24:21) Aparentemente os homens estavam falando de outras coisas além da crucificação e sepultura de Yeshua, porque lemos no verso 14: "E iam falando entre si de todas aquelas coisas que tinham acontecido..." Isso havia incluído tudo o que havia sido feito em relação à morte e sepultamento de Yeshua. Algo que foi feito por último, consistiu no selamento da pedra que fechou o túmulo e o estabelecimento da guarda que cuidou do sepulcro com severa vigilância, e concluiu-se no dia seguinte de sua morte, que era quinta-feira (o selamento e a vigilância), como o comprova a leitura dos seguintes versos: "...E no dia seguinte, que é o dia seguinte depois da preparação, reuniram-se os príncipes e sacerdotes e os fariseus em casa de Pilatos, dizendo: Senhor, lembramo-nos de que aquele enganador, vivendo ainda, disse: Depois de três dias ressuscitarei. Manda, pois, que o sepulcro seja guardado com segurança até o terceiro dia, para que não venham seus discípulos de noite e o furtem, e digam ao povo: Ressuscitou dos mortos; e assim o último erro será pior do que o primeiro. E disse-lhes Pilatos: Tendes a guarda, ide guardai-o como entenderdes. E, indo eles asseguraram o sepulcro com a guarda, selando a pedra". (Mattiyahu. 27:62-66) Assim, o tempo a contar dos dias posteriores, seria desde o dia em que a última coisa foi feita, relacionada com a crucificação, e esta era a que acabamos de assinalar: o selo do túmulo e o estabelecimento da guarda. Acontecimento ocorrido na quinta-feira. De tal maneira que a sexta-feira havia sido o primeiro dia depois: o Shabat o segundo dia depois e o domingo o terceiro dia depois de que "todas estas coisas aconteceram".

OUTRAS VERSÕES ESCLARECEM

Nem todos costumam aceitar as verdades da Bíblia sem alguma resistência. Na verdade, a grande maioria não aceita mesmo, ainda que se lhes prove com muitos argumentos. Assim, decidimos incorporar mais este pensamento, baseado em outras versões que, sem dúvida, serão um reforço a mais no assunto.

Lucas 24:21: "E nós esperávamos que fosse ele o que remisse Israel; mas agora, sobre tudo isso, é já hoje o terceiro dia desde que essas coisas aconteceram. (Versão Almeida Revista e Corrigida) Conforme já explicado, esta passagem, da forma em que foi traduzida e considerando-se os três dias e as três noites, poderiam nos levar a entender que Yeshua teria morrido na quinta-feira, pois aí sexta seria o primeiro dia; Shabat, o segundo e domingo, o terceiro dia. Todavia, vejamos o mesmo texto em outras versões:

"São agora três dias desde que estas coisas ocorreram..." (El Nuevo Testamento del Siglo Veinte)
"E eis aqui, três dias tem passado desde que todas estas coisas ocorreram..." (Versão Peshito Siríaca). Obs. Esta versão é considerada a mais antiga do mundo, antes mesmo que qualquer texto grego conhecido pelo homem.
"...Hoje (são) três dias desde que todas estas coisas aconteceram..." (The Curetonian Syriac) outro antigo manuscrito.
Conclusão: Nenhuma destas conceituadíssimas versões, dizem que aquele "domingo" fosse o terceiro dia, mas que já haviam se passado três dias, o que, sem dúvida, muda a situação.

PORQUE ESTE ESTUDO?

Porque estudamos este assunto com todos os detalhes? Faz realmente alguma diferença o dia em que o Mashiach foi crucificado e o dia em que ressuscitou? Não é certo que a coisa mais importante é crer que Yeshua morreu por nós e ressuscitou para que tenhamos vida eternamente? Sim, é verdade, o que Ele fez por nós é vital e importante, e, independente dos fatores incluídos, é de maior importância que o fator tempo. Porém, visto que outros fatores estão incluídos, o elemento tempo também é vital. Além disso, dá grande satisfação saber que cremos e ensinamos a verdade doutrinal, visto que outros fatores estão incluídos, o elemento tempo também é vital.

A OBSERVÂNCIA DO DOMINGO - UM FALSO ENSINAMENTO

Nós sustentamos que a observância do domingo como dia de repouso e adoração tem seu princípio derivado do ensinamento de que o Mashiach ressuscitou dos mortos num domingo, o qual deixa está doutrina sem base, quando vemos que as Escrituras dos Ketuvim Netzarim realmente trazem, o que diz respeito ao fator tempo na crucificação e ressurreição do Salvador. Quando lhes perguntamos porque observam o domingo como Shabat, a maioria responde: Porque Cristo ressuscitou nesse dia.
Esta é a causa que vemos das pessoas mudando o mandamento de Elohim e perdendo Sua Divina bênção por um mal entendido (ou falta de conhecimento da Palavra sobre o verdadeiro tempo da ressurreição), por isso achamos necessidade de preparar e publicar este estudo.
O profeta Daniel disse: "...haveria um poder (humano) que mudaria os tempos e a lei..." (Daniel 7:25) Uma prova disto é que o domingo substituiu o Shabat como dia de repouso do trabalho e se tornou dia de adoração. Esta mudança foi feita por homens porque não há mandamento escritural para a mudança. É perigoso adaptar nosso culto à Elohim de acordo com a doutrina humana e estabelecer nossa fé de acordo com os ensinamentos dos homens.
O Mashiach chamou isto de vã adoração. Ele disse: "Mas em vão me adoram, ensinando doutrinas e mandamentos de homens..." (Mat. 15:9) Assim, se pudessem provar que Mashiach ressuscitou no domingo (o que não pode ser), isto não constituiria uma base para mudar o mandamento de observar o Shabat como dia de repouso, e estabelecer um novo dia para descanso e oração, porque não há nenhuma insinuação na Palavra de que o dia no qual o Mashiach ressuscitou seria consagrado, santo, sagrado ou dia santificado ou ainda um dia usado para culto público ou privado, ou para repouso. Não há a mínima insinuação escritural de que o dia da ressurreição do Mashiach fosse recordado ou celebrado de algum modo especial. Portanto, o tempo da ressurreição de Mashiach não dá nenhuma razão para guardar o domingo ao invés do Shabat.

A OBSERVÂNCIA DA CHAMADA "SEXTA-FEIRA SANTA"

Outro resultado do falso ensinamento sobre a crucificação e ressurreição de Mashiach é a "Sexta-feira Santa". Cada ano a maioria das religiões tem um serviço especial na sexta-feira anterior à chamada Páscoa Florida (domingo da ressurreição). Este dia é designado como "Sexta-feira Santa" e é lembrado como o dia da crucificação. Depois de ter lido até aqui neste tratado sobre este assunto, e havendo comparado cuidadosamente os relatos feitos com as Escrituras, não é difícil ver que não há fundamento escritural para a observância festiva deste dia. A "sexta-feira santa" é outra instituição dos homens. O Mashiach não foi crucificado na sexta-feira, como claramente mostramos (mas sim, na quarta-feira). De qualquer forma, isto não significa que a quarta-feira. é o dia que se deve observar sempre como o dia da sua crucificação. A data da crucificação é a mesma, porém o dia da semana em que cai é variável, assim como os aniversários caem em dias diferentes da semana em cada ano, da mesma maneira o aniversário da crucificação vem em dia diferente em cada ano.

SOBRE O DOMINGO DE PÁSCOA (OU DIA DA RESSURREIÇÃO)?

Visto que mostramos que o Mashiach não ressuscitou no domingo, não há razões bíblicas para a observância do domingo de PÁSCOA, embora pela tradição é um dos dias mais importantes e especiais na maioria das "igrejas cristãs". Demonstramos que Mashiach ressuscitou do túmulo antes do crepúsculo do Shabat, ou seja, o dia que precede o domingo. As cerimônias religiosas do domingo de Páscoa, efetuadas antes da saída do sol, são completamente antibíblicas. Não há exemplo, mandato ou ensinamento na Bíblia para a celebração da ressurreição do Mashiach e assim já o demonstramos.
Observar a Páscoa romana como um dia especial, sagrado, religioso e celebrá-lo (entre outras coisas), comendo ovos de chocolate e fazendo com que as crianças creiam que os coelhos botam ovos, é muito inconsistente, para dizer o mínimo. É engano e um infamante pecado.

CONCLUSÃO

Apresentamos a verdade relativa ao fator tempo na crucificação e ressurreição do Mashiach, porque pensamos que é importante. Yeshua para provar sua afirmação de ser o MESSIAS, colocou como sinal, o sinal de YONAH (Mat. 12:38-40), onde determinantemente Ele expressa que estaria no túmulo "três dias e três noites". Com o entendimento adquirido, conte você da tarde do dia de quarta-feira (hora em que o Mashiach já estava posto no túmulo) até a tarde de Shabat (hora em que Yeshua ressuscitou) e terá perfeitamente o cômputo do "sinal de YONAH: três dias e três noites". Que maravilhosa harmonia e completo cumprimento encontramos na Palavra de Elohim, quando temos o devido entendimento! Vocês estão convidados para fazer o que a Palavra nos diz das pessoas de um lugar chamado Beréia. Ela foram: "mais nobre que os de Tessalônica, pois receberam a palavra com toda solicitude, esquadrinhando todos os dias as Escrituras, SE ESTAS COISAS ERAM ASSIM..." (Atos 17:11). Investigue as Escrituras, estude-a cuidadosamente, de modo que esteja pessoalmente convencido de que interpretamos corretamente a Palavra de Elohim. Há uma grande bênção em conhecer a verdade. Disse Yeshua: "...E conhecereis a verdade e a verdade vos libertará..." (Yochanan 8:32) Finalizando: Não temos interesse em ficar discutindo este tema com quem quer que seja, que discorde de nossa opinião. Estamos tão somente propondo algo diferente do que está aí estabelecido como verdade e crido por muitos, sem levar a sério as palavras de Shaul HaShaliach: "Examinai tudo...